Partidos abrem campanha para eleições antecipadas no Reino Unido
Depois de aprovar as eleições para o dia 12 de dezembro, os parlamentares fizeram sessão de perguntas com o primeiro-ministro Boris Johnson
Internacional|Da EFE

Os partidos políticos do Reino Unido começaram nesta quarta-feira (30) a campanha para as eleições gerais do próximo dia 12 de dezembro, antecipada a pedido do primeiro-ministro do país, Boris Johnson, e aceita pela oposição para tentar resolver o impasse que impede a aprovação do acordo do Brexit.
O grupo "Best of Britain", que faz campanha contra a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), revelou que o Partido Conservador, liderado por Johnson, não conseguiria maioria na Câmara dos Comuns caso 30% dos eleitores que se opõem ao Brexit votassem de forma tática no pleito antecipado.
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A campanha oficial só começa oficialmente na próxima semana, quando o parlamento será formalmente dissolvido. No entanto, as principais lideranças políticas do Reino Unido aproveitaram a última sessão de perguntas ao primeiro-ministro na Câmara dos Comuns para defender suas propostas para o Brexit e conquistar potenciais eleitores.
Manobra parlamentar
A oposição topou antecipar as eleições na noite de ontem. Johnson propôs o pleito para tentar, com uma nova composição parlamentar, aprovar um acordo do Brexit para retirar o Reino Unido da EU antes de 31 de janeiro, nova data-limite aceita pelo bloco para que o trâmite seja concluído.
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A Câmara dos Comuns até chegou a aprovar a última proposta negociada por Johnson com os líderes dos países-membros da UE, mas se recusou a analisar o pacto de forma expressa, em apenas três dias, gerando um novo impasse.
O projeto para antecipar as eleições já chegou à Câmara dos Lordes. A expectativa é que o texto seja aprovado até o dia 6 de novembro, sendo levado posteriormente à sanção da rainha Elizabeth II.
Troca de farpas
Na sessão de hoje, Johnson e o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, apontado como o único capaz de desafiar o atual primeiro-ministro nas urnas, trocaram farpas sobre o Brexit, o financiamento do sistema de saúde pública do Reino Unido e a economia.
Johnson acusou Corbyn de não ter uma posição firme sobre o Brexit e de não contribuir para a saída do Reino Unido do bloco, como decidiu o eleitorado britânico no referendo de junho de 2016.
"Liderança significa defender o povo deste país, defender nossa polícia, nossa saúde pública, garantir que ela tem o financiamento necessário e defender nossa economia", disse Johnson a Corbyn.
O líder trabalhista aproveitou para atacar o governo pela crise na saúde pública, setor que enfrenta falta de médicos e de enfermeiros, o que obriga os britânicos a fazerem filas para serem atendidos.
Ao defender seu projeto político, que se baseia na reestatização de setores que foram privatizados, como o transporte ferroviário, Corbyn afirmou que esta é uma oportunidade única de transformar o Reino Unido.
"Estamos colocando em movimento a campanha mais ambiciosa e radical para uma verdadeira mudança", prometeu.
Possível impasse
Os britânicos elegerão 650 novos deputados em 12 de dezembro, mas analistas acham pouco provável que a nova composição da Câmara dos Comuns seja menos fragmentada que a atual. A principal hipótese é que, mesmo com o pleito, o impasse sobre o Brexit se mantenha.
Assim que os novos parlamentares tomem posse, no dia 13 de dezembro, eles terão até 31 de janeiro de 2020 para decidir se aprovam o acordo negociado por Johnson.









