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Israel teme que Trump feche um ‘mau acordo’ com o Irã e deixe objetivos de guerra por cumprir

Com foco no urânio, negociações ignoram pontos-chave e ampliam apreensão de Israel sobre fim da guerra

Internacional|Tal Shalev, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Israel expressa preocupações sobre um possível acordo entre Trump e Irã que ignore questões-chave da guerra.
  • As negociações atuais se concentram no urânio, enquanto preocupações sobre mísseis balísticos e apoio a aliados iranianos são deixadas de lado.
  • Israel teme que um acordo que alivie a pressão sobre o Irã possa estabilizar seu regime, considerando isso um risco à segurança regional.
  • Os líderes israelenses tentam influenciar Trump, ressaltando que um acordo fraco seria inaceitável e poderiam considerar ações militares se as negociações falharem.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Donald Trump
Israel teme acordo de Trump com Irã que deixe de fora mísseis e aliados regionais Kent Nishimura/AFP/Getty Images via CNN Newsource - 12.05.2026

Israel está preocupado que o presidente dos EUA, Donald Trump, possa firmar um acordo com o Irã antes de abordar algumas das principais questões que levaram os dois países a iniciar a guerra, disseram múltiplas fontes israelenses à CNN.

Um acordo que deixe o programa nuclear de Teerã parcialmente intacto, ao mesmo tempo em que ignore temas como mísseis balísticos e apoio a grupos aliados na região, faria com que Israel considerasse a guerra incompleta, afirmaram as fontes.


“A principal preocupação é que Trump se canse das negociações e feche um acordo — qualquer acordo — com concessões de última hora”, disse uma fonte israelense. Embora autoridades dos EUA tenham assegurado a Israel que a questão do estoque iraniano de urânio altamente enriquecido será tratada, a fonte afirmou que a aparente exclusão dos mísseis balísticos e da rede de aliados de Teerã das negociações “é algo muito relevante”.

O Irã lançou mais de 1.000 mísseis balísticos contra Israel e países árabes do Golfo durante a guerra, além de ondas de drones.


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Um acordo parcial que não aborde algumas das principais capacidades do Irã, ao mesmo tempo em que alivie a pressão econômica sobre o país, também poderia estabilizar o regime e fornecer uma entrada de recursos, disseram as autoridades. As preocupações evidenciam uma divergência entre Trump, que parece relutante em retomar a guerra, e Netanyahu, que teme que ela termine sem alcançar todos os seus objetivos iniciais.

Uma porta-voz da Casa Branca afirmou que o Irã “sabe muito bem que sua realidade atual não é sustentável”, insistindo que Trump “tem todas as cartas” nas negociações.


“Seus mísseis balísticos foram destruídos, suas instalações de produção foram desmontadas, sua marinha foi afundada e seus aliados estão enfraquecidos”, disse Olivia Wales em comunicado à CNN. “Agora, eles estão sendo estrangulados economicamente pela Operação Fúria Econômica e perdendo US$ 500 milhões por dia graças ao bloqueio bem-sucedido dos portos iranianos pelas Forças Armadas dos Estados Unidos.”

Um acordo entre os EUA e o Irã para encerrar a guerra está longe de ser certo, com diferenças significativas ainda existentes entre as posições dos dois lados sobre a reabertura do Estreito de Ormuz e o futuro do programa nuclear de Teerã, e Israel está se preparando para a possibilidade de que os combates sejam retomados. Ainda assim, o governo Trump tem pressionado por um caminho diplomático, aparentemente sem disposição para reiniciar um conflito que fez disparar os preços do gás nos EUA.


Objetivos reduzidos

No início da guerra, Trump sugeriu que os EUA queriam destruir o programa de mísseis balísticos do Irã, acabar com seu apoio a aliados regionais e fechar suas instalações nucleares para que nunca pudesse desenvolver uma bomba. Mas, após 10 semanas, as negociações passaram a focar no urânio — especificamente seu enriquecimento a níveis de grau militar — e na reabertura do Estreito de Ormuz.

A redução de objetivos também ficou evidente nas declarações públicas do próprio primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Em um discurso em fevereiro, em Jerusalém, antes da guerra com o Irã, ele listou cinco condições para um acordo aceitável: remoção de todo o urânio enriquecido, desmantelamento das capacidades de enriquecimento, tratamento dos mísseis balísticos, desmonte da rede de aliados regionais do Irã e inspeções nucleares robustas.

Na semana passada, em mensagem em vídeo antes de uma reunião do gabinete de Segurança israelense, ele reduziu essa lista a apenas um ponto. “O objetivo mais importante é a remoção do material enriquecido do Irã — todo o material enriquecido — e o desmantelamento das capacidades de enriquecimento do Irã”, disse, sem mencionar mísseis balísticos ou o apoio a aliados, como o Hezbollah no Líbano ou o Hamas em Gaza.

Uma fonte familiarizada com as discussões disse que Israel entende que os mísseis e os aliados “provavelmente estão fora da mesa”, já que não parecem incluídos nos primeiros rascunhos diplomáticos, razão pela qual Netanyahu está priorizando o urânio como ameaça mais imediata.

O primeiro-ministro baseia-se em sua comunicação direta com Trump, disse uma fonte israelense, já que não confia totalmente no enviado de Trump, Steve Witkoff, nem no genro do presidente, Jared Kushner, que lideram as negociações com o Irã. Netanyahu tem articulado uma diplomacia paralela com Teerã com base em informações de inteligência coletadas no Paquistão, Catar e no próprio Irã.

“Há uma preocupação real de que Trump feche um acordo ruim. Israel está tentando influenciá-lo o máximo possível”, disse outro funcionário israelense à CNN. Ainda assim, Netanyahu é cauteloso quanto à pressão exercida, temendo ser visto como alguém que empurra Trump de volta para a guerra.

A Casa Branca disse à CNN que Witkoff e Kushner têm a “total confiança” de Trump, destacando o que descreveu como um “histórico de sucessos”, incluindo o fim da guerra em Gaza.

Autoridades israelenses temem que aliviar a pressão econômica — mesmo que parcialmente — possa estabilizar o regime iraniano em um momento de fraqueza. O ex-conselheiro de segurança nacional de Netanyahu, Meir Ben Shabbat, escreveu no fim de semana no jornal israelense Makor Rishon que qualquer acordo deve evitar permitir que o regime se recupere, citando a recente declaração de Trump de que “talvez seja melhor não haver acordo algum” como resultado preferível a um entendimento que não atenda aos objetivos de Israel.

O establishment de segurança israelense está particularmente preocupado com um acordo intermediário que estenda o cessar-fogo, reabra o Estreito de Ormuz e alivie a pressão econômica sobre o Irã sem sequer abordar a questão nuclear.

O Irã tem insistido que um acordo preliminar cubra apenas o alívio de sanções e o estreito, deixando o tema nuclear para etapas posteriores.

‘Ficaremos felizes se não houver acordo’

Um alto funcionário israelense disse à CNN que Israel permanece em alerta máximo para um eventual colapso das negociações. “Estamos atentos a tudo. Ficaremos felizes se não houver acordo, ficaremos felizes se o cerco a Ormuz continuar, e ficaremos felizes se o Irã sofrer mais alguns ataques”, afirmou, reconhecendo que a decisão final cabe a Trump. A escalada, acrescentou, é um cenário realista “se os iranianos continuarem a protelar e arrastar as negociações”.

Outra fonte familiarizada com as discussões disse que EUA e Israel continuaram coordenando possíveis planos militares no Irã, incluindo ataques a instalações de energia e infraestrutura, bem como assassinatos direcionados de lideranças iranianas, caso as negociações fracassem.

O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa do Parlamento israelense, Boaz Bismuth, refletiu essa visão em uma publicação após uma reunião confidencial com líderes militares.

“É negociação ou explosão”, escreveu no domingo.

Uma fonte israelense disse à CNN que a ideia de uma cláusula de expiração (“sunset clause”) foi levantada nas negociações — um dispositivo que permitiria que algumas restrições expirassem após um determinado número de anos. Essa expiração permitiria ao Irã retomar algumas atividades nucleares, como ocorreu no acordo nuclear de 2015, negociado durante o governo de Barack Obama. Tanto Netanyahu quanto Trump criticaram repetidamente esse acordo, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), e Israel teme que o atual formato de negociação tenha elementos semelhantes.

A fonte afirmou que Israel está tentando incluir duas cláusulas que possam diferenciar o novo acordo do JCPOA: uma proibição total do enriquecimento durante o período de expiração e o desmantelamento das instalações subterrâneas de Fordow e do complexo Pickaxe Mountain, ambos fortemente protegidos e considerados locais onde o Irã avança em suas capacidades nucleares.

Um alto oficial militar israelense disse no mês passado que, se a guerra terminar sem a retirada do urânio enriquecido do Irã, isso será considerado um fracasso.

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