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Irã e Israel: escalada de tensão era prevista e deve perpetuar atritos

Guerra com participação de outros países é improvável, mas possível. Confronto aberto afetaria economia global, diz especialista

Internacional|Ana Luísa Vieira, do R7

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Israel diz que atacou alvos na Síria após lançamento de mísseis do Irã
Israel diz que atacou alvos na Síria após lançamento de mísseis do Irã

A escalada de violência registrada na madrugada desta quinta-feira (10) entre Irã e Israel já era prevista e deve perpetuar uma sucessão de atritos entre os dois países na região da Síria. É esta a opinião do professor Gunther Rudzit, especialista em Segurança Internacional e professor de Relações Internacionais na ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing).

“Existe um aumento progressivo na tensão entre Irã e Israel há dois ou três anos. Isso acontece porque a presença iraniana — principal aliada do governo de Bashar Al-Assad — no conflito sírio vem crescendo substancialmente. As forças do Irã estão presentes na Síria em maior escala até que as da Rússia, e eles fazem isso como uma forma de se preparar para ameaçar Israel caso haja um confronto. O premiê israelense Benjamin Netanyahu, por sua vez, já elegeu o Irã como principal ameaça a Israel há anos”.


Retaliação esperada

Na última madrugada, as forças iranianas no lado sírio das Colinas de Golã — localizadas entre o território de Israel e a Síria — atacaram postos do Exército israelense. Em resposta, Israel declarou que atacou quase toda infraestrutura militar do Irã na Síria — na mais pesada investida militar israelense no país governado por Assad desde o início da guerra civil síria em 2011.


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Acredita-se que, nos últimos meses, os israelenses tenham também realizado várias ações militares contra instalações iranianas na Síria. “Entre eles, um ataque de mísseis que levou à morte de um oficial iraniano de alta patente”, comenta Rudzit. Uma retaliação do Irã já era esperada.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que monitora o conflito, disse que os ataques israelenses mataram pelo menos 23 militares, incluindo sírios e não sírios.


Já o comando do exército da Síria afirmou em comunicado na televisão que suas defesas antiaéreas haviam destruído a maior parte de uma "onda sucessiva" de foguetes israelenses disparados contra suas bases militares, acrescentando que os disparos mataram três pessoas e feriram várias outras.

Confronto aberto


Para o professor, o mais provável é que a situação se mantenha, a longo prazo, da forma como está. A possibilidade de escalada para um confronto aberto — uma guerra de fato, com diferentes países envolvidos —, entretanto, também existe.

“No caso de um conflito aberto, os Estados Unidos muito provavelmente se envolveriam e se colocariam do lado de Israel. A questão a ser refletida, porém, é uma participação da Arábia Saudita — que também tem o Irã como inimigo”, diz. 

O professor explica que, desde o fim da Guerra Fria, a potência do Oriente Médio é a Arábia Saudita, com o apoio norte-americano. O Irã passou a disputar essa posição e aumentar sua influência regional a partir de 2005. A questão é que os dois países são grandes exportadores de petróleo atualmente.

“É preciso chamar a atenção para os efeitos econômicos que uma guerra deste tipo causaria. O preço do petróleo iria simplesmente disparar — e aí a economia mundial como um todo sofreria um grande baque”, conclui.

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