Organização da ONU destaca modelo de "habitabilidade" de Curitiba
Internacional|Do R7
Toronto (Canadá), 19 jun (EFE).- O diretor do Instituto Internacional para a Saúde Global (IISG) da ONU, Anthony Capon, disse que algumas cidades latino-americanas, como Curitiba e Bogotá, a capital da Colômbia, são o modelo a ser seguido para diversos países por suas lições no desenvolvimento de condições de "habitabilidade". Capon, o novo diretor do IISG, que é vinculado à Universidade das Nações Unidas (UNU), disse em declarações para a Agência Efe que "em algumas cidades da América Latina houve uma liderança cívica muito forte, como em Bogotá e Curitiba, sobre as condições de 'habitabilidade', ao permitir que as pessoas tenham qualidade de vida na cidade". Acrescentou que esse modelo latino-americano está desenvolvendo as cidades "de acordo com o interesse das pessoas, ao invés de focar apenas no interesse do desenvolvimento econômico e do trânsito de automóveis, que é o que vemos em outras partes do mundo, como nos Estados Unidos, na Austrália e no Canadá". O diretor de IISG destacou como um dos principais fatores em favor das cidades latino-americanas "o uso de ônibus e vias de trânsito rápido de ônibus (BRTs)". "Bogotá e outros centros urbanos são bons exemplos nos quais foi decidido dar prioridade às rotas de ônibus com vias exclusivas em comparação com o que acontece em cidades africanas, indianas e, inclusive, na Austrália". "Esses sistemas de vias rápidas para ônibus estão bem desenvolvidos nas cidades latino-americanas e são um modelo muito interessante para outras cidades do mundo" acrescentou. O interesse no modelo que representam cidades como Curitiba para o resto do mundo acontece em um momento no qual o IISG, sob a direção de Capon, vai se concentrar mais em "um entendimento ecossocial da saúde". "Vamos nos concentrar nos alicerces ecológicos, sociais e econômicos da saúde e do bem-estar, em temas como as mudanças climáticas e a saúde, assim como um forte enfoque no impacto que a urbanização tem na saúde" explicou Capon. O diretor do IISG, cuja sede fica na Malásia, citou como exemplo um estudo, realizado em parceria com a instituição, do investigador David Baguma sobre os efeitos das mudanças climáticas na saúde dos habitantes de Uganda. Em declarações à Efe, Baguma argumentou que as mudanças climáticas estão relacionadas com o aumento do risco de doenças vinculadas com a água, como o cólera, as febres tifoides, a diarreia aguda e a disenteria. Segundo Baguma, as mudanças no clima em todo o mundo, a ruptura dos padrões de chuva e as inundações causadas por fortes precipitações ameaçam agravar os surtos infecciosos no continente africano. O reitor da UNU, David Malone, disse em comunicado que um dos principais objetivos do IISG é "ajudar os países em desenvolvimento a melhorar sua capacidade para lidar com as ameaças à saúde humana, assim como facilitar a inovação e a disseminação de informação". EFE jcr/rpr











