Oferta de diálogo divide oposição síria; 12 mortos em atentado
Internacional|Do R7
A oferta de diálogo com o regime sírio lançada pelo chefe da oposição para encontrar uma solução para dois anos de um sangrento conflito no país provocava violentas críticas entre os opositores, inclusive antes que o próprio governo respondesse a ela.
A oferta de Ahmed Moaz al-Khatib, presidente da coalizão opositora, é apoiada não apenas pelos Estados Unidos e pela Liga Árabe, mas também pelos dois principais aliados de Damasco, Rússia e China.
No entanto, o Conselho Nacional Sírio (CNS), principal componente da Coalizão, expressou sua rejeição à proposta de Khatib de dialogar sob condições com o regime de Bashar al-Assad.
O CNS se atém aos seus princípios, ou seja, "a queda do regime sírio com todos os seus integrantes e a rejeição a qualquer diálogo" com o poder.
Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), 12 membros dos serviços de inteligência sírios morreram e outros 20 ficaram feridos nesta quarta-feira em um duplo atentado suicida com carro bomba contra dois de seus edifícios em Palmira, no centro da Síria.
Além disso, oito civis ficaram feridos por disparos registrados após as duas explosões nesta cidade conhecida por suas ruínas romanas inscritas no patrimônio da Unesco, acrescenta o OSDH, que obtém informações de uma ampla rede de ativistas e médicos no país.
A agência oficial síria Sana afirmou, por sua vez, que "dois homens detonaram seus carros carregados de explosivos no bairro residencial de Al-Khamiya al-Gharbi", em Palmira, deixando mortos e feridos. Não especificou o número de vítimas.
Os atentados suicidas se multiplicaram na Síria à medida que a revolta iniciada em meados de março de 2011 contra o regime do presidente Bashar al-Assad foi se militarizando.
A maioria deles foi reivindicado por grupos insurgentes jihadistas, entre os quais o mais conhecido é a Frente Al-Nusra, considerado por Washington uma organização terrorista e com uma influência crescente no local.
A atitude perante o Irã também divide a oposição ao regime de Assad. O CNS expressou sua indignação após os inéditos contatos entre Khatib e o ministro das Relações Exteriores iraniano, Ali Akbar Salehi, que se reuniram no domingo.
O CNS afirmou que rejeita este encontro "enquanto o Irã apoiar o regime" sírio.
Por sua vez, o governo sírio não havia reagido à oferta de diálogo de Khatib. Mas um jornal próximo ao poder classificou na terça-feira a oferta de diálogo de manobra, embora tenha reconhecido sua importância política.
Os Estados Unidos apoiaram a oferta de Khatib, mas excluindo qualquer imunidade para Assad.
À margem do âmbito das negociações, os confrontos não param na Síria, onde, segundo a ONU, mais de 60 mil pessoas morreram nos últimos dois anos, quando teve início a revolta contra o regime de Assad.
Além das mortes, das destruições e da catastrófica situação humanitária, a população mais frágil parece cada vez mais envolvida na lógica da guerra.
Um sargento desertor, que treina adolescentes na região de Aleppo para enviá-los para combater o exército sírio, relatava cruamente: "Quando chegam aqui, são crianças. Quando saem, se tornaram máquinas de matar".
Segundo o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), Antonio Guterres, mais de um milhão de sírios terão fugido dos combates até o mês de junho. "A situação humanitária na Síria é a pior crise que precisamos enfrentar atualmente", disse.
bur-ram/cnp/me/ahg/ma












