ONU denuncia aumento de sequestros de jornalistas na Síria
Internacional|Do R7
Genebra, 13 dez (EFE).- A Alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, denunciou nesta sexta-feira a escalada de sequestros e desaparições forçadas de trabalhadores humanitários, ativistas e jornalistas na Síria e, concretamente, se referiu ao rapto de dois informadores espanhóis divulgada nesta semana. "Segundo as leis internacionais, os ataques contra jornalistas estão estritamente proibidos. Seu trabalho é indispensável em épocas de conflito e deve ser protegido", ressaltou Pillay em comunicado, dias depois que os parentes dos espanhóis Javier Espinosa e Ricardo García anunciaram que estes estavam há três meses sequestrados e pedissem publicamente sua libertação. Importantes meios de comunicação advertiram que o aumento do risco de sequestro terá "um efeito dissuasório" na hora de informar sobre o que acontece dentro da Síria, assinalou Pillay. "Nos últimos meses fomos testemunhas de um alarmante aumento de sequestros de ativistas, jornalistas e figuras religiosas por parte dos grupos da oposição, assim como de detenções arbitrárias e desaparições forçadas pelas forças governamentais na Síria", afirmou a Alta comissária da ONU para os Direitos Humanos. Em 9 de dezembro, cinco homens mascarados e armados com pistolas invadiram a tiros um escritório que era compartilhado por duas ONGs humanitárias na cidade de Douma, em uma área controlada pela oposição na zona rural de Damasco. Os homens armados sequestraram uma conhecida defensora dos direitos humanos síria, Razan Zaitouneh, junto a seu marido, Wa'o Hamada, também ativista e antigo prisioneiro político, e outros dois companheiros, Nazem Hamadi e Samira Khalil. "Os defensores dos direitos humanos, ativistas e trabalhadores humanitários assumem grandes riscos todos os dias para documentar as violações de direitos que são cometidas na Síria e proporcionar assistência humanitária aos que necessitam desesperadamente, incluindo pessoas que vivem sitiadas", indicou. A Alta comissária acrescentou que o sequestro destes ativistas aconteceu poucas horas depois que de ser divulgado rapto de Javier Espinosa e Ricardo García. Pillay lembrou que as partes em conflito devem assegurar que qualquer civil, incluindo os defensores dos direitos humanos, estão protegidos de qualquer intimidação ou ato violento como resultado de sua atividade. Pillay também expressou sua preocupação pelo aparente sequestro de 12 freiras em Maaloula e pediu sua "libertação imediata e incondicional ". Além disso, Pillay precisou que a Comissão de Investigação sobre a Síria veio documentando o uso do desaparecimento forçado como "uma estratégia usada pelas forças pró-governo para reprimir a dissidência e levar o terror à sociedade". "Os parentes dos detidos, em muitos casos, não têm nenhuma informação sobre o paradeiro destes, nem sequer se estão ou não vivos", recalcou. EFE sga/ff











