Logo R7.com
RecordPlus

Peru: Merino será investigado por violações de direitos humanos

Ele e outros membros do governo são acusados de abuso de autoridade, homicídio doloso, lesões corporais e desaparecimento forçado

Internacional|Da EFE

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Homenagem aos dois jovens mortos durante os protestos no Peru
Homenagem aos dois jovens mortos durante os protestos no Peru

Manuel Merino e vários membros de seu governo de curtíssima duração - uma semana - serão investigados preliminarmente por violações dos direitos humanos, informou nesta segunda-feira (16) a procuradora-geral do Peru, Zoraida Avalos.

Em comunicado, a chefe do Ministério Público do país sul-americano anunciou que além de Merino, congressista e agora ex-presidente, também são alvos da investigação o primeiro-ministro interino, Ántero Flores-Aráoz, e o ministro do Interior interino, Gastón Rodríguez.


Leia mais: O que acontece agora no Peru, que amanheceu sem presidente após renúncia de Manuel Merino

Eles são acusados de abuso de autoridade, homicídio doloso, lesões corporais leves e graves e desaparecimento forçado.


Estes crimes, de acordo com a tese do Ministério Público, teriam sido cometidos em um contexto de ações de violação dos direitos humanos, o que, segundo as leis peruanas, constitui uma circunstância agravante.

A investigação gira em torno da brutal repressão dirigida pelo governo Merino aos protestos populares que ocorreram na capital, Lima, desde que ele tomou posse, na segunda-feira da semana passada, até ontem, quando ele anunciou sua renúncia em meio à crise.


Esta repressão aos protestos teve saldo de dois mortos a tiros, os estudantes universitários Jack Pintado, de 22 anos, e Inti Sotelo, de 24, além de cerca de 100 feridos e dezenas de pessoas desaparecidas.

"A Procuradoria-Geral renova seu compromisso de garantir os direitos dos cidadãos e de colocar nosso máximo esforço para que os fatos graves sejam esclarecidos e sancionados", disse Ávalos em comunicado.


Outras investigações

Além das investigações dos responsáveis políticos por esses eventos, a procuradora também anunciou a abertura de um inquérito preliminar "contra os responsáveis por homicídio intencional" nos casos de Pintado e Sotelo, mortes que ela garantiu que "não ficarão impunes".

Leia mais: O que há por trás da onda de protestos após o impeachment do presidente do Peru

As investigações também continuarão em relação aos "culpados dos crimes de desaparecimento forçado", razão pela qual o Ministério Público já ordenou que o Instituto de Ciências Jurídicas e outras agências especializadas do governo iniciem as buscas.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU, chefiado pela Alta Comissária Michelle Bachelet, está preocupado com relatos de uso desnecessário e excessivo da força por pessoal de segurança, bem como detenções sem o devido processo. 

A porta-voz da instituição, Marta Hurtado, confirmou à Efe o envio de uma missão de especialistas ao país e expressou a preocupação do gabinete chefiado pela Alta Comissária Michelle Bachelet.

Marta Hurtado destacou que o escritório também recebeu denúncias de detenções arbitrárias e restrições injustificadas a jornalistas que tentaram exercer seu direito de denúncia.

Relatório

Esta investigação do Ministério Público foi anunciada em resposta a uma denúncia feita ontem à noite por oito organizações de direitos humanos.

Entre os denunciados também está o diretor geral da Polícia Nacional, Orlando Velasco, e o chefe da polícia de Lima, Jorge Cayas.

Além da repressão aos manifestantes, segundo essas organizações, policiais atacaram jornalistas com bombas de gás lacrimogêneo e teriam cometido abusos contra algumas mulheres detidas nos protestos.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.