O que a atual epidemia de ebola tem de diferente das outras; entenda em 7 pontos
Agência de Saúde da União Africana alerta que 10 países, além da República Democrática do Congo, podem ser afetados pelo vírus
Internacional|Do R7
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Dez países africanos, além da República Democrática do Congo (RDC), correm o risco de serem afetados pelo vírus ebola, alertou a Agência de Saúde da União Africana (África CDC).
As nações consideradas mais vulneráveis são Angola, Sudão do Sul, Ruanda, Quênia, Tanzânia, Etiópia, República do Congo, Burundi, República Centro-Africana e Zâmbia.
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Na República Democrática do Congo, onde a população estimada é de 100 milhões de pessoas e que tem a província de Ituri como epicentro do surto, já foram confirmados ao menos 82 casos e 7 mortes, além de 750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde).
Segundo Jean Kaseya, presidente da África CDC, este é o 17º surto de ebola registrado no país e já pode ser considerado o segundo maior da história da doença no mundo.
O ebola, por sua vez, provoca uma febre hemorrágica altamente letal. O vírus tem transmissão menos eficiente do que doenças como a covid-19 e o sarampo.
O maior surto já registrado pela doença ocorreu entre 2014 e 2016, na África Ocidental, ainda de acordo com a OMS. Ao longo da epidemia, ao menos 28.616 casos foram confirmados e pelo menos 11.325 pessoas morreram, o que representou uma taxa de letalidade próxima de 40%.
Entenda em 7 pontos a atual epidemia
1 - Variante Bundibugyo
O atual surto é provocado pela variante Bundibugyo, considerada mais rara e menos conhecida do que cepas associadas a epidemias anteriores, como a Zaire. Esse cenário dificulta a resposta das autoridades de saúde e contribui para o rápido avanço no número de casos e mortes.
O nome Bundibugyo faz referência a um distrito de Uganda, onde foi identificada em 2007. Desde então, a cepa esteve relacionada a dois surtos, registrados em 2007 e 2012.
2 - Ausência de tratamento
Até o momento, não há tratamento aprovado para a doença causada pelo vírus ebola da variante Bundibugyo.
Sem um protocolo específico, o atendimento aos pacientes é focado principalmente no controle dos sintomas, como febre, dor de cabeça, vômitos e diarreia, além de cuidados intensivos de suporte para aumentar as chances de sobrevivência.
Entre as medidas adotadas estão a reposição de fluidos, o suporte de oxigênio e o monitoramento rigoroso das funções sanguíneas e cardíacas.
3- Dificuldade no diagnóstico
Outro desafio no combate ao surto é a dificuldade para diagnosticar rapidamente os infectados. Os testes de PCR, usados para detectar o material genético do vírus, dependem de cartuchos específicos para cada variante.
No caso do vírus Bundibugyo, esses insumos ainda são escassos, o que atrasa a confirmação dos casos e compromete medidas essenciais, como o rastreamento de contatos e o isolamento dos pacientes.
4 - Falta de medicamentos eficazes
Ao contrário da cepa Zaire, não há medicamentos específicos para o tratamento contra o Bundibugyo.
5 - Sem vacina comprovada
Além da ausência de tratamentos direcionados, também não existem vacinas aprovadas para a cepa responsável pelo atual aumento de casos.
A OMS avalia se imunizantes e medicamentos usados contra outras variantes do ebola podem oferecer algum nível de proteção. A cepa Zaire, responsável pelo surto que atingiu o oeste da África entre 2014 e 2016, por exemplo, já conta com vacina aprovada.
6 - Surto em zona de conflito
O combate ao surto enfrenta ainda outro desafio: a doença se espalha em uma região marcada por conflitos armados na República Democrática do Congo, com cerca de 250 mil pessoas deslocadas de suas casas e intenso fluxo de pessoas através de fronteiras com países vizinhos.
Em entrevista à BBC, Trish Newport, da organização humanitária Médicos Sem Fronteiras, afirmou que o controle constante de territórios por diferentes grupos armados dificulta o acesso das equipes de emergência às áreas afetadas pelo ebola.
Ela também destacou as más condições das estradas na região. O trajeto de cerca de 90 quilômetros entre a cidade de Bunia e Mongwalu — uma das duas cidades onde a maioria dos casos foi registrada — pode levar mais de três horas para ser percorrido.
7 - Taxa de mortalidade
A letalidade do ebola pode mudar de acordo com a espécie do vírus, o contexto do surto e o acesso da população a atendimento médico.
Segundo a OMS, as taxas de mortalidade da doença já variaram entre 25% e 90% em surtos anteriores — a cepa Zaire é considerada a mais letal —, com média de cerca de 50%.
No caso da variante Bundibugyo, a taxa estimada fica entre 25% e 40% nos dois surtos anteriores, de acordo com a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras.
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