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Negociação nuclear com Irã segue marcada por "otimismo prudente"

Internacional|Do R7

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Antonio Sánchez Solís. Viena, 2 jul (EFE).- Um otimismo marcado pela prudência marcou nesta quinta-feira a negociação para garantir que o Irã não desenvolva armas atômicas, em uma jornada na qual seis dos sete ministros das Relações Exteriores envolvidos estiveram em Viena para tentar avançar rumo a um acordo que esperam fechar antes de domingo. Após a acirrada rodada de contatos bilaterais de hoje e antes de partir de Viena, o ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, disse que se reincorporará à negociação no domingo e que espera que nesse dia se esteja em situação de "avançar em direção a uma solução definitiva que permita um acordo robusto". O ministro francês insistiu na tônica geral: há temas nos quais se avançou, mas ainda resta trabalho a fazer. A jornada esteve marcada por comentários que foram desde o puro otimismo até a dúvida. O mais positivo foi o responsável chinês de Relações Exteriores, Wang Yi, que afirmou que há "uma elevada possibilidade" que se alcance um acordo nos próximos dias, após 20 meses de negociações entre o Irã e seis grandes potências (Alemanha, China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia). "Confiamos que, no final, todas as partes envolvidas chegarão a um acordo equitativo, equilibrado e justo", declarou o ministro em sua chegada ao hotel vienense que serve de sede a esta decisiva rodada de negociações. No outro extremo da escala de otimismo, o ministro de Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmaier, opinou que todos têm "a séria intenção de chegar a um acordo", mas duvidou que no final haja "suficiente vontade e coragem". "Mesmo agora, que o caminho é mais curto e que os obstáculos já não são tão grandes como há cinco anos, sei que os últimos passos são os mais difíceis", acrescentou Steinmeier. As grandes potências e o Irã se deram como prazo o próximo dia 7 para chegar a um acordo que limite o programa atômico iraniano de modo que não possa desenvolver armas atômicas, mas permitindo usos civis. Em troca de reduzir seu programa nuclear, o Irã veria suspensas as sanções internacionais que há anos estrangulam sua economia. Em uma tentativa de acelerar as negociações se deslocaram hoje também a Viena, além de Fabius, os ministros das Relações Exteriores do Reino Unido, Philip Hammond, assim como a chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini. Na capital austríaca lhes esperavam seus colegas do Irã, Mohamad Javad Zarif, e dos EUA, John Kerry. "Estamos avançando, mas não chegamos ainda. Estamos avançando bastante bem", disse Mogherini, que atua como coordenadora das grandes potências na negociação com o Irã. A maioria dos ministros, com exceção de Kerry e Zarif, deixou Viena com planos de retornar nos próximos dias. Apesar de quase não haver informação oficial a respeito, nos últimos dias aumentaram os comentários sobre avanços em dois grandes assuntos por resolver: o ritmo de suspensão das sanções econômicas contra o Irã e o regime das inspeções às quais seriam submetidas as instalações nucleares e militares iranianas. Por um lado, o Irã estaria agora disposto a ceder e aceitar que as sanções que lastram sua economia sejam retiradas progressivamente, conforme se verifique que cumpre o acordo, e não de forma imediata como reivindicava. Por outro, os EUA aceitariam que o regime de inspeções às instalações nucleares iranianas não inclua automaticamente bases militares, algo no que insistiam as grandes potências e ao que Teerã se negava argumentando questões de segurança nacional. Nesse sentido, foi importante que Yukiya Amano, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), tenha viajado ontem a Teerã para se reunir com o presidente iraniano, Hassan Rohani. A AIEA tenta há dez anos esclarecer a verdadeira natureza do programa atômico iraniano e será a encarregada de verificar se o Irã cumpre qualquer acordo ao qual se chegue. Fontes iranianas assinalaram inclusive que o documento, de 80 páginas, 60 delas de anexos técnicos, já está redigido, embora com partes que ainda precisam ser completadas. EFE as/rsd (foto) (áudio)

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