Por que os EUA não tomam o urânio enriquecido do Irã?
Especialistas apontam riscos militares, ambientais e logísticos que tornam operação altamente complexa e incerta
Internacional|Do R7
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Uma eventual tentativa dos Estados Unidos de tomar à força o estoque de urânio enriquecido do Irã é considerada por especialistas como uma das operações militares mais arriscadas e complexas já cogitadas. Nesta quinta-feira (16), o presidente americano, Donald Trump, afirmou que Teerã concordou em retornar o material nuclear presente no país aos EUA
Embora o objetivo declarado de Trump seja impedir que Teerã desenvolva uma arma nuclear, transformar essa meta em ação concreta no terreno envolve desafios técnicos, estratégicos e humanos significativos.
De acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica, o Irã possui cerca de 440,9 quilos de urânio enriquecido a até 60% de pureza, nível próximo ao necessário para uso militar. Esse material, se levado a 90% de enriquecimento, poderia permitir a produção de até dez bombas nucleares, embora não haja evidências de que o país tenha desenvolvido armamento nuclear.
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Material estaria em túneis
O principal obstáculo é a localização e a dispersão desse material. Parte significativa do estoque estaria armazenada em túneis subterrâneos próximos à cidade de Isfahan, além de outros volumes em instalações como Natanz e Fordo. Desde 2025, inspetores internacionais não conseguem verificar diretamente esses locais, o que aumenta a incerteza sobre a distribuição e proteção do material.
Mesmo com informações de inteligência consideradas confiáveis pelos Estados Unidos, acessar esses depósitos exigiria uma operação terrestre em território hostil. Especialistas estimam que até 1.000 militares poderiam ser necessários apenas para garantir a segurança do perímetro de uma única instalação, além de equipes técnicas especializadas em lidar com material nuclear.
O desafio logístico é enorme. As instalações estão profundamente enterradas e, em alguns casos, bloqueadas por escombros após bombardeios anteriores. Isso exigiria o envio de equipamentos pesados, como escavadeiras, possivelmente transportados por helicópteros, além da construção de pistas improvisadas para pouso de aeronaves de carga.
Dentro dos túneis, os riscos aumentam. O urânio está armazenado na forma de gás hexafluoreto em cilindros robustos, mas que podem liberar substâncias altamente tóxicas caso sejam danificados. O contato com a umidade pode gerar compostos corrosivos perigosos para a pele, olhos e pulmões, exigindo o uso de equipamentos de proteção química e radiológica.
Há ainda o risco de reações nucleares acidentais. Para evitar isso, os cilindros precisam ser mantidos a uma distância segura entre si durante o transporte. Qualquer erro nesse processo pode resultar em liberação significativa de radiação.
Missão não seria rápida
Outro fator crítico é o tempo da operação. Diferentemente de missões rápidas, como a que matou Osama bin Laden em 2011, uma ação para capturar ou destruir o estoque iraniano poderia durar dias ou até semanas. Quanto mais longa a operação, maior a exposição a ataques, falhas logísticas e erros humanos.
Além disso, há o risco de armadilhas e resistência ativa. Especialistas acreditam que o Irã pode ter preparado o terreno com explosivos, cilindros falsos e outras estratégias para dificultar a identificação do material real. Isso tornaria o avanço ainda mais lento e perigoso.
Negociação é melhor caminho
Diante desse cenário, muitos analistas defendem que a melhor alternativa seria uma solução negociada. Um acordo permitiria a remoção segura do material com apoio técnico internacional, possivelmente com participação da própria Agência Internacional de Energia Atômica, evitando os riscos de uma operação militar em larga escala.
Experiências anteriores reforçam essa visão. Em 1994, os Estados Unidos conduziram uma operação secreta no Cazaquistão para remover urânio altamente enriquecido remanescente da União Soviética. Missões semelhantes ocorreram na Geórgia e no Iraque, sempre com cooperação local, que é um fator ausente no caso iraniano.
Sem um acordo diplomático, a alternativa militar permanece possível, mas cercada de incertezas. Especialistas resumem o cenário com uma frase recorrente: há “um milhão de coisas que podem dar errado”.
Nesta quinta-feira, Trump afirmou que o próximo encontro com o Irã pode ocorrer já neste fim de semana e indicou que poderá estender o cessar-fogo caso as negociações avancem.
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