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O lado comercial do wi-fi em aviões

Apesar da rápida expansão do Wi-Fi em aviões, ninguém encontrou uma maneira de cobrir os custos com a receita gerada pelos poucos que estão dispostos a pagar pelo serviço

Internacional|Do R7

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Eu duraria talvez um turno como comissário de bordo. No final do voo inicial, eu estaria tão visivelmente infeliz com as exigências do trabalho que eles me demitiriam – isso se eu não fosse mais rápido que eles e desse uma de Slater.

Você se lembra de Steven Slater, o comissário de bordo da JetBlue Airways que pegou o intercomunicador do avião após seu voo ter pousado em Nova York e declarou: "É isso. Pra mim chega"? Em seguida ele pegou duas cervejas da cozinha, ativou a rampa de emergência e deslizou para a infâmia. Desde então, muitas comissárias me disseram já ter pensado em dar uma de Slater.


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Recentemente, num avião lotado se aproximando de Dallas, vi uma aeromoça coletar lixo numa sacola com uma mão enquanto usava os dedos para segurar cinco latas vazias de refrigerante para reciclagem, e ao mesmo tempo checava se os encostos das poltronas estavam em posição para aterrissagem. Perguntei-me se as companhias aéreas conseguiriam a proeza de dar mais tarefas aos membros da tripulação.

Mas certamente! Você deve ter lido notícias recentes sobre propostas para dedicar uma maior capacidade de ondas aéreas e oferecer conexões Wi-Fi mais rápidas em voos comerciais. Você pode ter deduzido que essas iniciativas, nos Estados Unidos e outros países, buscam principalmente permitir que os passageiros usem a internet com maior eficiência.


Mas o fato é que, apesar da rápida expansão do Wi-Fi em aviões, ninguém encontrou uma maneira lucrativa de cobrir os custos de instalação com a receita gerada pelos poucos passageiros que estão dispostos a pagar pelo serviço de internet a 10 mil metros.

Os grandes avanços na internet em aviões estão sendo impulsionados muito mais pelas oportunidades que o serviço de banda larga apresenta às próprias companhias para vender mais coisas aos clientes, seja o produto entretenimento a bordo, comida e bebida, serviços personalizados a passageiros de elite ou produtos no local de destino – incluindo pacotes em hotéis, ingressos para shows e eventos esportivos, reservas em restaurantes e teatros. Num avião, você possui um mercado cativo – e, com uma tecnologia sofisticada, é possível vender aos passageiros de maneiras bastante pessoais.


E, naturalmente, espera-se que os comissários de bordo se tornem ainda mais aptos no uso de tecnologias em voo. A questão é se eles irão abraçar o momento.

"Em nossas pesquisas, fosse o mercado os EUA, Europa ou Ásia, descobrimos consistentemente que os comissários de bordo costumam ser o grupo menos automatizado da força de trabalho aérea", declarou Andrew Kemmetmueller, presidente da Allegiant Systems, desenvolvedora de tecnologia que foca em operações de companhias aéreas.

A Allegiant Systems, localizada em Las Vegas, anunciou recentemente o FlyDesk, um produto que traz um aplicativo para iPad para processar as vendas de comidas e bebidas em voos. A empresa espera que a tecnologia do FlyDesk evolua a muitos outros usos nas mãos dos comissários de bordo, disse Kemmetmueller.

Além das vendas de produtos diretos, as oportunidades para serviços ao cliente se ampliam quando os comissários têm em mãos não só latas para reciclagem, mas tablets conectados via Wi-Fi de alta velocidade a dados do voo e dos clientes em tempo real.

"A compra nos voos é apenas um aspecto. Eu moro em Toulouse", afirmou ele, referindo-se à cidade na França, "mas tenho uma base de operações em Las Vegas, o que me coloca constantemente em aviões". Conforme as companhias comercializam mais voos em parceria com outras empresas da mesma aliança global, um único voo de longa distância para Las Vegas pode incluir um voo doméstico europeu de Toulouse a Frankfurt, na Alemanha, um voo transatlântico da Lufthansa a São Francisco e uma conexão doméstica nos EUA até Las Vegas.

Kemmetmueller repete uma reclamação comum entre passageiros internacionais, de que companhias aéreas parceiras numa aliança global, como a Star Alliance, não são especialmente capazes de compartilhar informações detalhadas sobre passageiros individuais e seu status. A United Airlines, por exemplo, pode possuir informações sobre status e requisitos de serviço de certo passageiro de elite, mas uma tecnologia em tablets nas mãos da tripulação tornaria esses dados disponíveis para cada trecho de uma viagem da aliança.

Com grandes melhorias no Wi-Fi, estamos apenas começando a ver algumas das ramificações para passageiros e companhias aéreas – que dependem fortemente da receita levantada vendendo produtos além da tarifa básica.

Mas e quanto ao sobrecarregado comissário de bordo, marchando penosamente pelo corredor com um saco de lixo estufado?

Em minha experiência, os comissários de bordo reclamam de tudo – ainda mais do que os reclamões mundialmente famosos, os pilotos. Mas Kemmetmueller insiste que colocar tecnologia sofisticada nas mãos da tripulação, e estimulá-los a adaptar essa tecnologia da forma que acharem apropriada, venceu as maiores resistências à realização de mais tarefas – pois as tarefas ficaram mais fáceis. "Acho que um iPad supera tudo", argumentou ele.

Agora precisamos de um aplicativo para resolver as latas de refrigerante vazias.

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