Nove mil crianças foram recrutadas no Sudão do Sul
Comissária da ONU alertou para a gravidade da situação na região
Internacional|Ansa
Mais de 9 mil crianças foram recrutadas para lutar nas duas frentes que se enfrentam desde meados de dezembro no Sudão do Sul, denunciou nesta quarta-feira (30), a alta comissária da ONU (Organização das Nações Unidas) para os Direitos Humanos, Navi Pillay. De acordo com ela, essas ações constituem crimes de guerra.
Ainda segundo dados divulgados pela funcionária da ONU, 32 escolas estão nas mãos das tropas de ambos os lados e os líderes dos grupos não se preocupam em alimentar as crianças.
Pillay, que se reuniu com o presidente Salva Kiir e seu ex-vice-presidente Riek Machar, disse estar "horrorizada" com essa indiferença.
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"A perspectiva de infligir a fome e a desnutrição em grande escala para centenas de milhares de seus compatriotas (...) não parece tocá-los de uma forma particular", observou.
Pillay ainda afirmou que, além dos maus tratos às crianças, muitas mulheres e meninas foram estupradas. Enquanto isso, o conselheiro especial da ONU para a Prevenção do Genocídio, Adama Dieng, declarou que a organização não vai permitir uma repetição no Sudão do Sul de um episódio como o genocídio ocorrido em Ruanda, em 1994 — quando cerca de 800 mil pessoas foram mortas.
A "incitação ao ódio" e os assassinatos motivados por razões "étnicas" no Sudão do Sul aumentam os temores de que "este conflito leve a uma grave escalada da violência fora de controle", disse ele.










