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Obama afirma em Ramala que os palestinos merecem o fim da ocupação

Internacional|Do R7

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Javier García. Ramala, 21 mar (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, destacou nesta quinta-feira, em sua primeira visita a Ramala desde que chegou ao cargo, que os palestinos "merecem o fim da ocupação" e considerou que os assentamentos judaicos "dificultam" a paz, embora não tenha exigido explicitamente a Israel interromper sua construção. Em entrevista coletiva conjunta com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, depois de se reunir durante cerca de três horas na residência de Muqata, Obama reconheceu que na situação atual é "muito difícil" conseguir a paz e pediu que as duas partes cedam em suas posições para retomar as negociações. "Se a única forma de iniciar negociações é ter tudo resolvido (de antemão), então nunca chegaremos aos assuntos centrais", respondeu ao ser perguntado sobre uma possível paralisação na construção dos assentamentos como a aplicada de forma parcial em 2010. O presidente americano considerou que a continuação da construção de colônias na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental por parte de Israel "não é apropriada nem construtiva" para o processo de paz. Além disso, afirmou que o plano anunciado pelo governo israelense para construir na polêmica zona E1 ao leste de Jerusalém "é um exemplo" de atitudes que tornam "cada vez mais difícil a solução de dois Estados", à qual considerou "a melhor e talvez a única solução pacífica". No entanto, não chegou a reivindicar a Israel que interrompa a construção de assentamentos, como fez em 2010, e insistiu que se cada parte se mantém nas condições que reivindica para iniciar as negociações "nunca conseguiremos". Abbas, no entanto, continuou mostrando-se taxativo nesta questão e ressaltou que o "dever do governo israelense é pelo menos cessar a construção de assentamentos" para encontrar uma via de diálogo. "As novas gerações de palestinos quando veem assentamentos por todas as partes na Cisjordânia já não confiam na solução de dois Estados", acrescentou para salientar a frustração dos palestinos, que Obama também reconheceu. O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) destacou que as colônias judaicas, além de serem ilegais, representam a principal ameaça à solução de dois Estados e que os palestinos "não pedem nada que esteja fora da legitimidade internacional". Fontes palestinas próximas à reunião de hoje em Muqata indicaram à Agência Efe que os palestinos manterão sua reivindicação de que Israel pare de construir colônias na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental para retomar as negociações de paz. Obama chegou a Ramala procedente de Jerusalém junto com o secretário de Estado americano, John Kerry, e o resto da delegação americana a bordo de dois grandes helicópteros, que aterrissaram em Muqata levantando uma grande nuvem de poeira. Abbas lhe recebeu com uma breve cerimônia na qual uma banda militar tocou os hinos dos EUA e da Palestina na presença também de vários membros do governo da Autoridade Nacional Palestina, entre eles o primeiro-ministro, Salam Fayyad. A cerimônia aconteceu na esplanada de Muqata, junto à qual se encontra o mausoléu do histórico líder palestino, Yasser Arafat. Bandeiras americanas e palestinas, fortes medidas de segurança e tapetes vermelhos serviram de cenário para uma cerimônia solene na qual não apareceram os sorrisos e brincadeiras que caracterizaram ontem sua recepção em Israel. Pouco antes que Obama chegasse a Ramala, dois foguetes disparados da Faixa de Gaza atingiram Israel sem causar danos, no primeiro ataque deste tipo desde novembro, reivindicado posteriormente por um grupo radical salafista. Cerca de 300 palestinos se concentraram em uma praça central de Ramala para expressar sua rejeição ao presidente americano a pouca distância da Muqata, onde se reunia com Abbas. Por sua parte, o primeiro-ministro de Gaza, Ismail Haniyeh, disse que não espera "nenhum resultado desta visita" nem que Obama "vá mudar a equação política no terreno". "Não acreditamos que a política americana vá pôr fim à ocupação israelense", considerou Haniyeh. EFE jg-do/rsd (foto)(vídeo)

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