‘Ninguém quer fazer o serviço sujo’, diz especialista sobre zona humanitária em Gaza
Conselho de Paz avalia criar zona humanitária em Rafah para centralizar a triagem de civis e acelerar a distribuição de suprimentos; para analista, presença do Hamas dificulta processo
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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O Conselho de Paz, criado por Donald Trump, estuda criar uma zona humanitária na região de Rafah, na Faixa de Gaza. A zona poderia servir como um ponto de partida para a entrada em funcionamento do NCAG (Comitê Nacional para a Administração de Gaza), e seria protegida pela força internacional de estabilização.
O NCAG ficaria responsável pela triagem de civis desarmados que desejam se instalar no local, que são os únicos autorizados a entrar na zona. Rafah, situada na fronteira com o Egito, na extremidade sul da Faixa de Gaza, foi praticamente destruída e continua em grande medida sob controle israelense.
Para Ricardo Cabral, especialista em segurança e estratégia internacional, a proposta surge como uma tentativa de agilizar a entrada e a distribuição de ajuda humanitária na região. Segundo ele, o principal obstáculo é a presença do Hamas nos acessos a Rafah, o que leva Israel a manter um rígido controle sobre a passagem de pessoas e mercadorias. Para o especialista, a medida busca garantir que os suprimentos cheguem à população civil com maior rapidez.
O especialista afirma que a crise humanitária em Gaza se agravou pela disputa em torno da distribuição dos recursos. Segundo ele, “a situação dos palestinos é crítica lá dentro”, já que parte dos suprimentos seria desviada antes de chegar à população. Cabral também defende uma atuação mais efetiva dos atores internacionais para enfrentar o problema.
“É uma situação crítica. Israel, por sua vez, não facilita, porque ele sabe que, se deixar na mão dos palestinos, o Hamas toma conta de tudo [...]. Ninguém quer meter a mão. A verdade é essa. Ninguém quer sujar as mãos lá na Faixa de Gaza, ninguém quer fazer o serviço sujo”, comenta.
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