‘Polvo mais velho do mundo’ não é um polvo, segundo estudo
O fóssil é, na verdade, um nautiloide muito decomposto, parente dos nautilos modernos
Internacional|Jack Guy, da CNN Internacional
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A história de um fóssil de 300 milhões de anos foi reescrita depois que cientistas descobriram que ele não pertence, na verdade, ao polvo mais antigo do mundo, como se pensava anteriormente.
De fato, ele pertence a um animal aparentado ao náutilo moderno, que possui tentáculos e uma concha externa, de acordo com um estudo publicado na quarta-feira (8) no periódico Proceedings of the Royal Society B.
“Basicamente usamos uma ampla seleção de novas técnicas analíticas para descobrir características anatômicas ocultas dentro da rocha”, disse o autor principal do estudo, Thomas Clements, professor de zoologia de invertebrados na Universidade de Reading, Inglaterra, à CNN Internacional na quinta-feira (9).
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“E fomos capazes de determinar que não é um polvo, mas na verdade um nautilóide muito decomposto, que é um parente dos náutilos modernos”.
O fóssil, chamado Pohlsepia mazonensis, foi encontrado no local de Mazon Creek, logo ao sul de Chicago, Illinois.
Os paleontólogos estavam intrigados com o fóssil há muito tempo, pois ele é muito mais antigo do que o próximo polvo conhecido mais velho, que data de cerca de 90 milhões de anos.
Clements explicou que o animal estava se decompondo por semanas antes de ser enterrado, dando ao seu fóssil uma aparência semelhante à de um polvo, o que levou muitos cientistas a concluir que os polvos haviam vivido muito antes do que se pensava anteriormente.
No entanto, outros questionaram se este era de fato o caso, já que certas características, como o comprimento e a forma de seus braços, não correspondiam ao que seria esperado, disse Clements.
Identidade equivocada
Como resultado, ele decidiu reexaminar o fóssil usando novas técnicas científicas que não estavam disponíveis quando a primeira análise dele foi publicada em 2000.
“Usamos uma enorme seleção de novas técnicas”, disse ele, incluindo o uso de um microscópio eletrônico de varredura e a realização de trabalhos de geoquímica.
Mas, ainda assim, o fóssil se recusava a revelar sua verdadeira identidade.
“Não estávamos chegando a lugar nenhum”, disse Clements. “Eu estava bastante frustrado.”
As coisas mudaram quando um colega o convidou para escanear o fóssil usando imagem de síncrotron, uma técnica descrita pela Universidade de Reading como o uso de feixes de luz mais brilhantes que o sol. Esta técnica “gera os raios-X mais poderosos do mundo”, explicou Clements.
“Ela revelou caracteres anatômicos que estavam escondidos logo abaixo da superfície da rocha, então você não consegue vê-los visualmente quando está olhando para o fóssil”, disse Clements.
A equipe encontrou uma rádula, uma estrutura de alimentação com fileiras de dentes. Havia pelo menos 11 por fileira no fóssil, enquanto os polvos têm apenas sete ou nove, de acordo com um comunicado da Universidade de Reading.
“Foram esses dentes minúsculos que encontramos que nos permitiram identificar que não era um polvo”, acrescentou ele.
Clements disse que a pesquisa demonstra o poder das novas tecnologias para avançar nossa compreensão científica.
“Elas não apenas estão se tornando mais prontamente disponíveis, mas também mais acessíveis, e isso está revolucionando as investigações paleontológicas”, disse ele, destacando o uso de síncrotrons para descobrir proteínas e biomoléculas antigas, e técnicas de engenharia originalmente projetadas para testar materiais de construção para calcular a força da mordida de um dinossauro.
“Muitas pessoas pensam na paleontologia como uma ciência muito empoeirada”, disse Clements. “Mas, na verdade, somos uma ciência incrivelmente inovadora.”
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