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Novos confrontos entre EUA e Irã revelaram a fragilidade da trégua; e por que ela pode funcionar

Ataques iranianos e represálias dos EUA ameaçam escalar o conflito e impactar a economia global

Internacional|Stephen Collinson, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Um acordo entre EUA e Irã para estabilizar uma trégua foi alcançado após confrontos no estreito de Ormuz.
  • O Irã busca controlar o tráfego marítimo crítico para a economia global, desafiando a influência dos EUA na região.
  • Os ataques e represálias entre os dois países ameaçaram uma escalada militar, mas também incentivaram negociações diplomáticas.
  • O futuro do acordo e a paz na região dependem de negociações complexas sobre o programa nuclear do Irã e controle do estreito.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A continuidade da diplomacia é incerta, com desafios no programa nuclear e tensões Ken Cedeno/Reuters - 26.06.2026

Um aparente acordo entre os EUA e o Irã para pausar uma nova explosão de violência estabilizou uma trégua, que é o primeiro passo para encerrar permanentemente a guerra, e ressaltou que cada lado tem um interesse nacional vital em fazê-lo.

O acordo ocorre após dias de confrontos ao redor do estreito de Ormuz e do golfo Pérsico, que foram melhor compreendidos como os adversários lutando para definir seu vago MOU (Memorando de Entendimento) e para moldar as conversas iminentes sobre questões críticas — incluindo o programa nuclear de Teerã.


Uma autoridade do governo Trump disse que os dois lados concordaram em se reunir no Catar na terça-feira (30). O presidente Donald Trump ampliou a mensagem nas redes sociais na segunda-feira (29) de manhã.

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Mas uma alta autoridade iraniana disse que nenhuma conversa do grupo de trabalho técnico estava planejada para esta semana. Não pela primeira vez, Washington parecia mais entusiasmada em promover publicamente o progresso na diplomacia do que Teerã.


Quatro dias de ataques iranianos a navios mercantes, represálias dos EUA e ataques subsequentes de Teerã a bases dos EUA e aliados do golfo arriscaram uma escalada para combates mais amplos e colocaram em risco o alívio econômico global à medida que o petróleo começa a se mover pelo estreito.

Eles também parecem ter violado os termos do memorando de entendimento que ambos os lados assinaram.


O Irã buscava defender sua nova fonte de influência — a capacidade de gerenciar o tráfego por uma rota marítima crítica para a economia global.

Seus ataques com mísseis contra os estados do golfo e ativos dos EUA sugeriram uma tentativa de estabelecer um novo paradigma estratégico regional pós-guerra.


Teerã também parecia estar pressionando politicamente o presidente Donald Trump e testando até onde sua paciência vai durar, enquanto ele busca preservar o que caracterizou como um acordo triunfante para encerrar a guerra.

Washington não podia permitir que o Irã controlasse a navegação pelo estreito. Fazer isso sugeriria que foi derrotada em uma guerra que ela mesma começou.

A República Islâmica adquiriria a capacidade de manter a economia global como refém e de exercer pressão política sobre os EUA no momento em que escolhesse. No processo, o poder dos EUA na região, expresso por sua capacidade de proteger aliados, enfraqueceria.

A beligerância do Irã seguiu-se a uma viagem ao golfo do Secretário de Estado Marco Rubio na semana passada, que viu os EUA e seus aliados apoiarem a navegação livre, incondicional e irrestrita no estreito, sem pedágios, taxas ou “tentativas de exercer controle” por parte dos iranianos.

Isso foi visto como uma tentativa de resolver ambiguidades no acordo — que, embora afirmasse que o Irã deve restaurar a passagem livre e restaurar o tráfego marítimo, parecia deixar aberta a possibilidade de monetização da navegação no futuro.

Mas o ciclo de provocações iranianas e represálias dos EUA era um jogo perigoso.

Ameaçava adquirir seu próprio impulso com o prestígio do instável presidente dos EUA em jogo em uma semana na qual ele tenta parecer todo-poderoso e se tornar o foco das celebrações do 250º aniversário da Declaração de Independência.

Trump ameaçou no domingo (28) que, se o Irã continuasse “violando” o cessar-fogo, ele “deixará de existir”.

Embora seus apoiadores possam concluir que seu alerta teve sucesso em forçar Teerã a recuar, os iranianos aprenderam a não levar sua retórica mais belicosa a sério durante a guerra.

E o presidente concordou com o que muitos críticos viram como uma capitulação ao Irã, depois de argumentar que não queria causar uma grande desaceleração econômica ao continuar o conflito.

Mas Trump é frequentemente definido por sua inconsistência. No futuro, pode ser perigoso para Teerã presumir que ele sempre agirá de maneiras previsíveis ou que se esquivará de uma grande escalada.

Ainda assim, por trás dos últimos episódios de tensão, sempre houve uma lógica estratégica que desaconselhava um retorno à guerra total. O Irã está obtendo benefícios enormes do memorando.

Os EUA agiram para suspender algumas sanções pendentes de um acordo final. E Teerã começou a enviar milhões de barris de seu próprio petróleo novamente, enquanto busca reviver uma economia debilitada.

Enquanto isso, um aumento em todo o tráfego marítimo pelo estreito ajudou a aliviar os preços globais do petróleo e trouxe a promessa de gasolina mais barata — uma consideração importante, já que uma crise de acessibilidade ajuda a derrubar os índices de aprovação de Trump antes das eleições de meio de mandato.

Os preços médios da gasolina nos EUA caíram para US$ 3,87 (cerca de R$ 20, na cotação atual) por galão (3,78 litros) no domingo, de acordo com a AAA (Associação Americana de Automóveis).

Isso ainda é 30% maior do que antes da guerra, mas bem abaixo do pico de US$ 4,56 (cerca de R$ 23, na cotação atual) por galão (3,78 litros) no final de maio.

Ao contrário de alguns de seus predecessores modernos, Trump evitou a tentação de dobrar a aposta e escalar uma guerra que parecia caminhar para uma conclusão inconclusiva que prejudicaria sua reputação.

Mas as diferenças marcantes entre os EUA e o Irã sobre o estreito levantam novas questões sobre sua abordagem. Antes da guerra que Trump iniciou, a via marítima estava aberta.

E os confrontos sobre seu status sugerem que as conversas futuras sobre questões mais complexas, como o programa nuclear do Irã, serão ainda mais difíceis.

Washington alerta que não permitirá que o Irã obtenha vitórias estratégicas

Uma autoridade dos EUA disse no domingo que todos os drones e mísseis iranianos que visavam ativos dos EUA nos vizinhos Kuwait e Bahrein foram derrubados ou não conseguiram atingir seus alvos, informou Zachary Cohen, da CNN Internacional.

Os EUA já haviam atacado alvos que incluíam locais de armazenamento de drones e mísseis iranianos ao redor do estreito de Ormuz.

As trocas de disparos foram desencadeadas por um ataque iraniano a um navio de contêineres de bandeira de Singapura perto da área na quinta-feira (25).

O embaixador dos EUA na ONU (Organização das Nações Unidas), Mike Waltz, alertou no domingo que a agressão iraniana seria respondida à altura por Trump.

“Se o regime iraniano pensa por um segundo que o presidente Trump vai ficar sentado, parado, enquanto o Irã continua a atacar a navegação internacional sem uma resposta, ou nossas bases sem uma resposta, eles estão tristemente enganados”, disse Waltz no “Fox News Sunday”.

As tensões crescentes no Oriente Médio sugerem que o triunfalismo de Trump ao saudar o MOU — uma estrutura de 14 pontos para conter os combates e chegar a um acordo final sobre todas as questões dentro de 60 dias — foi prematuro.

O conflito e suas consequências levantaram questões sobre a compreensão do governo a respeito das forças políticas e históricas que impulsionam o governo revolucionário do Irã e suas táticas habituais de linha dura nas negociações.

Os cessar-fogos no Oriente Médio frequentemente não interrompem todas as trocas militares, mesmo que estabeleçam um teto que possa impedir o retorno à guerra total.

E as guerras na região muitas vezes acabam encorajando novas gerações de radicais — como aqueles no Irã, que podem estar orquestrando os esforços para consolidar sua nova influência sobre o estreito de Ormuz.

O ex-conselheiro de segurança nacional do governo Biden, Jake Sullivan, previu que os eventos recentes eram o prelúdio para um período tenso à medida que as negociações ocorrem.

A equipe de Trump dificilmente aceitará seu conselho. Mas, durante o governo Obama, Sullivan desempenhou um papel fundamental nos estágios iniciais das negociações do acordo internacional que limitou o programa nuclear do Irã, que Trump rasgou em seu primeiro mandato.

“Os iranianos estão se posicionando para exercer o controle sobre o estreito, para lembrar ao mundo que controlam aquela via marítima, e depois recuando quando o governo Trump objeta com vigor suficiente, porque os iranianos querem continuar recebendo os lucros inesperados que obtiveram com este MOU”, disse Sullivan a Fareed Zakaria, da CNN Internacional, no domingo, prevendo com precisão os eventos daquela noite.

“Quando se trata do dossiê nuclear, acho que eles vão liberar concessões muito pequenas, pouco a pouco, depois recuar, depois avançar, depois recuar novamente para manter os Estados Unidos na mesa”, disse Sullivan, lançando dúvidas sobre as chances de um progresso sólido dentro de 60 dias.

O desfecho da guerra está indefinido

Os novos confrontos no Oriente Médio provavelmente reacenderão o rancor partidário em Washington em relação ao acordo.

O senador republicano Roger Marshall, do Kansas, minimizou as recentes trocas de agressões entre os EUA e o Irã. “A grande guerra acabou, e pense nisso quase como uma operação de limpeza”, disse Marshall sobre um conflito que é profundamente impopular nos EUA.

Ele insistiu no “Meet the Press” da NBC que Washington estava fazendo um “grande progresso” com diplomacia.

Os democratas classificaram o MOU do governo Trump como uma derrota humilhante para os Estados Unidos, que fica muito aquém de suas alegações de ter resolvido o conflito.

E isso também pode inflamar um debate acalorado no Congresso sobre os poderes de guerra de Trump e a justificativa jurídica para o lançamento da guerra por parte dele, o que também tem preocupado alguns republicanos.

O que acontecer a seguir no Oriente Médio terá sérias implicações políticas e estratégicas.

A questão fundamental é se os confrontos pelo estreito continuarão sob controle ou se explodirão e destruirão todo o acordo e o processo diplomático, mergulhando a região de volta em uma guerra total.

Isso testaria a clara preferência de Trump de não prolongar um conflito que provou ser um enorme fardo político. Mas os desafios contínuos do Irã testariam a tolerância de um presidente cuja persona gira em torno de sua ostensiva demonstração de poder e força globalmente.

Em última análise, o retorno à diplomacia pode validar as previsões de Sullivan de um processo doloroso e prolongado. Mesmo que uma paz frágil seja restaurada, é improvável que haja uma saída fácil da guerra para Trump.

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