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As 9 perguntas após a morte do jogador de futebol americano Nolan Wells no Mississippi

Atleta de 18 anos desapareceu após uma viagem e foi encontrado morto dois dias depois

Internacional|Holly Yan, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Nolan Wells, jogador de futebol americano de 18 anos, desapareceu após uma viagem a Horn Island e foi encontrado morto dois dias depois.
  • Investigações de autópsia estão em andamento para determinar a causa da morte, com uma oficial no Mississippi e outra independente em Washington, DC.
  • Amigos de Wells relataram versões conflitantes sobre sua decisão de permanecer na ilha, e ameaças de morte foram recebidas por alguns deles.
  • O caso está sob investigação, com o FBI envolvido, e um grande júri avaliará se há motivos para acusações.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Nolan Wells
Morte de Nolan Wells ganhou repercussão nos EUA após atleta desaparecer durante passeio Reprodução/redes sociais/@everydayisjuneteenth

Enquanto a família de Nolan Wells se prepara para sepultar o jovem de 18 anos nesta segunda-feira (20), ainda não sabe por que sua vida foi interrompida de forma tão trágica.

Já se passaram 16 dias desde que Wells e seus amigos fizeram um passeio de barco no feriado de 4 de Julho para Horn Island — um destino popular entre os festeiros na costa do Mississippi (EUA), sem abrigos, sem instalações e sem comunicação.


Os amigos voltaram para casa. Wells, estudante e wide receiver (recebedor) do Southwest Mississippi Community College, não voltou. Seu corpo foi encontrado dois dias depois, em 6 de julho, boiando de bruços na água próxima à costa de Horn Island por um agente do Serviço Nacional de Parques.

Enquanto familiares e amigos lamentam a perda, alguns dos jovens que estavam na viagem receberam ameaças de morte. Fotos do passeio mostram Wells entre amigos que aparentam ser todos brancos, o que levou algumas pessoas a relembrar a conturbada história racial do Mississippi e a especular se a raça teve algum papel em sua morte.


Outros apontam que as correntes marítimas próximas a Horn Island podem ser notoriamente fortes. O legista local afirma que seu escritório registrou diversas mortes por afogamento vindas das ilhas-barreira do Mississippi nos últimos anos.

Veja o que se sabe — e o que ainda não se sabe — sobre o caso, que ganhou repercussão nacional.


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1. O que revelaram as autópsias?

Há duas investigações de autópsia em andamento para determinar a causa e as circunstâncias da morte de Wells.

A autópsia oficial está sendo conduzida pelo Escritório do Médico-Legista do Estado do Mississippi, segundo o legista do condado de Jackson, Bruce Lynd.


Ele afirmou à CNN que não havia sinais evidentes e imediatos de agressão ou trauma no corpo de Wells. No entanto, devido às circunstâncias incertas, foi solicitada uma autópsia completa para verificar a existência de possíveis lesões ou indícios de crime.

A autópsia foi realizada em 7 de julho, mas os investigadores aguardam os resultados dos exames toxicológicos, que podem levar semanas.

Separadamente, os pais de Wells enviaram o corpo do filho para Washington, DC, para uma autópsia independente.

Segundo o advogado da família, Ben Crump, a decisão foi tomada para garantir uma análise realizada por um médico sem vínculos com as forças de segurança do Mississippi.

Os resultados dessa autópsia também ainda não foram divulgados.

2. Por que Wells ficou para trás na ilha?

Tracestin Shepherd, que participou da viagem, descreveu Wells como um de seus melhores amigos.

Em entrevista ao programa Good Morning America, da ABC, Shepherd contou que voltou de barco de Horn Island no fim da tarde de 4 de julho, mas Wells decidiu permanecer na ilha com uma garota que havia conhecido naquele mesmo dia.

“Eles se conheceram naquele dia. Parecia uma dessas situações em que ele realmente gostou dela”, disse.

3. Isso faz sentido para quem conhecia Wells?

Nem todos acreditam nessa versão.

Jayvon Williams, outro amigo de Wells, afirmou à CNN que não era do perfil dele se separar do grupo.

“Não consigo imaginar Nolan dizendo: ‘Vou ficar nesta ilha com essa garota. Vocês podem ir embora’”, disse.

“Sempre foi alguém que voltava com as pessoas com quem chegou.”

Williams relatou que deveria estar no mesmo barco de Wells, mas acabou embarcando em outra embarcação porque o barco original estava lotado.

Ele disse que a última vez que viu o amigo foi no fim da tarde de 4 de julho.

4. A voz em um vídeo viral era de Wells?

Um vídeo gravado por celular e amplamente compartilhado nas redes sociais gerou especulações de que Wells apareceria em uma discussão acalorada cobrando a devolução de seu telefone.

Mas Shepherd afirmou que a voz não era de Wells.

“Sou eu gritando naquele vídeo”, declarou ao Good Morning America, explicando que estava envolvido em uma confusão naquele momento.

Williams concordou e disse acreditar que a voz realmente era de Shepherd.

5. O que aconteceu com o celular de Wells?

A mãe de Wells, Christine Wells-Wonsley, afirmou que a família comparou os dados de localização obtidos pelos aplicativos Snapchat e Life360, mas encontrou informações divergentes.

Tashema Hands, mãe de Jayvon Williams, disse que ajudou a família a localizar o telefone.

Segundo ela, os aplicativos apontavam locais diferentes. A busca levou a uma residência onde o celular foi encontrado.

6. O que dizem as autoridades?

No dia 6 de julho, quando o corpo foi encontrado, o xerife do condado de Jackson, John Ledbetter, afirmou à CNN que os investigadores estavam entrevistando pessoas que tiveram contato direto com Wells no dia de seu desaparecimento.

Na ocasião, ele declarou que não havia indícios de ação criminosa.

7. Quantas pessoas já foram ouvidas?

Desde então, cerca de 60 testemunhas foram entrevistadas, segundo o jornal Sun Herald.

O FBI também está auxiliando na análise das evidências digitais reunidas pelos investigadores.

Os três amigos que viajaram de barco com Wells para Horn Island já foram interrogados detalhadamente.

8. Haverá acusações criminais?

Após a conclusão da investigação, a promotora distrital do condado de Jackson, Angel Myers McIlrath, informou que um grande júri avaliará o caso para decidir se há justificativa para eventuais acusações.

Ela afirmou que o procedimento segue o protocolo padrão para mortes que não são consideradas naturais.

“Este caso está sendo tratado como prioridade”, declarou.

9. Por que o caso gerou tanta repercussão?

O analista de segurança da CNN Charles Ramsey disse compreender por que algumas pessoas questionam se a raça influenciou a morte de Wells ou a condução da investigação.

No entanto, ele afirmou que, até o momento, não há nada incomum no ritmo da apuração.

Segundo Ramsey, é comum que investigações de morte levem mais de uma semana para reunir todas as evidências e entrevistas necessárias.

“A única razão de estarmos tendo esta conversa é porque aconteceu no Mississippi. É um jovem negro que estava com amigos que, por acaso, são brancos”, afirmou.

Enquanto a investigação prossegue, Shepherd afirmou que ele e outros amigos receberam ameaças de morte.

“Não fizemos nada de errado e não entendemos por que estamos recebendo tanto ódio. Todos nós gostávamos de Nolan e o amávamos. Ninguém queria vê-lo morrer”, disse.

Ashlee Cole, mãe de outro amigo que participou da viagem, afirmou em uma publicação no Facebook que deseja tanto quanto a família descobrir o que aconteceu com Wells.

“Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para ajudar a família de Nolan a encontrar respostas.”

Ela acrescentou que sua própria família também passou a receber ameaças.

O velório de Nolan Wells foi realizado na manhã desta segunda-feira (20) na igreja Center Pointe, em Ocean Springs, Mississippi.

O funeral ocorrerá em seguida, com um discurso do reverendo Al Sharpton.

Depois, haverá uma celebração da vida do jovem no parque de exposições do condado de Jackson.

“Ele não gostaria que ficássemos sentados chorando e comendo”, disse sua mãe. “Então vamos fazer algo parecido com uma festa para celebrá-lo.”

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