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Peste pneumônica pode virar pandemia? Entenda o risco

Risco foi levantado após morte de técnica de laboratório na região de Irkutsk, na Sibéria

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A morte de uma técnica de laboratório na Sibéria reacendeu preocupações sobre a peste pneumônica.
  • Quase 200 pessoas estão sob observação, e a OMS avalia o risco como baixo para a Rússia e a Europa.
  • A peste pneumônica é a única forma que pode ser transmitida diretamente entre pessoas, mas é tratável com antibióticos.
  • Casos de peste ainda ocorrem em regiões como a República Democrática do Congo, Madagascar e algumas áreas dos EUA.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Peste pneumônica é causada pela bactéria Yersinia pestis Reprodução/Institut Pasteur de Lille

A morte de uma técnica de laboratório de 28 anos na região de Irkutsk, na Sibéria, colocou a peste pneumônica novamente no radar das autoridades de saúde. Darya Shipilova trabalhava em um instituto especializado em combate à peste e foi a óbito após desenvolver um quadro de pneumonia de causa ainda não confirmada.

Quase 200 pessoas que tiveram possível contato com a técnica foram colocadas sob observação, segundo relatos divulgados pela imprensa internacional. A Organização Mundial da Saúde (OMS) acompanha o caso e avaliou o risco como de moderado a baixo para Irkutsk, baixo para a Rússia e muito baixo para a região europeia da organização.

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Mas a peste pneumônica poderia provocar uma nova pandemia? Especialistas ouvidos pela BBC afirmam que, embora a doença seja grave e possa ser transmitida entre pessoas, as características da infecção e os recursos disponíveis atualmente tornam uma disseminação mundial pouco provável.

A própria causa da morte de Shipilova ainda não havia sido oficialmente confirmada. Exames laboratoriais estavam em andamento, e as autoridades russas negaram que houvesse confirmação de peste.

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Por que a peste pneumônica preocupa?

A peste é causada pela bactéria Yersinia pestis, encontrada principalmente em pequenos mamíferos e nas pulgas que os parasitam. A infecção pode chegar aos seres humanos por meio da picada de pulgas infectadas, pelo contato com tecidos ou fluidos contaminados e, no caso da forma pneumônica, pela inalação de partículas respiratórias.

Existem três formas principais da doença: bubônica, septicêmica e pneumônica. A peste bubônica é a mais comum e costuma provocar o aumento doloroso dos gânglios linfáticos, conhecidos como bubões. Já a forma septicêmica ocorre quando a bactéria se espalha pela corrente sanguínea.

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A peste pneumônica é a forma que mais preocupa do ponto de vista de transmissão entre pessoas. Ela ocorre quando a bactéria atinge os pulmões e pode provocar febre, falta de ar, dor no peito e tosse, que em alguns casos vem acompanhada de sangue. A incubação pode ser extremamente curta, chegando a cerca de 24 horas.

Diferentemente da peste bubônica, a forma pneumônica pode passar diretamente de uma pessoa para outra por partículas respiratórias. Por isso, pacientes suspeitos precisam ser identificados, isolados e tratados rapidamente.

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A OMS afirma que a peste pneumônica não tratada pode levar à morte em pouco tempo. Quando o diagnóstico ocorre precocemente, porém, antibióticos são eficazes contra a bactéria.

Por que uma pandemia é considerada improvável?

Em entrevista à BBC, Piero Olliaro, professor de doenças infecciosas relacionadas à pobreza da Universidade de Oxford, destacou que existem tratamentos eficazes contra a doença.

O avanço no diagnóstico e no tratamento é uma das principais diferenças em relação aos grandes surtos do passado. Hoje, pacientes podem ser identificados e receber antibióticos.

Outro ponto citado por especialistas à BBC é a velocidade com que a peste pneumônica costuma produzir sintomas. Ao contrário de infecções respiratórias, que podem ser transmitidas por pessoas ainda sem sinais evidentes da doença, a peste pneumônica tende a provocar um quadro grave rapidamente.

“Não é algo que possamos ignorar, veríamos pessoas entrando em um avião, viajando e encontrando novas infecções em todos os lugares”, afirmou à BBC Zania Stamataki, professora associada de imunologia viral da Universidade de Birmingham. Segundo ela, uma disseminação ampla seria percebida rapidamente.

A avaliação da OMS segue a mesma direção. A organização afirma que, no caso de pacientes com peste pneumônica, é possível interromper cadeias de transmissão por meio do isolamento dos doentes, monitoramento dos contatos próximos e uso de antibióticos preventivos quando indicado.

No caso de Irkutsk, a OMS informou que os contatos da paciente estavam sendo identificados e monitorados. Até a avaliação inicial divulgada pela organização, não havia indicação de um surto mais amplo.

A peste ainda existe?

Apesar de estar associada principalmente à chamada peste bubônica, a doença não desapareceu. A Yersinia pestis continua circulando em populações de animais silvestres em diferentes regiões do mundo, e casos humanos ainda são registrados.

Segundo a OMS, entre 2019 e 2025, a maior parte dos casos de peste humana notificados à organização ocorreu na República Democrática do Congo e em Madagascar.

Madagascar, por exemplo, registra casos de peste bubônica praticamente todos os anos durante sua temporada epidêmica. Surtos de peste pneumônica também podem ocorrer e exigem resposta rápida das autoridades de saúde.

Nos Estados Unidos, a doença também permanece presente em algumas áreas. O CDC considera a peste uma doença rara no país e destaca que a forma pneumônica é a única das três principais formas capaz de ser transmitida diretamente de uma pessoa para outra.

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