Por que a Costa Rica inaugurou prisão inspirada no modelo de El Salvador e como ela funciona
Presidente costa-riquenha, Laura Fernández, defende o endurecimento das medidas de segurança no país
Internacional|Do R7
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A Costa Rica inaugurou uma penitenciária de segurança máxima com capacidade para 5.100 presos, em meio à escalada da violência ligada ao crime organizado. Chamado de Centro de Alta Contenção contra o Crime Organizado (CACCO), a unidade foi projetada com base no modelo adotado em El Salvador pelo presidente Nayib Bukele, conhecido pela política de encarceramento em massa de integrantes de gangues.
Localizado no complexo penitenciário La Reforma, em San Rafael de Alajuela, a cerca de 20 quilômetros da capital, San José, o novo presídio recebeu investimentos de aproximadamente US$ 36,8 milhões. A estrutura poderá abrigar o equivalente a cerca de 20% da população carcerária atual do país. As primeiras transferências de detentos estão previstas para o fim de outubro.
A presidente costa-riquenha, Laura Fernández, afirmou que a instalação pretende recuperar o controle do Estado sobre as prisões e impedir que organizações criminosas mantenham influência dentro do sistema penitenciário. Durante a inauguração, ela defendeu o endurecimento das medidas de segurança, mas declarou que o governo também pretende respeitar os direitos fundamentais dos detentos.
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Como funciona a nova prisão
O CACCO é composto por cinco pavilhões. Cada um tem 17 celas de 90 metros quadrados, com capacidade para acomodar até 60 presos por cela. O complexo foi planejado para receber detentos considerados de alta periculosidade, especialmente condenados ligados ao crime organizado.
O regime prevê restrições severas à rotina dos presos. Os detentos terão uma hora por dia de exposição ao sol, não poderão manter objetos pessoais e usarão uniformes laranja. As visitas também serão submetidas a regras rigorosas.
A proposta segue o modelo do Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), a megaprisão construída em El Salvador para encarcerar integrantes de gangues. A unidade salvadorenha se tornou um dos principais símbolos da estratégia de segurança de Bukele, baseada em operações policiais de grande escala e prisões em massa.
O governo da Costa Rica pretende que o novo complexo ajude a reduzir a influência de grupos criminosos nas penitenciárias. O ministro da Justiça, Gabriel Aguilar, afirmou que a unidade integra uma estratégia mais ampla para retomar o controle do sistema prisional, que, segundo ele, foi infiltrado por organizações criminosas.
Por que a Costa Rica adotou o modelo
A inauguração ocorre após uma sequência de anos com números elevados de homicídios no país centro-americano. A Costa Rica registrou 905 assassinatos em 2023, recorde histórico, segundo dados judiciais. O total caiu para 876 em 2024 e 873 em 2025, mas permaneceu acima dos níveis registrados anteriormente.
Autoridades atribuem grande parte dos crimes a disputas entre grupos rivais pelo controle das rotas de tráfico de drogas e de mercados locais. Ao longo dos últimos anos, a Costa Rica também ganhou importância como ponto de trânsito e distribuição de entorpecentes, incluindo cocaína destinada à Europa.
Por décadas, o país foi considerado um dos mais seguros da América Latina. O avanço do crime organizado, porém, levou o governo a ampliar as medidas de segurança e buscar referências em países que adotaram políticas mais duras contra gangues e cartéis.
Fernández considera a experiência de Bukele uma referência e anunciou uma visita a El Salvador para conhecer de perto a estratégia salvadorenha. O presidente de El Salvador também participou do lançamento das obras do projeto costa-riquenho.
Resultados e críticas ao modelo salvadorenho
A política de segurança de Bukele é associada à forte redução dos homicídios em El Salvador. Desde 2022, o país mantém um regime de exceção que ampliou os poderes das forças de segurança e permitiu detenções em larga escala. Mais de 90 mil pessoas foram presas durante a ofensiva contra as gangues, segundo os números citados nas reportagens.
A estratégia, contudo, é alvo de críticas de organizações de direitos humanos, que denunciam detenções arbitrárias, violações do direito de defesa e enfraquecimento das garantias democráticas. Especialistas ligados à Organização das Nações Unidas também apontaram acusações graves relacionadas às ações do governo salvadorenho.
Na Costa Rica, a construção da penitenciária gerou preocupação entre opositores e ativistas, que questionam a adoção de um modelo associado a denúncias de abusos em um país historicamente reconhecido pela proteção dos direitos humanos.
O governo costa-riquenho afirma que os resultados da nova unidade dependerão também da atuação do Judiciário e da capacidade de obter condenações. Fernández tem enfrentado divergências com autoridades judiciais sobre as políticas de segurança e os cortes orçamentários, enquanto juízes e promotores alertam para riscos à independência das instituições.
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