Milhares de portugueses protestam contra medidas de austeridade do governo
Internacional|Do R7
Lisboa, 2 mar (EFE).- Centenas de milhares de manifestantes cantaram neste sábado o hino da Revolução dos Cravos, "Grândola, Vila Morena", e pediram a renúncia do governo conservador de Portugal em um grande protesto contra a política de austeridade adotada no país. A Praça do Comércio, a maior de Lisboa, ficou repleta de pessoas, muitas com cartazes contra os cortes e os problemas sociais do país. Os presentes cantaram vários lemas da Revolução de 1974, em um dos maiores protestos contra o Executivo de Pedro Passos Coelho desde que o político chegou ao poder, há vinte meses. Manifestações parecidas, embora menores, ocorreram em dezenas de cidades lusas, em uma jornada de protesto organizada pelo movimento "Que se lixe a troika", criado para rejeitar os ajustes econômicos exigidos pela Comissão Europeia (CE), Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) em troca do resgate financeiro do país. A manifestação aconteceu no mesmo momento em que uma missão da troika está em Portugal para realizar uma de suas inspeções trimestrais para verificar se o país está cumprindo com os duros ajustes orçamentários vinculados ao resgate concedido em 2011. O hino da Revolução de 1974, que acabou com quatro décadas de ditadura, foi o momento auge da manifestação, que foi formada por várias passeatas organizadas por sindicatos e coletivos para reivindicar soluções ao desemprego e a longa crise em Portugal. A imprensa considerou a manifestação de hoje uma das maiores já registradas no país, que viveu nos dois últimos anos um grande número de greves e protestos populares contra as medidas de austeridade. O governo não divulgou o número de presentes na manifestação, como ocorre normalmente, mas os organizadores disseram que o evento reuniu em Lisboa 500 mil pessoas, em um país que tem 10,5 milhões de habitantes. A praça Marquês de Pombal, no centro da capital, e a avenida Liberdade de Lisboa, locais onde começou a passeata, estavam lotados desde o início da concentração, às 16h local (13h de Brasília). Cidades como Porto (onde milhares de pessoas protestaram), Coimbra, Évora, Braga e Faro também foram palco de manifestações, assim como algumas capitais europeias, segundo a imprensa de Portugal, embora em alguns casos com poucos presentes. Em Lisboa, os participantes da marcha gritaram o "povo unido jamais será vencido" e exigiram a renúncia do governo e medidas econômicas para reduzir o desemprego, que disparou até 17,6%, e para reativar a economia, cujo PIB caiu no último trimestre em 3,9%. A manifestação contou com o apoio dos partidos de esquerda e sindicatos, cujos líderes se somaram hoje ao coro de críticas contra o Executivo. António José Seguro, secretário-geral do Partido Socialista (PS), o principal da oposição, declarou em um ato organizado por ele no interior do país que os portugueses "têm muitas razões para estar indignados, protestar e exigir uma mudança de política" diante do empobrecimento da nação. O governo deve ter a "inteligência" de reconhecer que suas medidas econômicas e financeiras falharam, acrescentou Seguro. Nos sindicatos, o secretário-geral da CGTP (Confederação Geral de Trabalhadores de Portugal), Armênio Carlos, foi muito mais duro com Passos Coelho e pediu que o governante deixe o poder para que o país possa sair da crise. "O governo sabe que está por um fio", disse Carlos, que acusou a aliança conservadora que governa Portugal de não ter "legitimidade política, moral e ética" para seguir no poder. EFE ecs-sid/dk (vídeo) (foto)











