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Lowline, o sonho nova-iorquino do parque subterrâneo está cada vez mais perto

Internacional|Do R7

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Mateo Sancho Cardiel. Nova York, 8 jul (EFE).- Ainda sob os efeitos do milagre paisagístico e imobiliário do Highline, Nova York procura ir um passo além com o Lowline, que transformará uma antiga estação de bondes em um pomar subterrâneo que abrirá em 2018 e que nesta semana começou sua campanha de financiamento coletivo. Em plena aridez asfáltica do Lower East Side aonde parece uma miragem, este projeto pouco a pouco vai se aproximando da realidade que transformará um espaço criado em 1908 e esquecido desde 1948 e que pretende encher um acre (cerca de 4.100 metros quadrados) de plantas, tecnologia solar e sentimento de comunidade. Será, a não ser que outra cidade se antecipe, o primeiro parque subterrâneo do mundo. "É um projeto que é raro, único e ambicioso. Conforme foram passando os anos, muita gente foi se somando até torná-lo uma possibilidade real. Estar sob a terra não é a ideia mais óbvia para ir ao parque, mas a tecnologia realmente revoluciona o espaço e abriu um mundo inteiro de possibilidades, não só aqui, mas no mundo todo", explicou à Agência Efe a diretora de comunidade do projeto, Robyn Shapiro. Em 2012 começou a campanha de conscientização: foi aberta uma exposição mostrando as ideias aparentemente utópicas para recuperar o espaço adjacente à estação de metrô de Essex Street. A aceitação foi tamanha que a equipe do Lowline quis alcançar seu sonho, e um grupo de designers e engenheiros da casa RAAD (com James Ramsey à cabeça) pôs as mãos à obra. Algumas celebridades, como Edward Norton, Diane Von Fürstenberg e Mark Ruffalo, apoiaram a proposta e o laboratório de ideias disparou em busca de criar uma experiência única. "Não será estar ao ar livre, mas também não será como estar em um lugar fechado. Será uma experiência muito agradável, que ampliará as horas de luz e dará a possibilidade de fugir do frio no inverno. Além disso, é uma ideia inteligente para solucionar um problema crescente de espaço nas cidades em constante crescimento", argumentou Shapiro. O Lowline começou esta semana uma campanha de arrecadação para dar um empurrão ao projeto, que custará US$ 60 milhões, mas também continua a pesquisa em seu laboratório de ideias, que em setembro fará uma segunda exposição mais avançada, em que serão dadas pequenas amostras da sensação tão especial que se produzirá neste lugar. Por estar debaixo da terra certamente o primeiro desafio é o da luz, e para isso foi desenvolvido um sofisticado sistema que chamaram de "claraboia à distância". Este sistema recolhe a luz solar na superfície e a deriva por um complexo labirinto de reflexão que a multiplica até gerar praticamente uma sensação de luz natural vários metros abaixo do solo e permitir ainda que plantas, árvores e gramados façam fotossíntese. Também contará com um sistema de ventilação que garantirá que o Lowline não deixe de ser uma saída para respirar ar limpo, já que, estando nos subterrâneos de Nova York e nos limites de um metrô, é impossível não pensar que, além da explosão vegetal, possam chegar não tão agradáveis nova-iorquinos: os ratos. "Mais de uma pessoa nos perguntou por eles. Mas criamos um sistema de isolamento dos túneis do metrô, não só por isso, mas para garantir a proteção também dos ruídos para criar um espaço seguro", garantiu a diretora do projeto. Existe a reticência lógica de que o Lower East Side, um dos bairros que melhor mantêm o encantamento 'underground' de uma Manhattan cada vez mais 'gourmet', acabe sucumbindo à explosão imobiliária como a que o Highline provocou, ao revalorizar incrivelmente este trecho dessa antiga via entre as ruas 11 e 40. "Há semelhanças e diferenças, ambas estão em uma infraestrutura abandonada que se transformará em um parque público. Mas uma das coisas que é importante para nós, para o projeto e que esteve ali desde o princípio, foi dialogar com a comunidade de moradores, que os torne parte do projeto", defendeu Shapiro. EFE msc/cd/rsd (fotos)

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