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Oposição portuguesa pede eleições após renúncia do ministro das Finanças

Internacional|Do R7

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Lisboa, 1 jul (EFE).- A oposição portuguesa pediu nesta segunda-feira a saída de todo o governo conservador de Portugal e a convocação de eleições antecipadas após a renúncia do ministro das Finanças, Vítor Gaspar, responsável pela implantação das políticas de austeridade do Executivo. O Partido Socialista (PS), a principal força da oposição que atualmente lidera as pesquisas de intenção de voto, se uniu a outros partidos e aos sindicatos. Segundo eles, esta mudança no ministério significa a "queda definitiva" do Executivo e torna necessária a convocação de eleições, segundo declarações do porta-voz da organização, João Ribeiro. Após ter sido informado da renúncia de Gaspar, o secretário-geral do PS, António José Seguro, pediu uma audiência urgente com o presidente da República, Aníbal Cavaco Silva. Em abril desse ano, o chefe de Estado renovou seu apoio ao primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, também do Partido Social Democrata (PSD, centro-direita) e que possui maioria absoluta no Parlamento, após uma sentença do Tribunal Constitucional que invalidou várias de suas medidas de austeridade. Porém, Ribeiro garantiu hoje que a renúncia de Gaspar confirma, para o PS, que o Executivo falhou nas metas propostas e perdeu toda a credibilidade, o que requer a realização de eleições sem que seja necessário esperar pelo fim do atual mandato, em 2015. "Portugal precisa de um novo governo que equilibre as contas públicas e que não divida os portugueses, para recuperar o diálogo político e social", afirmou após reprovar o fato de o governo ter se "isolado" do país e ignorado a oposição e as forças sociais desde que chegou ao poder há dois anos. O secretário-geral do Partido Comunista de Portugal (PCP), Jerônimo de Sousa, exigiu que Passos Coelho e o resto do governo "acompanhem" Gaspar em sua renúncia. "O problema não se resolve com pequenas demissões. Ninguém acredita que Gaspar tivesse responsabilidade exclusiva sobre a política econômica e financeira", afirmou. O bloco de esquerda considerou que o governo "está morto" e que esta renúncia representa uma "dura derrota" que marca "o final" do atual mandato. Além disso, criticou a escolha da atual secretária do Tesouro, Maria Luis Albuquerque, como nova ministra porque evidencia que Passos Coelho vai continuar com a política de "austeridade, desemprego e recessão". Gaspar, que apresentou hoje sua renúncia, foi substituído por Albuquerque, que tomará posse do cargo na próxima terça-feira. Essa escolha também foi questionada pela oposição por causa da participação do político na contratação de derivados financeiros de cobertura de risco creditício (swap) que causaram prejuízos para o país. Nos sindicatos, que na semana passada organizaram a quarta greve geral contra Passos Coelho, a renúncia de Gaspar também suscitou pedidos de uma renúncia geral por parte de todos os integrantes do governo. O líder da principal central sindical portuguesa, a Confederação Geral de Trabalhadores Portuguesa (CGTP, comunista), Armênio Carlos, garantiu que a situação do país "não será resolvida com remendos" e exigiu que o presidente da República convoque novas eleições. A CGTP pediu que o país passasse por reformas econômicas e o presidente da Confederação de Indústria Portuguesa (CIP), Antônio Saraiva, considerou a mudança ministerial como "uma oportunidade" para uma mudança de políticas do governo. Segundo ele, o Executivo pode aproveitar a saída de Gaspar para conciliar, "finalmente", políticas de austeridade com o crescimento econômico. Apenas no partido governista houve palavras de reconhecimento para Gaspar. O vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, Miguel Frasquilho, disse que o ministro ajudou Portugal a recuperar sua credibilidade internacional. "Gaspar ocupou o cargo durante dois anos, não teve um mandato isento de erros, como ninguém teria e como ele mesmo já reconheceu", afirmou o deputado que caracterizou como "inestimável" o serviço prestado por Gaspar ao país. EFE sid/apc/rsd

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