Nova fase de julgamento do massacre do Carandiru começa com escolha de júri
Internacional|Do R7
São Paulo, 29 jul (EFE).- A segunda fase do julgamento pela morte de 111 detentos na prisão do Carandiru em 1992, o maior massacre do sistema penintenciário brasileiro, começou nesta segunda-feira com a escolha de um júri integrado por sete homens que avaliarão a culpa ou inocência de 26 dos 79 policiais acusados. Os sete jurados foram escolhidos por sorteio e submetidos imediatamente a exames médicos para confirmar que estão bem fisicamente e, dessa forma, evitar que algum problema de saúde possa prejudicar o desenvolvimento do julgamento, informaram fontes judiciais. Do total de pessoas convocadas como possíveis jurados, entre as quais figuravam várias mulheres, duas foram rechaçados pela Promotoria e outras duas pela defesa, além de outras duas que não foram recomendadas pelos médicos, segundo o juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, responsável pelo processo. O magistrado informou que o julgamento será realizado nesta semana em jornadas que começarão diariamente às 10h (horário de Brasília) sem previsão para terminar. Um vez escolhidos, os jurados receberam parte da documentação pertinente ao julgamento e terão prazo para lê-la até a tarde desta segunda-feira, quando começarão a escutar as testemunhas de acusação. Segundo a programação inicial, as testemunhas de defesa serão escutadas na terça-feira e os acusados serão interrogados a partir de quarta-feira. A primeira das quatro fases do julgamento terminou em 21 de abril com a condenação de 156 anos de prisão a cada um dos 23 policiais acusados pela morte de 13 presos que estavam em suas celas e nos corredores do pavilhão 9, onde foi registrado um motim que desencadeou a sangrenta repressão policial. Os 26 policiais julgados na segunda fase são acusados pela mortre de 73 presos que estavam no segundo andar desse mesmo pavilhão. A Promotoria acusou inicialmente 30 policiais pelas mortes no segundo andar, mas três morreram e um será julgado separadamente porque seus advogados alegaram que sofre de problemas mentais. Dos 26 restantes, nove permanecem na polícia. Caso sejam considerados culpados, cada um pode ser condenado a penas de até 876 anos de prisão, embora a legislação penal brasileira prevê que uma pessoa só pode permanecer presa no máximo de 30 anos. O comandante do operacional contra o motim na prisão, coronel Ubiratan Guimarães, que morreu em circunstâncias estranhas em 2006 dentro de seu apartamento, foi condenado inicialmente em 2011 a 632 anos de prisão, mas nunca chegou a cumprir pena e foi absolvido depois em uma apelação. A operação policial de 2 de outubro de 1992, na qual participaram 330 policiais, tinha como objetivo sufocar uma revolta no pavilhão 9, onde havia cerca de 2.700 internos, alguns deles detidos sem condenação e à espera de um julgamento. A prisão, então a maior de São Paulo, era considerada por organizações humanitárias como o melhor exemplo das deficiências do sistema penitenciário do Brasil por seu alto grau de aglomeração. O complexo penitenciário foi desativado e transformado em um parque. O chamado "Massacre do Carandiru" foi levado ao cinema através do filme "Carandiru", do diretor argentino Héctor Babenco, e à literatura, com livros como "Estação Carandiru", do médico e apresentador de televisão Drauzio Varela, que na época trabalhava no presídio. EFE cm/ff












