Por que a Nasa enviou amostras de coração e cérebro para o espaço? Entenda
Estudos devem ajudar pesquisadores a identificar alterações celulares provocadas pela microgravidade
Internacional|Do R7
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A Nasa enviou modelos de tecidos humanos à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) para investigar como as condições do espaço afetam o organismo. Entre os materiais transportados estão amostras de cérebro cultivadas em laboratório e amostras de coração, que serão utilizadas em experimentos voltados à compreensão de doenças e ao desenvolvimento de tratamentos médicos.
Os materiais chegaram ao laboratório orbital na quinta-feira (15), a bordo de uma cápsula Dragon, da SpaceX. O veículo foi lançado na terça-feira (12), na missão de reabastecimento CRS-35, com aproximadamente 2,86 toneladas de suprimentos e equipamentos científicos.
Os estudos devem ajudar os pesquisadores a identificar alterações celulares provocadas pela microgravidade e pela exposição à radiação espacial. Os resultados também poderão contribuir para a preparação de astronautas para viagens prolongadas, como futuras missões à Lua e a Marte.
Veja Também
Minicérebros, coração e retina são alvo de pesquisas
Um dos principais experimentos da missão envolve os chamados miBrains, modelos tridimensionais de tecido neural humano produzidos em laboratório. As estruturas serão mantidas na ISS durante cinco semanas e, posteriormente, comparadas a amostras equivalentes conservadas na Terra.
A análise permitirá investigar se a permanência no espaço provoca mudanças nas células cerebrais e em seu material genético. Os cientistas também pretendem compreender como essas alterações podem se relacionar ao envelhecimento e ao desenvolvimento de doenças neurológicas.
Outro estudo utilizará modelos celulares para examinar a relação entre inflamação e doenças neurodegenerativas. A pesquisa empregará organoides, estruturas desenvolvidas a partir de células humanas que reproduzem parcialmente características de tecidos e órgãos reais.
A expectativa é que os experimentos ampliem o conhecimento sobre enfermidades como Alzheimer, Parkinson e esclerose múltipla. No entanto, os estudos ainda estão em fase experimental e não representam tratamentos prontos para uso clínico.
O tecido cardíaco enviado à estação será utilizado para estudar como a ausência de gravidade terrestre interfere no desenvolvimento e no funcionamento de estruturas tridimensionais do coração. A pesquisa poderá fornecer informações úteis para estudos de doenças cardiovasculares e para a avaliação de medicamentos.
Os pesquisadores também pretendem avançar no desenvolvimento de retinas artificiais. O experimento LambdaVision-1 investigará se a microgravidade permite produzir camadas mais uniformes e estáveis de uma proteína sensível à luz, chamada bacteriorrodopsina.
A substância é utilizada no desenvolvimento de uma tecnologia que busca reproduzir determinadas funções das células responsáveis pela captação de luz nos olhos. A proposta é criar dispositivos capazes de ajudar pessoas que perderam a visão em decorrência de doenças degenerativas da retina.
Na Terra, a gravidade pode dificultar a formação uniforme das camadas do material, comprometendo a qualidade da estrutura produzida. No ambiente orbital, os cientistas esperam obter resultados mais consistentes, embora a tecnologia ainda precise superar etapas de pesquisa e desenvolvimento antes de uma eventual aplicação médica.
A missão também inclui pesquisas voltadas à identificação de problemas de saúde durante a permanência no espaço. Em viagens prolongadas, os astronautas podem apresentar perda de massa muscular e densidade óssea, alterações na visão e mudanças na distribuição dos fluidos corporais.
Para enfrentar esse desafio, o experimento ELISA MABL avaliará um equipamento compacto capaz de detectar anticorpos, antígenos e proteínas em amostras biológicas. A tecnologia poderá facilitar o monitoramento da saúde dos astronautas durante as missões, reduzindo a dependência de exames realizados somente após o retorno à Terra.
Outro projeto, chamado GEARS, investigará o comportamento de bactérias resistentes a antibióticos em condições espaciais. O estudo se concentrará nas espécies Enterococcus faecalis e Enterococcus faecium, identificadas na estação e que podem representar riscos à saúde dos tripulantes.
A pesquisa pretende esclarecer como esses microrganismos se desenvolvem em um ambiente fechado e sob microgravidade. Os dados poderão contribuir para a criação de estratégias de prevenção e controle de infecções em futuras missões espaciais.
Além dos estudos relacionados à saúde humana, a carga transportada pela SpaceX inclui um experimento sobre doenças que afetam plantas cultivadas no espaço. Os cientistas querem verificar se determinadas infecções vegetais se desenvolvem de maneira diferente em condições de microgravidade.
O tema é importante para o planejamento de viagens espaciais de longa duração. O cultivo de alimentos fora da Terra poderá ajudar a complementar a alimentação dos astronautas, além de contribuir para a absorção de dióxido de carbono e a produção de oxigênio.
Compreender como as doenças afetam as plantas em órbita pode ajudar no desenvolvimento de cultivos mais resistentes, uma necessidade para missões que envolvam permanências prolongadas na Lua ou em Marte.
A previsão divulgada para a missão é que os experimentos retornem à Terra em meados de novembro, quando a cápsula Dragon deverá realizar uma amerissagem na costa da Califórnia. A análise dos materiais após o retorno permitirá comparar os resultados obtidos no espaço com os dados coletados em solo terrestre.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp














