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O que documentos de Trump dizem — e não dizem — sobre ameaças às eleições dos EUA

Casa Branca afirma que arquivos não buscam reabrir debate sobre o pleito passado, mas corrigir vulnerabilidades

Internacional|Marshall Cohen e Kevin Liptak, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Donald Trump afirmou que há vulnerabilidades no sistema eleitoral dos EUA, usando documentos desclassificados como evidência de possíveis interferências estrangeiras futuras.
  • Os documentos não comprovam que eleições passadas, como a de 2020, foram manipuladas por interferência estrangeira de forma a alterar resultados.
  • A Casa Branca desclassificou relatórios sobre potenciais invasões em máquinas de votação por potências estrangeiras, mas destacou que a descentralização do sistema dificulta manipulações em larga escala.
  • Relatórios indicam que a China obteve ilegalmente registros de eleitores americanos, mas não há acusações formais de adulteração de registros por parte da China.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Trump alega que China interferiu nas eleições dos EUA em 2020 Saul Loeb/AFP/Pool/Getty Images via CNN Internacional

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, em um discurso em horário nobre nesta quinta-feira (17), que existem vulnerabilidades no sistema eleitoral americano. Para sustentar essa alegação, ele utilizou um grande conjunto de documentos recém-desclassificados como evidência de que futuras eleições podem estar sujeitas à interferência estrangeira, especialmente da China.

Embora os documentos tenham sido desclassificados recentemente, eles tratam, em grande parte, de vulnerabilidades conhecidas há anos e que autoridades eleitorais de todo o país vêm tentando corrigir.


Nenhuma das informações desclassificadas sustenta a alegação de que resultados de eleições anteriores — incluindo a disputa presidencial de 2020, vencida por Joe Biden e perdida por Trump — tenham sido manipulados por interferência estrangeira ou fraude de forma capaz de alterar o resultado.

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Em vez disso, autoridades da Casa Branca afirmam que a divulgação dos documentos não busca reabrir o debate sobre eleições passadas, mas, sim, corrigir vulnerabilidades antes das eleições legislativas de novembro.


Isso ocorre apesar de o segundo governo Trump ter encerrado diversas organizações federais responsáveis por monitorar e divulgar campanhas de influência estrangeira.

Integrantes da Casa Branca também afirmaram que parte dessas informações, algumas conhecidas há anos, teria sido ocultada de altas autoridades eleitas dos Estados Unidos, incluindo o próprio Trump, por razões políticas.


Entre os principais pontos que Trump pretende abordar estão:

  • Alegações de que existem grandes vulnerabilidades nas máquinas de votação dos Estados Unidos;
  • Alegações de que a China obteve dados eleitorais de milhões de americanos;
  • Alegações de fraude sistêmica no registro de eleitores promovida por democratas no estado de Michigan;
  • Alegações de que há muito mais não cidadãos registrados para votar do que se sabia anteriormente.

Revelações inéditas

De fato, há algumas revelações inéditas nas centenas de páginas de documentos desclassificados nesta quinta-feira. No entanto, segundo análise da CNN Internacional, uma parte considerável do material apenas retoma informações que já eram públicas e amplamente conhecidas pela comunidade de inteligência dos Estados Unidos.

Os documentos fazem parte de um esforço do governo Trump para defender que países estrangeiros estão interferindo de forma agressiva nas eleições americanas.


Vale lembrar que Trump passou quase uma década rejeitando a conclusão unânime de diversas dessas mesmas agências de inteligência de que a Rússia interferiu nas eleições presidenciais de 2016.

Segundo uma fonte com conhecimento direto das avaliações da comunidade de inteligência sobre as tentativas de interferência estrangeira nas eleições de 2020, os documentos divulgados e as anotações reuniam todas as informações que o governo possuía relacionadas a relatórios anteriores.

No entanto, após a análise do material complementar, concluiu-se que ele não era relevante nem suficientemente confiável para ser incluído nas avaliações oficiais.

A CNN Internacional está analisando as centenas de documentos desclassificados pelo governo Trump e divulgados na noite de quinta-feira.

Confira os principais pontos dos documentos:

Alegações sobre vulnerabilidades nas máquinas de votação

A Casa Branca desclassificou relatórios de inteligência que afirmam que máquinas de votação americanas poderiam ser invadidas por pelo menos cinco potências estrangeiras.

Um relatório do Conselho Nacional de Inteligência, de janeiro de 2020, concluiu que Rússia, China, Irã e Coreia do Norte “têm capacidade para acessar e potencialmente manipular” dados eleitorais dos Estados Unidos, como bancos de dados centralizados de registro de eleitores e listas utilizadas nos locais de votação.

No entanto, o documento ressalta que, como as eleições americanas são descentralizadas e administradas por estados e condados, eventuais invasões provavelmente seriam limitadas a áreas específicas, tornando “difícil manipular o sistema em escala suficiente para alterar o resultado da eleição”.

A Casa Branca também afirma que os documentos mostram que a Venezuela realizou um experimento em máquinas de votação capaz de trocar votos sem que a alteração fosse detectada em auditorias posteriores ou em recontagens manuais.

Essa alegação foi divulgada pelo ex-chefe da inteligência venezuelana Hugo “El Pollo” Carvajal, que se declarou culpado por tráfico de drogas e enviou uma carta a Trump em dezembro apoiando diversas teorias conspiratórias do presidente sobre as eleições.

As máquinas mencionadas foram fabricadas pela Smartmatic, empresa que aliados de Trump acusaram falsamente de manipular as eleições presidenciais de 2020, principalmente por causa de sua antiga ligação com a Venezuela.

Um memorando da CIA desclassificado em junho informa que a comunidade de inteligência americana concluiu, em 2006, que a Venezuela e a Smartmatic não tinham capacidade para “manipular o resultado de eleições fora da Venezuela”.

O relatório acrescenta que, quando houve manipulação eleitoral na própria Venezuela, isso só foi possível porque autoridades locais possuíam acesso interno aos sistemas de votação — algo que venezuelanos obviamente não teriam nas eleições dos Estados Unidos.

Atualmente, o software da Smartmatic é utilizado apenas em uma jurisdição em todo o país: o condado de Los Angeles. Em declaração anterior à CNN Internacional, um porta-voz da empresa afirmou que a Smartmatic “rejeita veementemente as acusações completamente infundadas e repetidamente desmentidas sobre a integridade de seus sistemas eleitorais”.

Existem vulnerabilidades bem documentadas nos sistemas de votação utilizados nos Estados Unidos. No entanto, ninguém — incluindo Trump e seus aliados — apresentou provas de que essas falhas tenham sido exploradas com sucesso por um adversário estrangeiro para alterar votos.

Mesmo assim, essas vulnerabilidades foram citadas em diversas ações judiciais movidas por aliados de Trump desde 2020 com o objetivo de questionar o resultado das eleições presidenciais daquele ano.

Alegações de que a China acessou registros de eleitores americanos

A Casa Branca afirma que os documentos indicam que a China obteve mais de 200 milhões de registros de eleitores americanos entre 2020 e 2024. Segundo o governo, os dados incluem nomes, endereços, números de telefone, situação militar, filiação partidária e o histórico de comparecimento às urnas.

De acordo com a Casa Branca, esses arquivos teriam sido comprados ilegalmente, roubados, obtidos por meio de invasões cibernéticas ou adquiridos de outras formas ilícitas. (Muitos estados americanos comercializam legalmente versões de seus cadastros eleitorais, mas apenas com informações consideradas públicas.)

Um adversário estrangeiro pode obter muitas informações sobre os cidadãos americanos ao acessar os registros eleitorais. Além disso, isso pode gerar riscos de caos no dia da votação caso consiga acessar bancos de dados em tempo real e alterar registros.

No entanto, os Estados Unidos nunca acusaram a China de adulterar ou apagar registros de eleitores.

Um relatório de 2019, produzido por uma agência do governo cujo nome foi ocultado, afirma que os bancos de dados eleitorais de oito estados foram comprometidos pela China.

O documento também descreve que hackers chineses atacaram diversos setores da sociedade americana, incluindo bancos de dados médicos, redes sociais, centros de pesquisa e empresas do setor de defesa.

Essas conclusões não são exatamente novas: as agências de inteligência dos EUA já entendiam há muito tempo que a China busca coletar o máximo possível de informações sobre cidadãos americanos, invadindo ilegalmente diferentes tipos de registros.

A China possui um longo histórico de espionagem desse tipo. Em 2015, hackers chineses invadiram servidores do governo federal e roubaram mais de 20 milhões de registros sigilosos do Escritório de Gestão de Pessoal (Office of Personnel Management).

Além do acesso aos registros eleitorais, um novo relatório do Conselho Nacional de Inteligência, datado de outubro de 2020, concluiu que as atividades da China relacionadas às eleições presidenciais daquele ano foram de “baixo nível” e limitadas a “medidas exploratórias”.

Após as eleições de 2020, autoridades indicadas por Trump para a Diretoria de Inteligência Nacional (DNI) anunciaram publicamente que a China chegou a considerar influenciar o resultado da eleição, mas desistiu da ideia para evitar prejudicar as relações entre os dois países.

Em nota, Liu Chang, porta-voz da Embaixada da China, afirmou:

“A China sempre aderiu ao princípio da não interferência nos assuntos internos de outros países. A eleição dos Estados Unidos é um assunto interno dos EUA. Seu resultado é determinado pelos votos do povo americano. A China nunca interferiu e nunca interferirá nas eleições presidenciais dos Estados Unidos.”

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