Morto aos 84, ‘Açougueiro da Bósnia’ ordenou que centenas de presos fossem enterrados vivos
Ex-general Ratko Mladic, condenado por genocídio e crimes de guerra, cumpria prisão perpétua em unidade de detenção em Haia
Internacional|Do R7
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Ratko Mladic, ex-general sérvio-bósnio conhecido como o “Açougueiro da Bósnia”, morreu nesta quinta-feira (27), aos 84 anos, enquanto cumpria prisão perpétua em uma unidade de detenção da ONU (Organização das Nações Unidas) em Haia. Condenado por genocídio e crimes contra a humanidade, ele foi responsabilizado por algumas das piores atrocidades cometidas durante a guerra da Bósnia, incluindo o massacre de Srebrenica e o cerco de Sarajevo.
Entre os crimes descritos durante seu julgamento estão relatos de prisioneiros que foram executados e enterrados em valas comuns. Segundo a agência Reuters, alguns foram posteriormente desenterrados e transferidos para áreas montanhosas remotas para ocultar as evidências dos assassinatos.
O juiz Fouad Riad também afirmou, ao apresentar a acusação contra Mladic, casos de vítimas mutiladas e crianças assassinadas diante das mães. A descrição foi classificada pelo magistrado como uma das cenas mais brutais do conflito.
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Além disso, Mladic também era acusado de perseguição, assassinato, terrorismo, ataques ilegais contra civis e tomada de reféns. Em 2017, o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPIJ) o condenou à prisão perpétua. A decisão foi mantida em recurso em 2021.
Massacre de Srebrenica e outras atrocidades
Um dos episódios mais associados a Mladic é o massacre de Srebrenica, em julho de 1995. A cidade havia sido declarada uma “área segura” pela ONU, mas forças sérvio-bósnias sob seu comando invadiram o enclave e separaram homens e meninos de mulheres e crianças.
Mais de 7.000 muçulmanos bósnios foram assassinados em poucos dias; outras estimativas citadas pela Reuters apontam mais de 8.000 mortos. Ainda de acordo com a agência de notícias, os corpos das vítimas foram colocados em valas comuns e, posteriormente, alguns restos foram retirados e transferidos para locais mais distantes em uma tentativa de ocultar os vestígios dos assassinatos.
O tribunal concluiu que Mladić participou de uma conspiração para promover a chamada “limpeza étnica”, com a expulsão de muçulmanos bósnios, croatas e outros não sérvios de territórios da Bósnia.
Outro episódio central foi o cerco de Sarajevo, iniciado em 1992. Durante cerca de dois anos, moradores da capital bósnia ficaram submetidos a bombardeios e disparos de franco-atiradores realizados a partir das posições controladas pelas forças sérvias. Mais de 10.000 pessoas morreram durante o cerco, incluindo crianças.
Os relatos apresentados no julgamento também mencionaram outras formas de violência contra prisioneiros e civis. Houve pessoas que morreram sufocadas pelo calor depois de serem obrigadas a ingerir sal e privadas de água, além de casos de fome, estupro, execuções e mortes após prisioneiros serem expulsos de locais de detenção sob o uso de agentes químicos.
A CNN também descreveu episódios apresentados no processo, incluindo homens obrigados a saltar de uma ponte enquanto eram alvejados, detentos sufocados dentro de um caminhão e prisioneiros atingidos por tiros após serem expulsos de um prédio com gás. A emissora relatou ainda denúncias de fome, condições insalubres e estupros em campos de detenção.
Mladic permaneceu foragido por 16 anos depois de ser indiciado pelo tribunal da ONU, em 1995. Ele foi preso na Sérvia em maio de 2011 e levado para Haia. Durante o julgamento, negou responsabilidade pelos crimes e atribuiu as atrocidades a subordinados que, segundo ele, teriam executado suas próprias ordens.
Nos últimos anos, o ex-general enfrentava problemas de saúde e havia feito pedidos para obter libertação antecipada por razões humanitárias. O último pedido foi apresentado por seus advogados na semana passada, mas acabou negado.
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