No país alauita, rebeldes sírios se preparam para uma guerra de desgaste
Internacional|Do R7
Na região de Latakia, em pleno país alauita, corrente do Islã à qual pertence o presidente sírio Bashar al-Assad, os rebeldes se dizem prontos para uma guerra de desgaste, já que não podem contar com o armamento adequado para enfrentar as tropas do regime.
Em um acampamento do Exército Sírio Livre (ESL), ao qual a AFP teve acesso, um grupo de combatentes de várias origens -ex-comerciantes, agricultores, soldados que desertaram- entre eles um jovem de apenas 16 anos, treinam nesta região litorânea entre as montanhas e florestas.
Com armas nas mãos, os rebeldes saltam os troncos de árvores que servem de obstáculos, contornam as pedras e se atiram no chão em posição de tiro.
Apesar da grande determinação, os rebeldes da brigada Ezz Abdal-Salam reconhecem a dificuldade frente às forças do regime, com armamentos melhores e que controlam o espaço aéreo, incluindo das áreas "libertadas".
"Precisamos de mísseis antitanques e antiaéreos, de equipamento para comunicação e de satélites para observar os movimentos das tropas do regime", ressalta o comandante da brigada, Abu Basir, enquanto seus homens treinam tiro.
"Se tivéssemos tudo isso, a guerra já teria terminado", acrescenta o rebelde, que era diretor de uma fábrica de processamento de alimentos até março de 2011, quando teve início a mobilização popular contra o presidente Assad. Após três meses de repressão pelo regime, os militantes pegaram em armas iniciando o conflito armado.
A região de Latakia é um reduto alauita, um ramo do Islã xiita ao qual pertence Assad, em um país em que a maioria da população, incluindo os rebeldes, é sunita.
A batalha contra os soldados leais ao regime é travada cidade por cidade, colina por colina. As tropas de Assad defendem a costa mediterrânea, considerada o possível refúgio para a família do presidente, em caso de queda de Damasco, segundo especialistas.
"Se atacarmos de frente, a artilharia de Assad nos transformará em bucha de canhão", afirma um rebelde, Abu Tarek.
"Nossa estratégia consiste em atacar furtivamente em várias frentes, cercá-los, cansá-los. Em outras palavras, a liberdade não chegará amanhã, mas, se Deus quiser, chegará depois de amanhã", conclui.
Nos últimos meses, os rebeldes têm grandes dificuldades de empurrar as forças do regime de suas posições estratégicas, principalmente nas montanhas.
O ESL perdeu vários combatentes em uma batalha no final de abril pelo controle de Nabi Yunes, o ponto mais alto da região de Latakia que oferece grande vantagem nos combates.
O Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IIEE) considerou em março que a relação de forças na Síria se inclinará finalmente em favor dos rebeldes, "dado o crescimento de sua capacidade e o apoio externo", mas advertiu que a guerra civil prolongada neste país pode desestabilizar a região.
Um dos desafios crescentes para os rebeldes tem sido a presença de combatentes infiltrados, que lançam sinalizadores durante a noite dos territórios controlados pelos rebeldes para, talvez, apontar para os alvos de bombardeio.
Frente ao poderio da aviação do regime, os rebeldes em várias ocasiões pediram ao exterior a delimitação de uma zona de exclusão aérea na Síria.
Enquanto a tarde cai no acampamento de treinamento rebeldes, os disparos que ecoam pelas montanhas vão cessando.
O chefe militar Jamil Lala sobe em seu veículo e ordena que as janelas sejam abertas para que, em caso de ataque, elas não se estilhacem ferindo seus rostos.
O veículo patrulha a montanha, passa pelos vilarejos, entre carros queimados e casas abandonadas crivadas de tiros.
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