O que se sabe sobre o acordo do desarmamento do Hamas e retirada de Israel de Gaza
Plano faz parte de segunda fase da trégua, estabelecida por cessar-fogo em outubro de 2025
Internacional|Do R7
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O grupo terrorista Hamas anunciou nesta sexta-feira (31) que aceitou um acordo para avançar para a segunda fase da trégua com Israel na Faixa de Gaza. O plano prevê o desarmamento do grupo palestino e a retirada gradual das forças israelenses do território, além da criação de uma estrutura internacional para ajudar a garantir a segurança na região.
O acordo ainda não foi detalhado publicamente em sua íntegra. Os próximos passos dependerão de novas negociações entre os mediadores e da definição de como e quando cada uma das medidas será colocada em prática.
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O que se sabe sobre o acordo
A segunda fase faz parte do plano de cessar-fogo estabelecido em outubro de 2025, depois de quase dois anos de guerra entre Israel e Hamas. A primeira etapa previa a libertação de reféns israelenses mantidos em Gaza e, em contrapartida, a soltura de palestinos que estavam presos em Israel.
Agora, o principal ponto da nova etapa é o desarmamento do Hamas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu o que chamou de “desarmamento completo” do grupo e afirmou que a retirada das tropas israelenses de Gaza ocorrerá à medida que o processo for concluído.
O Hamas, por sua vez, condicionou a entrega de suas armas à retirada progressiva das forças israelenses do território palestino. O grupo terrorista também afirmou que Israel não participará diretamente do processo de inventário e armazenamento do armamento.
Segundo o movimento, as armas serão catalogadas e armazenadas pelo Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), formado por tecnocratas palestinos e criado com apoio do chamado Conselho da Paz, estrutura estabelecida por Trump para participar da implementação do plano.
Uma fonte diplomática citada pela agência de notícias AFP afirmou que o acordo prevê um processo destinado a eliminar túneis, depósitos de armas e instalações utilizadas para a produção de armamentos.
O Hamas afirmou que aceitou fazer concessões para evitar a continuidade das mortes e do deslocamento da população palestina. Ghazi Hamad, integrante da equipe de negociação do grupo, afirmou que o movimento espera que os mediadores garantam que Israel também cumpra as obrigações previstas no pacto.
“Se Israel não cumprir o acordo, nós também não o faremos”, disse Hamad.
Segurança de Gaza
O plano também prevê mudanças na estrutura de segurança e administração da Faixa de Gaza.
Depois da retirada das forças israelenses, uma Força Internacional de Estabilização (ISF) deverá ser formada com tropas de diferentes países. Segundo Trump, a força trabalhará em conjunto com uma nova polícia palestina para garantir a segurança dos moradores de Gaza e das áreas vizinhas.
O objetivo é criar uma estrutura de segurança que não fique sob o controle direto do Hamas nem das forças israelenses.
A administração do território também deverá passar gradualmente para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza. O Hamas anunciou anteriormente que havia dissolvido seu governo no território e que estava preparado para transferir o poder para uma estrutura técnica.
O Conselho da Paz afirmou que o comitê deverá iniciar uma transição gradual até assumir autoridade plena sobre Gaza.
A implementação, entretanto, ainda precisa ser detalhada. Questões como a localização dos armamentos, o calendário de retirada das tropas israelenses, a composição da força internacional e os mecanismos para verificar o cumprimento do acordo ainda serão discutidas.
Retirada das tropas israelenses
A retirada israelense é um dos principais pontos de incerteza do acordo.
O Hamas afirma que o pacto estabelece uma saída gradual das forças israelenses da Faixa de Gaza. Trump, porém, vinculou o processo ao desarmamento do grupo.
Isso significa que as duas medidas deverão ocorrer de forma coordenada: à medida que o armamento do Hamas for retirado de circulação e as estruturas militares forem desativadas, as tropas israelenses deverão deixar áreas ocupadas no território.
Nickolay Mladenov, alto representante do Conselho da Paz para Gaza, afirmou que a implementação e a fiscalização do acordo serão fundamentais. Segundo ele, a retirada israelense e o desmantelamento das estruturas militares precisam ocorrer em sintonia.
O Hamas também pretende que os mediadores acompanhem o cumprimento das etapas. O grupo considera que a garantia de que Israel respeitará o cronograma é essencial para a continuidade do acordo.
O que acontece agora
Apesar do anúncio, a segunda fase ainda não começou completamente. O Hamas informou que deverá discutir os detalhes com os países que atuam como mediadores — Egito, Estados Unidos, Catar e Turquia — e estabelecer um calendário para a execução das medidas.
Uma reunião entre os mediadores deverá ocorrer no Cairo, no Egito.
Ghazi Hamad afirmou que as negociações sobre os detalhes devem durar pelo menos duas semanas. Entre os pontos que ainda precisam ser definidos estão a forma de armazenamento das armas, o momento de cada etapa da retirada israelense e os mecanismos de fiscalização.
Por isso, apesar de o acordo representar um avanço nas negociações, sua implementação ainda depende de uma série de decisões práticas e, principalmente, do cumprimento dos compromissos assumidos pelos dois lados.
Como está Gaza durante a trégua?
O anúncio ocorre enquanto o cessar-fogo continua sendo marcado por episódios de violência.
Desde que a trégua entrou em vigor, em outubro de 2025, Israel continuou realizando ataques aéreos e de artilharia em diferentes áreas da Faixa de Gaza. O Exército israelense mantém o controle de mais de 60% do território, segundo as informações apresentadas pelas agências.
De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, pelo menos 1.214 palestinos morreram desde o início do cessar-fogo. A Organização das Nações Unidas considera os números do ministério confiáveis, embora as restrições de acesso ao território dificultem a verificação independente de todos os episódios.
Israel também registrou mortes entre seus militares durante o período. O Exército informou a morte de cinco soldados, além de um funcionário civil.
Enquanto isso, dezenas de milhares de palestinos continuam vivendo em tendas e em áreas destruídas pelos ataques realizados durante a guerra. Grande parte da infraestrutura de Gaza foi devastada, e a reconstrução do território é um dos principais desafios previstos para a próxima etapa do plano.
O Hamas acusa Israel de violar repetidamente o cessar-fogo, incluindo por meio de ataques, disparos contra civis e avanço sobre áreas delimitadas pela chamada Linha Amarela, que separa regiões sob controle militar israelense daquelas administradas pelo Hamas.
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