Itália condena brasileira à prisão perpétua por morte de marido em falso acidente; entenda
Fabio Ravasio morreu após ser atingido por um carro enquanto andava de bicicleta
Internacional|Do R7
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A Justiça da Itália condenou à prisão perpétua a brasileira Adilma Pereira Carneiro, de 50 anos, pela morte do marido, o italiano Fabio Ravasio, de 52. Ele morreu em agosto de 2024 após ser atingido por um carro enquanto andava de bicicleta em uma estrada de Parabiago, na região de Milão. O que inicialmente foi tratado como um acidente de trânsito, porém, acabou sendo considerado pelos investigadores um homicídio planejado.
A sentença foi proferida em 15 de junho de 2026 pelo Tribunal de Assize de Busto Arsizio, mas ganhou repercussão nesta semana. De acordo com o Ministério Público italiano, Adilma, que nasceu no Rio Grande do Norte, teve papel central na elaboração e coordenação do crime, que teria sido motivado principalmente por interesses financeiros.
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Para isso, a brasileira mobilizou pessoas de seu círculo pessoal para colocar o plano em prática. Outras sete pessoas foram condenadas pelo assassinato: Marcello Trifone e Fabio Lavezzo receberam prisão perpétua. Massimo Ferretti foi sentenciado a 24 anos de prisão; Igor Benedito, a 23; Mohammed Dhaibi, a 22; Mirko Piazza, a 14 anos e quatro meses; e Fabio Oliva, a 14 anos.
Como o crime foi planejado
As investigações apontaram que cada integrante teria desempenhado uma função específica. Igor Benedito, filho de Adilma, foi identificado como o motorista do carro usado para atingir Ravasio. Mirko Piazza teria atuado como vigia, enquanto Fabio Oliva, que trabalhava como mecânico, teria colaborado na preparação do veículo.
Marcello Trifone e Fabio Lavezzo também foram apontados como participantes da execução. Já Massimo Ferretti, ex-marido de Adilma, admitiu envolvimento durante a investigação e relatou que encontros para discutir o crime ocorreram em seu estabelecimento comercial.
Ainda de acordo com a acusação, antes de optar pela estratégia de simular um acidente, Adilma teria procurado alternativas para contratar alguém que matasse Ravasio. O custo estimado de um assassino profissional, porém, teria levado o grupo a buscar outra solução.
Para os magistrados, a brasileira tinha como objetivo obter vantagens relacionadas ao patrimônio do companheiro, incluindo bens e seguros. Adilma e Ravasio tinham dois filhos e viviam juntos há anos.
A investigação financeira ainda apontou movimentações envolvendo grandes quantias. Segundo as informações apresentadas no processo, transferências e saídas de dinheiro chegaram a 226 mil euros em 2023, com operações relacionadas a pessoas e instituições no Brasil, na França e na Espanha.
Durante o julgamento, Adilma negou participação no assassinato e afirmou que não teria motivos para matar Ravasio. Ela também tentou responsabilizar Ferretti, dizendo que havia descoberto que o ex-marido procurava alguém para cometer o crime.
Após a condenação, os advogados de alguns dos réus anunciaram que irão recorrer da decisão.
O caso também levou a Justiça italiana a reexaminar a morte de outro homem ligado à brasileira. Michele Della Malva, ex-marido de Adilma, morreu em 2011, inicialmente em circunstâncias atribuídas a um infarto. Com a nova investigação, os promotores passaram a avaliar a possibilidade de envenenamento.
A repercussão do caso fez com que a imprensa italiana atribuísse a Adilma os apelidos de “Louva-a-Deus de Parabiago” e “Viúva Negra Brasileira”, em referência ao comportamento de algumas espécies de animais em que a fêmea mata o macho após o acasalamento.
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