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Oposição portuguesa anuncia fracasso de negociações políticas

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Por Andrei Khalip e Daniel Alvarenga

LISBOA, 19 Jul (Reuters) - Governo e oposição não chegaram a um acordo sobre as medidas necessárias para manter a assistência financeira internacional a Portugal e uma decisão sobre os próximos passos caberá agora ao presidente da República, disse nesta sexta-feira o líder da oposição socialista, António José Seguro.

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A crise, que começou como uma divisão interna na coalizão de centro-direita e ganhou contornos de um debate sobre as medidas de austeridade, ameaça atrapalhar os planos para tirar Portugal do resgate internacional e devolver o país ao mercado de títulos financeiros em meados de 2014.

Seguro disse que os dois partidos da coalizão --o Partido Social Democrata (PSD) e o CDS-PP-- rejeitaram a maioria das propostas socialistas, embora houvesse convergência em torno de alguns pontos que ele não especificou.

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Os socialistas desejam renegociar os termos de uma parcela de 78 bilhões de dólares oferecida pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional.

As medidas exigidas em troca dessa e de outras ajudas anteriores contribuíram para levar Portugal à sua pior recessão desde a década de 1970. O governo diz que abandonar esse caminho agora afetará a credibilidade portuguesa junto a credores e investidores.

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Seguro disse que houve especial divergência a respeito dos cortes orçamentários de 4,7 bilhões de euros propostos pelo governo.

"Estamos perante duas visões distintas e alternativas para o nosso país: manter a direção para que aqueles que, como (os partidos governistas) PSD e CDS, entendem que está tudo bem. Ou dar um novo rumo a Portugal para aqueles que, como nós, consideram que os portugueses não aguentam mais sacrifícios e que esta política não está a dar os resultados pretendidos", disse o líder oposicionista a jornalistas após reunião com o presidente Aníbal Cavaco Silva.

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"Muitos de vós perguntam-se: e agora? O que vai acontecer? Cabe ao senhor Presidente da República decidir."

O racha na coalizão surgiu no começo de julho, quando dois ministros do minoritário CDS-PP se demitiram. Em seguida, houve um recuo que parecia ter levado à paz, mas Cavaco Silva então rejeitou uma proposta de reforma ministerial e pediu que o governo e a oposição alcançassem um acordo de "salvação nacional".

Os três principais partidos haviam concedido a si mesmos um prazo até domingo para selar um pacto. A crise política já levou Lisboa a solicitar um adiamento da oitava revisão do resgate pelos credores, que deveria ter começado na última segunda-feira, mas ficará para o fim de agosto ou começo de setembro.

(Reportagem de Andrei Khalip e de Daniel Alvarenga)

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