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Panamá: novo governo continuísta e ampliação do canal em sua etapa final

Internacional|Do R7

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Alejandro Varela. Cidade do Panamá, 18 dez (EFE). - O Panamá termina o ano com a ampliação em andamento de seu canal interoceânico e com um novo governo herdeiro de um acúmulo de dívidas sociais e políticas, mas também de uma saudável inércia econômica. A corrupção, a degradação institucional e a desigualdade social, denunciadas quase unanimemente, não impedirão que o Panamá volte a ser o país da América Latina com um maior crescimento econômico em 2014 e 2015, com 6,6% e 6,4% respectivamente, segundo as últimas estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI). O Canal do Panamá, principal motor do produto interno bruto (PIB) e oásis nacional de eficiência administrativa, superou a crise sofrida este ano durante sua ampliação e suas obras entraram na etapa final para conclusão em 2015. Com isso, poderá redobrar sua receita a partir de 2016 para benefício de todo o país. O principal líder sindical panamenho, Saúl Mendez, do Sindicato Único Nacional de Trabalhadores da Indústria da Construção e Similares (Suntracs), declarou à Agencia Efe que nem o crescimento econômico ou a mudança de governo alteraram "um modelo com históricas e graves deficiências e injustiças em saúde, educação e possibilidades de trabalho e salário dignos". O novo presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, eleito em maio de 2014, "é de novo um oligarca que, como governantes anteriores, recorre ao nepotismo" para administrar o país, considerou Méndez. "A estrutura segue intacta em favor do poder econômico, e o programa social deste governo é puramente assistencialista e não vai mudar o fato de que Panamá é o país da América Latina com pior índice de distribuição da riqueza", acrescentou Méndez, que também é membro do partido esquerdista Frente Nacional pela Defesa dos Direitos Econômicos e Sociais do Panamá (Frenadeso). O advogado e analista político Adolfo Linares disse à Agência Efe que, com a mudança de governo neste ano, o "Panamá ganhou paz e tranquilidade" devido à saída do presidente anterior, Ricardo Martinelli, a quem definiu como "um (Silvio) Berlusconi tropical". "Varela é uma pessoa mais analítica e fez as nomeações corretas para endireitar o latrocínio do governo anterior", declarou Linares, que foi vice-ministro de Educação durante a presidência de Mireya Moscoso (1999-2004). Linares se mostrou otimista com o atual desenvolvimento econômico e político no país, admitindo que "todas as estatísticas indicam que o Panamá é um dos países do mundo com pior distribuição da riqueza e que tem focos de miséria inaceitáveis". "As estatísticas, no entanto, são um pouco enganosas, porque nunca ninguém quis sair daqui. O Panamá nunca exportou capital humano, e todo mundo quer vir para cá. O principal assunto pendente do Panamá é a educação, que é o instrumento que melhor pode facilitar a igualdade de oportunidades para todos", acrescentou. Já o especialista em Sociologia José Eugenio Stoute disse à Agência Efe que a mudança de governo este ano representou que o país passou de uma ditadura civil a um Estado de direito, apesar das imperfeições. Em sua opinião, Varela "recebeu um orçamento totalmente esgotado e muitas dívidas", e "embora tenha passado pouco tempo para seu governo ser avaliado, já deu mostras de tentar ampliar a cobertura social" para reduzir a desigual distribuição da renda. Este governo também é de direita, "mas a maioria de seus membros provêm de uma educação jesuíta, ou seja, com maior compromisso social, menos direitista". "Nisso sim Varela já começou a descumprir suas promessas eleitorais, por exemplo, ao nomear a um 'contralor de la República' (promotor de contas do Estado) sem consultar os cidadãos", ressaltou. Stoute afirmou que acredita ser muito difícil que no Panamá, por enquanto, surja uma opção de esquerda com possibilidades de governar porque "essa opção era ocupada pelo PRD (Partido Revolucionário Democrático), que caiu em total desastre". "Foram os governos do PRD os que começaram com as privatizações e seu último candidato presidencial, Juan Carlos Navarro, não é apenas de direita, mas da direita repressiva", opinou. Varela, proprietário da maior empresa produtora de licores do país, substituiu em agosto na presidência da República a Ricardo Martinelli, dono, entre outros muitos negócios, de uma das maiores redes de supermercados do Panamá. Nos poucos meses em que Varela governa, um juiz e ex-presidente da Corte Suprema de Justiça, um ex-ministro e um funcionário de alto gabarito, grande colaborador de Martinelli, foram acusados formalmente e são investigados por corrupção e desvio de quantias milionárias de verbas públicas. EFE av/cdr/id

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