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Maduro pede que empresário venezuelano seja processado por suposto boato sobre FMI

Internacional|Do R7

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Por Andrew Cawthorne

CARACAS (Reuters) - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu que medidas legais sejam tomadas contra o empresário venezuelano bilionário Lorenzo Mendoza em razão de um telefonema que aventa a possibilidade de um pacote de socorro econômico para a economia fragilizada do país.


Mendoza, de 50 anos, comanda o maior conglomerado privado da Venezuela, as Empresas Polar, e foi retratado muitas vezes por Maduro e seu antecessor e mentor, Hugo Chávez, como um símbolo do capitalismo inescrupuloso.

Nesta semana, a mídia estatal veiculou uma conversa telefônica entre Mendoza e o economista venezuelano Ricardo Hausmann, residente nos Estados Unidos, na qual o último diz que um pacote de 40 a 50 bilhões de dólares e um plano de “ajuste” do Fundo Monetário Internacional (FMI) são necessários.


O governo Maduro –que culpa uma “guerra econômica” de seus inimigos políticos pela recessão, escassez de produtos, colapso da moeda e a maior inflação do mundo que assolam sua nação– apontou a conversa como uma prova de que Mendoza está conspirando.

“Vejam o que o aristocrata cabeludo disse, vendendo o país ao FMI. O que ele está pensando?”, disse Maduro, no domingo, na televisão estatal, usando um termo local para a antiga elite econômica que já usou anteriormente para se referir a Mendoza.


“É um crime... falar em nome da pátria-mãe, um crime sério contemplado no código penal. Ele deveria ser processado… espero que as instâncias jurídicas reajam”.

Não houve reação imediata de Mendoza, que passou a maior parte da ligação ouvindo a opinião de Hausmann sobre a necessidade de uma intervenção do FMI na Venezuela e depois concordou com sua avaliação, segundo a qual o país necessitaria de algo entre 40 e 50 bilhões de dólares.


Em um comunicado emitido no início desta semana, entretanto, o líder da Polar afirmou não contestar a veracidade da divulgação, mas disse que a conversa era particular e que foi gravada ilegalmente e explorada para fins políticos.

Mendoza, cuja empresa fabrica a cerveja mais vendida da Venezuela e uma marca de farinha usada na arepa, um prato popular, afirmou que conversa frequentemente com economistas de todo o espectro político em casa e no exterior sobre maneiras de aprimorar a economia.

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