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Bukele consolida seu poder com uma terceira candidatura à presidência de El Salvador

O ‘ditador descolado’ foi escolhido pelo partido para as eleições gerais marcadas para 28 de fevereiro de 2027

Internacional|Merlin Delcid, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Nayib Bukele busca um terceiro mandato presidencial em El Salvador, controlando todas as instituições governamentais, incluindo a organização das eleições.
  • O partido de Bukele, Nuevas Ideas, o escolheu como candidato único para as eleições de 2027, com o apoio popular devido à redução da violência e ao controle sobre o Legislativo.
  • Reformas constitucionais aprovadas pelo governo permitem a reeleição sem restrições e eliminaram o segundo turno nas eleições presidenciais.
  • Apesar do apoio popular, desafios econômicos como a falta de empregos e o aumento dos preços podem impactar o apoio a Bukele nas próximas eleições.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Se vencer, Nayib Bukele permanecerá na presidência até 2033 José Cabezas/Reuters - 19.05.2026

Nayib Bukele pretende disputar um terceiro mandato presidencial em El Salvador em um cenário sem outras figuras políticas de destaque e no qual o governo, ou seja, o próprio Bukele, controla todas as instituições, inclusive as responsáveis pela organização das eleições. Assim, o autodenominado “ditador descolado” tem tudo a seu favor para continuar no poder, um sinal de que sua influência, consolidada há vários anos, deve se manter por muitos outros.

Os filiados de seu partido, Novas Ideias (Nuevas Ideas), o escolheram neste fim de semana, em eleições internas, como candidato à residência para as eleições gerais marcadas para 28 de fevereiro de 2027.


Nas prévias do Nuevas Ideas, Bukele foi o único candidato à presidência. Os integrantes do partido também votaram presencialmente, por meio de dispositivos eletrônicos, para definir os candidatos a deputados e aos conselhos municipais. A legislação eleitoral de El Salvador obriga todos os partidos a realizar esse processo para garantir a participação da militância na escolha dos candidatos.

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O popular presidente chegou ao poder pela primeira vez em junho de 2019, apresentando-se como uma alternativa aos partidos Aliança Republicana Nacionalista (Arena), que governou o país por 20 anos, e à Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN), que permaneceu no poder por uma década.


Agora, Bukele disputará mais um mandato. Se vencer, algo que as pesquisas de opinião indicam como altamente provável, permanecerá na presidência até 2033.

Os partidos tradicionais, como a Arena e a FMLN — que governaram o país centro-americano durante 30 anos —, contam hoje com pouco apoio popular. Embora tentem recuperar espaço, as pesquisas mostram que seu crescimento é insuficiente para competir politicamente com o governo.


Uma das razões para o sucesso de Bukele é que a população deixou de acreditar nos partidos tradicionais, um fenômeno observado em diversos países da América Latina. “As pessoas já não votam em partidos nem em ideologias. Agora votam em pessoas. Já não votam em projetos, mas em resultados, em ações concretas”, afirmou à CNN Internacional, Juan Ramón Maldonado, diretor da Escola de Comunicação da Universidade Don Bosco e analista político.

A confirmação da candidatura demonstra que, dentro do Nuevas Ideas, não há outra liderança além da do atual presidente. O mesmo ocorre entre os demais partidos, cujos eleitores não enxergam alternativas capazes de disputar o poder com Bukele. “A segurança é o principal tema em que o presidente nos ajudou. Graças a isso, apoiamos sua permanência no cargo”, disse à CNN Internacional, Harold Castillo, filiado ao Nuevas Ideas que participou da votação neste domingo.


Segundo Maldonado, a ausência de “novas lideranças e o enfraquecimento dos partidos” abre caminho para que Bukele consolide seu poder por muito mais tempo.

Em julho de 2025, a Assembleia Legislativa, controlada pelo governo, aprovou uma reforma constitucional que permite a reeleição sem restrições, autorizando um presidente a disputar quantos mandatos desejar.

A partir de 2027, o mandato presidencial passará de cinco para seis anos. A intenção dos parlamentares é fazer com que a metade do mandato presidencial coincida com as eleições para prefeitos e deputados, realizadas a cada três anos. Para isso, foi necessário encurtar o segundo mandato de Bukele, inicialmente previsto para terminar em 2029, para 2027.

Com essa reforma constitucional, a população poderá decidir, tanto no início quanto na metade do mandato presidencial, se concede ao presidente o controle da Assembleia Legislativa. Essa é uma decisão estratégica, já que cabe aos deputados nomear autoridades de segundo escalão, aprovar ou alterar leis e também modificar a Constituição.

Para as eleições de fevereiro de 2027, os deputados também eliminaram o segundo turno. Assim, será eleita a chapa presidencial que obtiver o maior número de votos válidos. Até então, a Constituição determinava que, para vencer no primeiro turno, uma chapa precisava conquistar mais de 50% dos votos válidos.

Bukele concentra poder e mantém elevados índices de aprovação, segundo diferentes pesquisas, principalmente em razão da expressiva redução dos níveis de violência.

Além de comandar o Poder Executivo, ele também exerce forte influência sobre o Legislativo, já que seu partido, o Nuevas Ideas, possui maioria absoluta. Todos os projetos enviados pela Presidência foram aprovados pelos deputados. Por meio da Assembleia, também foram nomeados ministros da Suprema Corte alinhados ao governo. Inclusive, a Câmara Constitucional autorizou a candidatura de Bukele à reeleição.

Apesar das críticas da oposição, os eleitores deram maior peso às ações do presidente no combate ao crime.

A criminalidade marcou a história recente de El Salvador com o fortalecimento das temidas gangues, que passaram a controlar diversas comunidades após a assinatura dos acordos de paz, em 1992.

Hoje, muitos cidadãos afirmam sentir-se mais seguros com os integrantes das gangues presos graças ao regime de exceção, em vigor desde março de 2022.

Segundo as autoridades, essa medida permitiu a prisão de mais de 92 mil pessoas, além da apreensão de 5.451 armas de fogo, 12.110 veículos e 24.955 celulares.

Até mesmo defensores dos direitos humanos reconhecem o amplo apoio popular ao regime de exceção e a outras medidas mais duras, como as reformas constitucionais que permitem condenar à prisão perpétua, a partir dos 12 anos de idade, pessoas condenadas por crimes como homicídio, feminicídio ou estupro.

Embora reconheçam a aprovação popular dessas medidas, organizações de direitos humanos afirmam que muitos cidadãos só percebem a importância de haver limites e mecanismos de controle sobre o poder quando precisam da proteção desses direitos.

Na avaliação de Maldonado, o “calcanhar de Aquiles” de Bukele é a economia, a falta de prestação de contas e o enfraquecimento da democracia. “Se as pesquisas se confirmarem e Bukele conquistar um novo mandato, o desafio continuará sendo promover desenvolvimento econômico, e não apenas o crescimento de alguns setores, como o turismo.”

A falta de empregos, o aumento do preço da cesta básica e dos combustíveis têm pressionado o orçamento de muitos salvadorenhos, que cobram medidas para enfrentar esses problemas. Caso não encontrem respostas, avaliam alguns analistas, isso poderá reduzir o apoio ao presidente, embora não de forma suficiente para tirá-lo do poder nas próximas eleições.

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