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Partida da Copa entre as Alemanhas separadas pelo Muro faz 40 anos

Internacional|Do R7

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Há 40 anos, no dia 22 de junho de 1974, jogaram pela primeira e última vez em uma Copa do Mundo as equipes nacionais das duas Alemanhas, separadas pelo Muro, com uma vitória histórica (1-0) da RDA sobre a RFA.

As duas equipes disputaram em Hamburgo a terceira partida da primeira fase da competição, organizada naquele ano pela Alemanha Ocidental (RFA). E se o interesse esportivo era pequeno, já que as duas seleções estavam classificadas para a fase seguinte, o contexto político deu uma dimensão planetária à disputa.

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A Alemanha Oriental (RDA) havia proibido qualquer gesto de amizade com os jogadores da Alemanha Federal, na qual Franz Beckenbauer brilhava.

Não era o primeiro confronto entre as duas Alemanhas. Elas já haviam se encontrado, sobretudo nos Jogos Olímpicos, mas nunca em uma Copa do Mundo.

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A partida, tensa, foi decidida aos 78 minutos, graças a um gol de Jürgen Sparwasser, jogador do Magdebourg, único clube da RDA a conquistar um título europeu, a Recopa de 1974, contra o Milan na final.

"Não, não me incomoda falar deste gol, é um pedaço da história contemporânea", afirmou o jogador à agência esportiva SID, filial da AFP.

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Depois de receber um passe de 40 metros quando entrava na área, Sparwasser se viu cercado por três zagueiros. Nada mais, nada menos que Beckenbauer, Schwarzenbeck e Vogts. "Não tinha nenhum chance", lembra.

Depois de controlar a bola e se livrar em alta velocidade dos zagueiros, chutou direto para o gol de outro mito, Sepp Maier.

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"Merecemos vencer", insiste o jogador, que aos 66 anos trabalha no centro de formação do Eintracht Francfort (oeste), clube da Bundesliga.

A alegria não durou na equipe da Alemanha Oriental. Na época, a segunda fase se dividia em dois grandes grupos e a RDA foi batida por Brasil (1-0) e Holanda (2-0), para finalmente empatar (1-1) com a Argentina.

Situação contrária viveu a RFA. A derrota a fez reagir e, depois de fazer várias mudanças, a equipe acumulou vitórias contra Iugoslávia (2-0), Suécia (4-2) e Polônia (1-0), antes de bater na final a Holanda de Johann Cruyff (2-1) e levantar a 'sua' Copa do Mundo.

"Deveríamos ter jogado em um grupo mais difícil (se tivessem vencido). Então temos que agradecer a RDA", reconheceu mais tarde Beckenbauer.

Se oficialmente o confronto Leste-Oeste deveria estar cercado de hostilidade, os jogadores das duas equipes não respeitaram as ordens e se encontraram nos vestiários para trocar as camisas.

"Paul Breitner me pediu para trocar e fizemos isso", lembra Sparwassar, que tem relações excelentes com o ex-jogador do Bayern de Munique, assim como com Günther Netzer e Sepp Maier.

Depois da competição e apesar de seu gol histórico, Sparwasser não se converteu em um herói do esporte da Alemanha Oriental.

Continuou com uma brilhante carreira no Magdebourg até 1979 e na década de 80 rejeitou treinar o clube, como havia pedido o regime socialista. Um ano antes da queda do Muro, aproveitando uma reunião de ex-jogadores de seu clube em Sarrebruck, decidiu passar à Alemanha Ocidental.

Mas Sparwasser acredita que tem seu lugar na história como o jogador da RDA que derrotou a poderosa RFA: "Se em meu túmulo alguém encontrar a inscrição 'Hamburgo 1974', saberá quem repousa ali".

ni-elr/sg/pm/lmm./ma

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