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Milei envia ao Congresso reforma eleitoral que acaba com primárias e impõe ‘ficha limpa’

Presidente argentino anunciou no último mês que pretendia impulsionar 90 reformas estruturais em 2026

Internacional|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O presidente argentino, Javier Milei, anunciou a proposta de reforma eleitoral que será enviada ao Congresso.
  • A reforma visa a eliminar as primárias, alterar o financiamento de campanhas e implementar a 'ficha limpa'.
  • O mecanismo impediria a candidatura de pessoas processadas por crimes graves.
  • Embora haja resistência à extinção das primárias, a equipe de Milei busca negociar a reforma no Senado.

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Javier Milei afirmou que as iniciativas fazem parte da construção de uma 'nova Argentina' Florion Goga/Reuters - 20.04.2026

O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou nesta terça-feira (21) que enviará a proposta de reforma eleitoral ao Congresso na quarta-feira.

O projeto busca eliminar as primárias argentinas, alterar o financiamento das campanhas e implementar o mecanismo da ficha limpa.


“Acabou a impunidade. Acabou a farsa. Viva a liberdade, caramba”, afirmou o presidente argentino em uma postagem no X.

Segundo o jornal argentino La Nación, a reforma eleitoral argentina ganhou contornos mais definidos na sexta-feira (17), durante uma das últimas reuniões do comitê político do governo Milei.


No encontro, foram estabelecidos os pontos centrais da proposta. Entre eles, a chamada política de “recomeço”, mecanismo que permite a partidos em crise se reorganizarem sob novas siglas, o que blocos de oposição exigem como condição para apoiar a reforma.

Em relação ao mecanismo de ficha limpa, o projeto defende que indivíduos que estão “excluídos do cadastro eleitoral em virtude das disposições legais vigentes”, pessoas processadas por genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e violações dos direitos humanos, entre outros atos, não podem ser candidatos, segundo o La Nación.


O ponto mais polêmico da reforma é o futuro das primárias abertas, eleições prévias simultâneas e obrigatórias dos partidos, as chamadas PASO.

Diversos grupos resistem à proposta de extinção do mecanismo.


Em meio à fragmentação interna das legendas, muitos reconhecem que as primárias seriam necessárias para definir seus candidatos antes de enfrentar o partido governante nas eleições de 2027.

Por isso, o Executivo avaliava como improvável reunir a maioria necessária para extinguir o mecanismo.

Diante do impasse, a equipe política de Milei decidiu incluir a proposta de “recomeço” no projeto de reforma como moeda de negociação.

O objetivo é convencer os blocos mais resistentes a, ao menos, analisar a proposta e não simplesmente arquivá-la, como fizeram em ocasiões anteriores.

Ficou definido também que o projeto será enviado primeiro ao Senado argentino, uma câmara considerada mais favorável para construir as maiorias necessárias à aprovação.

Reformas de Milei

O presidente argentino anunciou no último mês que pretendia impulsionar 90 reformas estruturais em 2026 com o objetivo de “redesenhar a arquitetura institucional” do país “para os próximos 50 anos”.

A declaração foi feita durante o discurso anual do chefe do Executivo ao Congresso.

Milei afirmou que enviaria ao Parlamento propostas de mudanças em áreas como economia, sistema tributário, código penal, sistema eleitoral, educação, Justiça e defesa, entre outras. Segundo ele, as medidas dão continuidade ao que classificou como um ciclo de transformações iniciado após sua posse, em 2023.

O presidente também destacou o que chamou de “nove meses ininterruptos de reformas estruturais” e afirmou que as iniciativas fazem parte da construção de uma “nova Argentina”.

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