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Kirchnerismo avança em campanha eleitoral e relega vice ao segundo plano

Internacional|Do R7

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Buenos Aires, 10 out (EFE).- Enquanto a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, se recupera de uma cirurgia no cérebro, o governo acelera a campanha eleitoral, garante que a líder continuará no comando apesar de seu estado de saúde, e deixa em segundo plano o questionado vice-presidente, Amado Boudou. Cristina "evolui favoravelmente, sem complicações", e está em tratamento intensivo, anunciou nesta quinta-feira o porta-voz da Casa Rosada, Alfredo Scoccimarro, em relação ao boletim médico do dia. Scoccimarro destacou que a presidente já começou a ingerir alimentos e detalhou que hoje comeu purê, verduras, sopa e uma maçã assada, embora não tenha especificado os possíveis prazos de recuperação. O silêncio oficial sobre as circunstâncias que ocasionaram o traumatismo craniano que fez com que a cirurgia fosse necessária deu origem a especulações. Fontes consultadas pelo jornal "La Nación" falaram de uma queda no avião presidencial, enquanto o representante do governo na província de Buenos Aires, Martín Insaurralde, comentou hoje que "ela estava arrumando ou juntando algum presente que tinha recebido do neto (Néstor Iván), perdeu o equilíbrio e bateu a cabeça". Enquanto isso, o governo divulga mensagens de normalidade, sustenta que Cristina continua a dar instruções para a gestão dos temas importantes e multiplica sua atividade eleitoral em plena campanha para as legislativas do dia 27 de outubro. Boudou, questionado por sua suposta ligação com escândalos de corrupção, mantém a representação formal do governo, como determina a Constituição para os casos de ausência da presidente, mas foi relegado ao segundo plano. Os atos liderados por ele foram suspensos e sua aparição junto aos candidatos também foi evitada. O chefe de Gabinete argentino, Juan Manuel Abal Medina, insistiu que é a presidente e não Boudou quem toma as decisões importantes e garantiu que, "a conhece", e sabe que voltará às atividades o mais breve possível. Especialistas locais acreditam que as decisões do governo são tomadas pelo reduzido círculo íntimo da governante, no qual figuram, entre outros, seu filho Máximo Kirchner, que ficou com ela no hospital. Para o diretor do Centro de Opinião Pública da Universidade de Belgrano, Orlando d'Adamo, "preferiram afastar Boudou o máximo possível da campanha. O vice-presidente é o político com a pior imagem do país de acordo com a opinião pública". D'Adamo lembrou em declarações à Agência Efe que o vice-presidente está supostamente vinculado a escândalos por corrupção e ressaltou que o governo tenta "não expô-lo, ainda mais com a proximidade das eleições". Segundo o diretor de Estudos Nova Maioria, Rosendo Fraga, a retirada forçada de Cristina da primeira linha política "põe em evidência a figura mais controversa do governo". Uma enquete divulgada hoje mostrou que três em cada quatro moradores de Buenos Aires desconfia da gestão de Boudou, que foi aprovada por apenas 18% dos consultados. A pesquisa, realizada pela empresa de consultoria Raúl Aragon & Associados, com 400 pessoas, refletiu também que 56% delas acreditam que Boudou governará mal ou muito mal durante a ausência da presidente, contra os 16% que se disseram convencidos de que ele desempenhará bem ou muito bem o papel. Apesar dos resultados da enquete, "o público em geral não está preocupado, já que 87,32% está confiante de que a chefe de Estado reassumirá suas funções", informou a Raúl Aragon & Associados ao jornal "Clarín". A oposição argentina tem criticado com dureza o hermetismo oficial sobre o estado de saúde de Cristina e sobre a transferência temporária de poder a Boudou, o que até agora não foi publicado no Diário Oficial. EFE mcg-mar/apc/rsd (foto) (vídeo)

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