Otan estuda se organizar em grupos de países para compartilhar capacidades
Internacional|Do R7
Bruxelas, 22 out (EFE).- Os ministros de Defesa da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) decidiram nesta terça-feira estudar uma proposta para organizar a aliança militar em grupos de países que, liderados por uma nação, possam compartilhar capacidades militares e se preparar conjuntamente para atuar em operações. A ideia, defendida pelo ministro da Defesa alemão, Thomas de Maizière, criaria a figura da "nação marco", que seria a potência ao redor da qual se iniciaria cada um dos grupos de parceiros que trabalhariam de forma mais estreita entre si. O objetivo principal da iniciativa, que recebeu o respaldo do secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, é que os grupos possam oferecer, de forma conjunta, capacidades ou desenvolver de maneira coordenada outras novas, para responder assim às carências detectadas nos últimos anos na Aliança. Desde sua missão na Líbia em 2011, a Otan insistiu em várias ocasiões que os membros europeus devem estar munidos de mais e melhores equipamentos militares para deixar de depender dos Estados Unidos, principalmente com o reabastecimento de aviões em voo, as tecnologias de inteligência e as munição inteligentes. A ideia alemã seguiria, de certo modo, o modelo utilizado no Afeganistão, onde as grandes potências da Otan dividem a responsabilidade no país e cada uma conta com o apoio de outros estados menores em sua área. Os ministros discutiram hoje a proposta pela primeira vez e concordaram em seguir trabalhando nela, afirmou Anders Fogh Rasmussen, em entrevista coletiva. Acrescentou que o plano é "um novo exemplo de como os aliados e outros membros podem cooperar mais fortemente para adquirir e desenvolver capacidades militares muito necessárias". No entanto, admitiu que, "obviamente, há muitas perguntas que devem ser respondidas". A iniciativa, de fato, foi recebida com ceticismo por alguns países, principalmente por França e Espanha, segundo fontes diplomáticas. O governo francês teme que uma organização em grupos possa ir contra a soberania nacional de cada um dos membros e levar a uma excessiva especialização de suas capacidades, o que poderia deixá-los enfraquecidos em outras áreas. A Espanha, por sua vez, teria dúvidas sobre o papel que corresponderia aos países "médios" dentro dessas estruturas. No grupo dos mais favoráveis, o ministro da Defesa britânico, Philip Hammond, assegurou que a proposta "tem potencial para evitar alguns dos atrasos ocorridos nos processos da Otan no passado". A proposta de Berlim aprofundaria a estratégia de "Defesa Inteligente" da Otan, com a qual a organização já tenta impulsionar a cooperação entre seus membros na compra e desenvolvimento de custosas capacidades militares. A discussão acontece em pleno processo de debate sobre o futuro da Aliança Atlântica, que no final do próximo ano sofrerá uma mudança dramática com o fim de sua missão de combate no Afeganistão. Após anos com milhares soldados presentes neste país, a Otan passará a ser em 2015 uma organização que deverá se ocupar principalmente de situações que exijam atuar com rapidez em caso de necessidade. A Aliança Atlântica do futuro, segundo Rasmussen, será uma "Otan que esteja preparada para todas as eventualidades". Para isso, os Estados-membros decidiram intensificar seus trabalhos conjuntos, que devem assegurar que os diferentes exércitos sigam sendo capazes de operar de forma coordenada. No próximo mês, a Aliança fará um grande exercício no Mar Báltico, enquanto para 2015 preparará um ainda maior, com milhares de soldados, que acontecerá em Espanha, Portugal e Itália. A prática, que envolverá as forças terrestres, marítimas e aéreas, será segundo fontes aliadas, a maior feita pela organização desde a Guerra Fria. EFE mvs/cdr-rsd (áudio)










