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Megatraficante Abadía conta detalhes de parceria com 'El Chapo'

Em depoimento nesta quinta-feira (29), Juan Carlos Abadía contou como a agilidade do cartel mexicano fez com que a parceria durasse vários anos

Internacional|Fábio Fleury, do R7

Julgamento continua na corte federal do Brooklyn
Julgamento continua na corte federal do Brooklyn Julgamento continua na corte federal do Brooklyn

Em seu depoimento no julgamento do traficante mexicano Joaquín "El Chapo" Guzmán, nesta quinta-feira (29), o traficante colombiano Juan Carlos Abadía deu detalhes de como conheceu o chefão e como seus cartéis operaram juntos no início dos anos 1990.

Após começar seu testemunho contando que mandou matar mais de 150 pessoas e traficou mais de 400 toneladas de cocaína para os Estados Unidos, Abadía explicou que a parceria com Chapo começou após um encontro em um hotel na Cidade do México, em 1990.

Na época, Guzmán ainda lutava para estabelecer sua quadrilha dentro do México, enquanto o colombiano já era um grande exportador de drogas para o território norte-americano. A parceria entre eles durou quase 18 anos.

Rapidez na entrega

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Abadía contou que ficou surpreso com as promessas de eficiência feitas por Chapo para que fechassem negócios. O cartel do Norte do Vale, liderado pelo colombiano, levava a cocaína para o México e o cartel de Sinaloa ficava responsável por fazer a droga atravessar a fronteira.

Segundo o colombiano, Guzmán teria dito a ele: "Eu faço o serviço muito mais rápido. Experimente e você vai ver. Seus aviões, sua cocaína e seus pilotos ainda vão estar muito mais seguros porque tenho bons acordos".

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Uma vez em território dos EUA, os homens de Abadía levavam 60% da droga para vender e, como pagamento, Chapo ficava com 40% do produto. Outros transportadores costumavam ficar com 37% da droga. O colombiano preferiu manter o acordo por causa da agilidade na entrega.

"Eles eram muito rápidos. Me lembro que faziam o serviço em uma semana. Foi a primeira vez que um traficante mexicano entregou a droga tão rapidamente", relatou o colombiano no tribunal. Segundo ele, o normal era a entrega demorar cerca de um mês.

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Acordos de segurança

Ao relatar como eram feitas as entregas no México, Abadía demonstrou como era a influência de Guzmán junto às autoridades mexicanas.

"Quando os aviões chegavam às pistas clandestinas no México, eles eram protegidos por policiais federais. Eles recebiam os aviões e minha cocaína e, mais de uma vez, fizeram eles mesmos o descarregamento, o transporte e a escolta", afirmou.

Ele contou que as pistas de Chapo, além de bem protegidas, tinham iluminação de primeira linha, asfalto sempre novo, boas instalações para reabastecer as aeronaves e os homens de Sinaloa davam até comida para seus pilotos.

El Chapo é acusado de 17 crimes no julgamento, que ainda deve durar mais alguns meses. Caso seja condenado, ele pode receber até a prisão perpétua.

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