Polêmica sobre armas complica iniciativa de paz para a Síria
Internacional|Do R7
Por Alissa de Carbonnel
MOSCOU, 28 Mai (Reuters) - Polêmicas entre a Rússia e o Ocidente sobre armar ou não as facções em conflito na Síria turvaram nesta terça-feira a perspectiva de um processo de paz, abalado de antemão também pelos desentendimentos internos da oposição ao governo do presidente sírio, Bashar al-Assad.
Enquanto governos ocidentais discutem se devem fazer algo, e o que, a respeito da Síria, os principais aliados de Assad, como Rússia, Irã e o grupo xiita libanês Hezbollah, se unem ao redor dele.
A Rússia, que protege Assad diplomaticamente desde o início da rebelião síria, em março de 2011, disse que irá entregar um avançado sistema de defesa aérea S-300 a Damasco, apesar das objeções de Estados Unidos, França e Israel.
Moscou, por sua vez, acusa a União Europeia de "atirar lenha na fogueira" e "abalar" as chances de realização de uma conferência de paz em Genebra, ao permitir que um embargo de armas à Síria expire.
França e Grã-Bretanha, maiores potências militares europeias e mais ardorosas defensoras do fim do embargo, dizem que ainda não se decidiram por armar os rebeldes, mas que desejam pressionar Assad a negociar.
"Nosso foco nas próximas semanas é a conferência de Genebra", disse o chanceler britânico, William Hague. "O que isso está fazendo é enviar esse sinal alto e claro ao regime e ... sendo muito claro sobre a flexibilidade que temos se ele se recusar a negociar".
O chanceler russo, Sergei Lavrov, disse que as potências ocidentais estão pondo em risco toda a ideia de uma conferência, e seu adjunto, Sergei Ryabkov, defendeu o fornecimento de mísseis a Damasco.
"Achamos que tal entrega é um fator estabilizador, e que tais passos sob muitos aspectos contêm alguns cabeças-quentes", disse ele.
Os S-300 podem interceptar aviões tripulados e mísseis teleguiados, e com eles Assad passa a ter mais chances de permanecer no poder.
Apesar das suas diferenças, Rússia e Estados Unidos tentam organizar no mês que vem uma conferência internacional que leve ao fim de uma guerra civil que começou há 26 meses, já matou estimadas 80 mil pessoas e ameaça se espalhar para outros países do Oriente Médio.
Mas não há consenso sobre se Assad deve desempenhar qualquer papel em qualquer transição política, e o principal grupo de oposição apoiado pelo Ocidente ainda nem afirmou se vai participar da conferência.
Diplomatas em Genebra disseram que a conferência poderá ser realizada na Organização das Nações Unidas (ONU) em 15 e 16 de junho, pouco antes de EUA, Rússia e líderes da UE se reunirem em uma cúpula do G8 na Irlanda do Norte, em 17 de junho.
(Reportagem adicional de Laila Bassam e Erika Solomon, em Beirute; de Khaled Yacoub Oweis, em Istambul; de Dan Williams, em Jerusaléml de Mohammed Abbas, em Londres; e de John Irish, em Paris)










