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Quem é Daniel Ortega, ditador da Nicarágua que anunciou o fim das eleições no país

Líder nicaraguense afirmou que o período em que partidos apoiados por interesses estrangeiros governavam o país terminou

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Daniel Ortega anunciou a suspensão definitiva das eleições na Nicarágua, consolidando seu controle sobre o governo.
  • Ortega, com uma trajetória ligada à guerrilha de esquerda, lidera o país desde 2007, junto com sua esposa Rosario Murillo.
  • Após enfrentar derrotas eleitorais e acusações de abuso, Ortega retornou ao poder em 2006, promovendo reformas constitucionais para se manter no cargo.
  • O governo de Ortega é acusado de repressão a protestos e violações de direitos humanos, com a Nicarágua sendo classificada como um Estado autoritário.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Ortega está no poder desde 2007 de forma ininterrupta Reprodução/X

Daniel Ortega anunciou a suspensão definitiva da realização de eleições na Nicarágua, onde ocupa a presidência há dezenove anos, desde 2007. O objetivo declarado da medida, anunciada no domingo (19), é evitar que a oposição tome o governo. Em pronunciamento oficial, o ditador afirmou que o período em que partidos apoiados por interesses estrangeiros governavam o país terminou e que esses grupos não retornarão ao poder.

A medida reforça a estrutura de poder atual, na qual Ortega e sua mulher, Rosario Murillo — nomeada copresidente —, exercem a direção do Estado. Essa decisão marca a consolidação de seu controle sobre todas as esferas governamentais, incluindo o Judiciário e as Forças Armadas.


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Ortega tem uma trajetória associada ao movimento de guerrilha de esquerda. Ainda na adolescência, ingressou na Frente Sandinista de Libertação Nacional para atuar contra a ditadura de Anastasio Somoza, cuja família governava o país desde 1936. Na década de 1960, ele deixou os estudos de Direito para se dedicar à atividade guerrilheira. Nesse período, participou do assalto a uma agência bancária em Manágua para financiar o movimento, o que resultou em sua prisão e no cumprimento de sete anos de prisão.

Após ser libertado em uma troca de reféns em 1974, deslocou-se para Cuba, onde treinou táticas de guerrilha, e retornou à Nicarágua para participar da guerra civil que levou os sandinistas ao poder em 1979.


Em 1984, após integrar a junta de reconstrução nacional, Ortega foi eleito presidente pela primeira vez. Seu mandato inicial ocorreu durante a Guerra Fria e foi marcado pelo conflito com os Contras, grupos financiados pelos Estados Unidos. O impacto da guerra e as sanções econômicas geraram dificuldades que contribuíram para sua derrota nas urnas em 1990 para Violeta Chamorro.

Nos anos seguintes, ele perdeu as eleições de 1996 e 2001, período em que enfrentou acusações de estupro feitas por sua enteada, Zoilamérica Narváez. Ortega negou as acusações e evitou o julgamento invocando sua imunidade como membro do Congresso.


Em 2006, Ortega fez um retorno inesperado ao se afastar de suas raízes comunistas convictas, afirmando que buscaria investimentos estrangeiros para aliviar a pobreza generalizada. Em uma campanha idealizada por sua mulher, as bandeiras sandinistas pretas e vermelhas foram amplamente substituídas por cartazes de campanha cor-de-rosa; o uniforme militar verde-oliva foi trocado por camisas brancas sem gola, e os slogans marxistas foram substituídos por um vago compromisso com “cristianismo, socialismo e solidariedade”.

Para atrair setores religiosos, Ortega apoiou a proibição total do aborto no país. Uma vez no cargo, o governo promoveu sucessivas reformas na Constituição e obteve decisões judiciais para eliminar os impedimentos à reeleição, permitindo que ele vencesse os pleitos de 2011, 2016 e 2021.


Em 2016, ele escolheu Rosario Murillo como sua vice-presidente, consolidando a gestão familiar do Estado.

A gestão de Ortega enfrentou protestos em 2018 contra mudanças no sistema de previdência, resultando em uma repressão que causou a morte de mais de 300 pessoas. Desde então, o governo ampliou a pressão sobre antigos aliados revolucionários e sobre a Igreja Católica. Clérigos foram presos, ordens religiosas foram expulsas e o registro legal de mais de 5.000 organizações sem fins lucrativos, veículos de comunicação e universidades foi cancelado.

A eleição de 2021 foi acompanhada pela prisão de candidatos opositores, jornalistas e ativistas de direitos humanos sob leis de segurança nacional. Relatórios do Conselho de Direitos Humanos da ONU classificam a Nicarágua como um Estado autoritário onde ocorrem violações sistemáticas de direitos.

O controle estatal sobre as instituições permitiu a alteração do mandato presidencial para seis anos e a recente decisão de encerrar os processos de escolha de governantes por meio de voto.

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