México vive 2013 marcado por intensas negociações políticas
Internacional|Do R7
Agustín de Gracia. Cidade do México, 18 dez (EFE).- O México fecha um ano de intensas negociações políticas para aprovar reformas estruturais que buscavam reforçar a economia, acabar com velhos privilégios e liberalizar setores essenciais como o energético. Foi um 2013 de preocupações pela desaceleração econômica registrada no primeiro semestre e de esperança quanto ao plano de segurança nacional, que conta com uma nova estratégia para fechar espaços ao crime organizado. Enrique Peña Nieto, que assumiu a presidência em 1º de dezembro de 2012, começou o ano promovendo reformas mais arriscadas politicamente, mas também necessárias, como da educação pública. Esse setor sempre foi um bastião do Sindicato Nacional de Trabalhadores da Educação (SNTE), que por sua capacidade de mobilização e influência política permitia manter privilégios que pareciam intocáveis. Mas um dia depois que alguns desses privilégios terminaram com a promulgação da reforma educativa, em 25 de fevereiro, o governo mexicano decidiu prender a líder do SNTE, Elba Esther Gordillo, por supostas operações financeiras irregulares. Gordillo era cabeça de uma "panelinha" que, segundo dirigentes políticos, durante décadas tinha administrado a educação pública de acordo com seus desejos, e sua detenção virou um marco na gestão de Peña Nieto, empenhado em acabar com velhos privilégios no México. A reforma educativa foi uma das estimuladas por Peña Nieto durante este ano em diferentes áreas, assim como outras para ordenar o sistema financeiro e fiscal e pôr fim a monopólios nas telecomunicações e no setor energético. Para isso, foi preciso buscar o apoio de outros grupos no Parlamento porque o governante Partido Revolucionário Institucional (PRI) não conta com maioria. "Com pouco escândalo, Peña Nieto soube lidar com a política parlamentar", argumentou o pesquisador da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) Rodrigo Salazar. O analista reconhece que algumas dessas reformas foram "custosas politicamente" e em outras ocasiões deixaram "sabor amargo na boca do setor privado", mas o governante soube construir as maiorias parlamentares que precisava. Pretendia-se que estas reformas surgissem do Pacto pelo México, assinado por Peña Nieto e os principais líderes político um dia depois de ele ter assumido o poder. Trata-se de um acordo poucas vezes visto na história do México e que recebeu vários elogios. Mas, como se temia, o pacto entrou em crise assim que chegaram ao Parlamento duas reformas chave: uma política-eleitoral e outra energética, que apresentavam princípios sobre os quais foi muito difícil conseguir o consenso político. O esquerdista Partido da Revolucação Democrática (PRD), o segundo grupo da oposição, abandonou o pacto no final de novembro, deixando só o governo, o PRI e o conservador Partido Ação Nacional (PAN), que governou o México por 12 anos. As reformas foram promovidas em meio a um panorama econômico marcado por uma desaceleração no primeiro semestre, que forçou o governo a revisar seu compromisso inicial de fechar o ano com um déficit 0, uma das promessas de Peña Nieto. A desaceleração diminuiu de intensidade no terceiro trimestre do ano, e as autoridades esperavam fechar 2013 com um crescimento de 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB), muito abaixo de anos anteriores, mas em uma tendência à recuperação em 2014. As tímidas tentativas de reverter essa desaceleração sofreram um duro revés quando o México, pela primeira vez em 50 anos, recebeu em setembro o impacto simultâneo de dois furacões, Ingrid e Manuel, que causaram mais de cem mortos e provocaram grande destruição material. Quanto à segurança, uma das principais preocupações dos mexicanos, o governo impulsionou uma nova estratégia baseada principalmente na coordenação em todos seus níveis, inédita na recente história do país. Os cartéis do narcotráfico e outros grupos do crime organizado sofreram grandes baixas, incluindo a detenção de Miguel Ángel Treviño Morales, líder dos Zetas, famoso por seus métodos brutais e principal alvo das ações do governo. EFE ag/ff/id








