Nova zona de identificação fronteiriça faz tensão entre Japão e China aumentar
Autoridades japonesas buscam não deteriorar as relações comerciais entre as duas potências
Internacional|Do R7

A tensão entre China e Japão disparou neste sábado (23) depois de Pequim revelar a criação de uma "zona de identificação de defesa aérea", que inclui as ilhas Senkaku/Diaoyu, administradas por Tóquio mas reivindicadas por Pequim.
Quase de forma imediata, o Japão respondeu com um "enérgico" protesto que subiu a temperatura de um longo conflito que começou a se agravar nos últimos meses, com diversos incidentes entre os dois países.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Japão disse à agência oficial Kyodo, o protesto foi feito pelo diretor-geral da seção da Ásia e Oceania da Chancelaria, Junichi Ihara, durante uma visita a embaixada chinesa na capital japonesa.
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O porta-voz acrescentou que o vice-chanceler japonês, Akitaka Saiki, planeja convocar o embaixador chinês no Japão, Cheng Yonghua, a partir da segunda-feira e detalhar ainda mais a posição de Tóquio.
O Ministério da Defesa e as Forças de Autodefesa japoneses reforçarão a vigilância sobre as atividades militares no Mar da China Oriental, objeto de outras disputas territoriais. O anúncio chinês constitui uma contundente réplica à compra em setembro de 2012 pelo governo japonês de três das disputadas ilhas de um investidor japonês.
Embora a operação comercial tenha sido executada pelo Executivo do PD (Partido Democrático) anterior, a chegada ao poder em dezembro do ano passado do conservador Shinzo Abe, do PLD (Partido Liberal -Democrata), contribuiu para que os laços políticos bilaterais se mantivessem tensos.
Abe buscou não deteriorar as relações comerciais entre as potências (a China é o primeiro parceiro comercial do Japão e ambas intercambiaram mercadorias no valor de mais US$ 146 trilhões ano passado).
Mas mesmo assim não deixou de ressaltar, sempre que pôde, a preocupação de seu país pela pujança militar de Pequim na região. Diante desta inquietação, o gabinete japonês aumentou o orçamento da Defesa pela primeira vez em 11 anos — agora cifrado em 4,75 trilhões de ienes (quase US$ 47 milhões) — e desviado uma grande parte dos recursos para o reforço da vigilância em torno de Diaoyu/Senkaku.
Esta piora das relações bilaterais parece ter contagiado a rua, reflete uma pesquisa publicada neste sábado pelo próprio gabinete japonês. Segundo ela, 80,7% dos japoneses "não se mostram amistosos" para a China, o que representa o número mais alto desde que Tóquio começou a realizar mensalmente esta amostragem em 1978.
A atitude da China também parece mais tendente ao conflito do que à distensão. Pouco após anunciar a medida, o porta-voz do Ministério da Defesa, Yang Yujun, disse que a criação da "zona de identificação de defesa aérea" tem como propósito "salvaguardar a nação contra potenciais ameaças aéreas".
Yujun evitou se referir explicitamente ao Japão e a disputa pelas ilhas, e insistiu em defender a "base legal de acordo com a legislação internacional" de uma zona cuja margem oriental está a 130 quilômetros a oeste do Japão. E detalhou que o espaço permitirá à China "identificar, monitorar, controlar e se desfazer de aeronaves que o invadam. Contempla uma margem de tempo para uma adiantada advertência", acrescentou.
O texto do anúncio, divulgado pelo Ministério de Defesa da China, explica que as aeronaves deverão informar à China seu plano de voo, declarar a nacionalidade e manter comunicação de rádio com os oficiais chineses. A criação da zona de segurança aérea aconteceu apenas duas semanas depois da decisão chinesa de criar uma Comissão Nacional de Segurança.
Aprovada durante o terceiro Plenário do Partido Comunista (que aconteceu entre os dias 9 e 12 de novembro), a Comissão estará sob o comando do presidente, Xi Jinping, e coordenará os serviços de Inteligência e as Forças Armadas.
Xi enfatizou que um dos principais objetivos da Comissão será "salvaguardar a soberania" do território chinês, o que, somado à criação da zona aérea, eleva as possibilidades de um eventual conflito entre China e Japão pelo arquipélago. Apesar de desabitado o arquipélago de Senkaku/Diaoyu é considerado valioso e estratégico para os dois países por haver a possibilidade de abrigar grandes reservas de petróleo.
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