Paraquedista se arrisca para salvar paciente com hantavírus em ilha mais isolada do mundo
Tristan da Cunha fica no Atlântico, não possui pista de pouso e só pode ser acessada por barco em uma longa viagem
Internacional|Do R7
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Uma operação inédita das Forças Armadas do Reino Unido levou profissionais de saúde, equipamentos e suprimentos a Tristan da Cunha, um arquipélago britânico no Atlântico Sul considerado a comunidade habitada mais remota do planeta. A missão foi organizada após um cidadão britânico residente na ilha apresentar suspeita de infecção por hantavírus, doença transmitida por roedores e que pode provocar complicações graves.
O Ministério da Defesa britânico divulgou imagens gravadas por uma câmera acoplada ao capacete de um dos paraquedistas, mostrando o momento em que militares da Brigada de Assalto Aéreo 16 saltam de um avião e descem sobre o território. Segundo o governo, foi a primeira vez na história que profissionais de saúde e material médico foram enviados ao local por paraquedas.
A operação foi considerada a alternativa mais rápida para levar assistência ao paciente. Tristan da Cunha não possui pista de pouso e, em condições normais, só pode ser acessada por barco, em uma viagem que pode levar mais de uma semana. Com o paciente em uso de oxigênio e com os estoques se esgotando, autoridades britânicas avaliaram que havia poucas opções disponíveis.
A equipe lançada sobre a ilha era formada por seis paraquedistas, um consultor da Força Aérea Real (RAF) e um enfermeiro do Exército. Todos pertencem à Brigada de Assalto Aéreo 16, unidade especializada em operações aerotransportadas.
O grupo partiu da base de RAF Brize Norton, no Reino Unido, a bordo de um avião de transporte Airbus A400M Atlas, com apoio de uma aeronave RAF Voyager. Após uma escala de reabastecimento, os militares seguiram até a Ilha de Ascensão, onde aguardaram por alguns dias antes do trecho final da missão.
Do ponto de vista técnico, o salto foi descrito como um dos mais difíceis já realizados pelos integrantes da equipe. Os paraquedistas foram lançados a cerca de cinco quilômetros da costa e precisaram manobrar imediatamente contra os ventos fortes vindos do Atlântico Sul para evitar serem arrastados mar adentro.
Ao atravessar as nuvens, os militares encontraram outro obstáculo: a zona de pouso era um campo de golfe coberto por pedras. O relevo local também impôs dificuldades adicionais. Tristan da Cunha abriga um vulcão de 2.062 metros de altitude, ainda considerado ativo após uma erupção submarina registrada em 2004.
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Apesar das condições adversas, todos aterrissaram em segurança. No solo, os moradores acompanharam a descida e receberam a equipe com entusiasmo. Segundo os militares, a população demonstrou alívio ao ver que o apoio havia chegado.
O capitão George Lacey, integrante do Pathfinders Platoon, unidade baseada em Colchester, afirmou à BBC que os paraquedistas possuem centenas de saltos de alta altitude no currículo. No entanto, ele classificou a operação como particularmente complexa devido à força do vento e à exigência técnica da manobra.
Lacey relatou que, após o pouso, os profissionais de saúde assumiram o atendimento ao paciente. Ele afirmou que os militares não tiveram contato direto com o infectado e que a situação na ilha era tranquila, com os moradores concentrados em acompanhar o trabalho da equipe médica.
Além do enfermeiro e do consultor da RAF, a aeronave lançou cilindros de oxigênio e outros suprimentos essenciais para reforçar a estrutura do hospital local. Tristan da Cunha tem apenas 221 habitantes e conta com dois médicos e quatro enfermeiros em sua única unidade hospitalar.
O brigadeiro Ed Cartwright, comandante da Brigada de Assalto Aéreo 16, informou que transcorreram cerca de 11 mil quilômetros e 56 horas entre o pedido de ajuda e a chegada dos militares e equipamentos à ilha. Para ele, a velocidade da resposta foi determinante para ampliar as chances de atendimento adequado.
Em entrevista à Sky News, Cartwright afirmou que a missão envolveu riscos consideráveis. Segundo o oficial, o paraquedismo possui perigos inerentes e as rajadas de vento elevaram o grau de dificuldade. Ele relatou que os próprios militares descreveram a descida como um “salto bastante intenso”.
O comandante também destacou que já existe um plano para retirar a equipe da ilha e trazê-la de volta ao Reino Unido após o encerramento da operação.
O Ministério da Defesa britânico classificou a ação como uma missão humanitária sem precedentes. A pasta ressaltou que o emprego de tropas aerotransportadas permitiu superar a ausência de infraestrutura e garantir apoio médico urgente em um dos pontos mais inacessíveis sob administração britânica.
A secretária de Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, afirmou que a segurança de todos os integrantes da “família britânica” é prioridade do governo. Segundo ela, as autoridades continuam trabalhando em conjunto com organismos internacionais e com a administração de Tristan da Cunha para oferecer o suporte necessário.
Surto de hantavírus
A operação em Tristan da Cunha ocorre em meio às consequências de um surto de hantavírus no navio MV Hondius. O paciente atendido na ilha havia desembarcado do cruzeiro antes de apresentar os sintomas.
Até o momento, três pessoas morreram após o surto no navio. Duas delas tiveram a infecção por hantavírus confirmada. Além disso, dois cidadãos britânicos diagnosticados com a doença estão em tratamento na Holanda e na África do Sul.
No sábado anterior à missão, três profissionais de saúde adicionais chegaram à ilha de Santa Helena, outro território britânico remoto no Atlântico. Também foram enviados dois integrantes do Ministério da Defesa para reforçar a capacidade de resposta local.
O governo de Santa Helena informou que a chegada do pessoal extra não representa motivo de preocupação, mas sim uma medida preventiva. Segundo as autoridades, não há pessoas sintomáticas nem casos suspeitos na ilha, e o risco para a comunidade permanece muito baixo.
No Reino Unido, 20 britânicos evacuados do MV Hondius iniciaram um período de 45 dias de isolamento. Eles foram levados ao hospital Arrowe Park, em Merseyside, após desembarcarem em Manchester em um voo fretado procedente de Tenerife.
Os passageiros permanecerão 72 horas no hospital e, em seguida, deverão completar mais 42 dias de autoisolamento em casa. A Agência de Segurança em Saúde do Reino Unido informou que todos estão saudáveis e sem sintomas.
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