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Trump questiona se JD Vance é a escolha certa para 2028

Mandatário comentou até o número de férias que Vance tirou como vice-presidente

Estadão Conteúdo

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Trump frequentemente questiona se JD Vance tem capacidade para ser presidente.
  • Vance enfrenta comparações com Marco Rubio, e Trump frequentemente realiza sondagens sobre quem seria a melhor escolha para sucedê-lo.
  • Vance é visto como leal a Trump, mas sua popularidade e apoio entre os eleitores gerais são baixos.
  • Apesar das dúvidas de Trump, aliados veem Vance como um forte candidato para 2028.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

JD Vance teve seu desempenho questionado em meio a incertezas políticas Matt Rourke/Pool via Reuters - 28.05.2026

Em conversas recentes com assessores e aliados, o presidente Donald Trump tem frequentemente levantado uma questão sobre seu vice: JD Vance tem o que é necessário para ser presidente?

Normalmente, ele mesmo responde à própria pergunta: não tem tanta certeza assim.


Não é que Trump esteja abandonando Vance. Ele o envolve em decisões importantes, deu-lhe oportunidades de grande visibilidade para se posicionar visando a 2028 e confia no vice-presidente de 41 anos para travar batalhas partidárias em seu nome.

Em uma reunião de gabinete nesta semana, Trump comparou Vance a Eliot Ness, o agente federal que combateu a máfia, por trabalhar para descobrir fraudes em estados controlados majoritariamente por democratas.


Trump há muito tempo realiza grupos de discussão com seus assessores mais próximos e parece gostar de provocá-los e deixá-los desconcertados como forma de afirmar seu domínio. Várias pessoas do círculo mais próximo do presidente têm sido alvo de questionamentos quase públicos sobre seu desempenho e seu futuro.

Mas, quando se trata de JD Vance, os riscos são maiores. Como principal candidato à indicação republicana e provável herdeiro do movimento político do presidente, o futuro de Vance depende, em grande medida, do entusiasmo e apoio de Trump à sua candidatura.


E as frequentes sondagens de Trump sobre se as pessoas preferem Vance ou o secretário de Estado Marco Rubio tornaram-se um dos indicadores iniciais mais observados sobre como será a passagem de poder dentro do Partido Republicano.

Quando realiza essas sondagens em particular, Trump frequentemente compara o desempenho de Vance às suas próprias conquistas.


Ele disse a vários aliados que Vance nunca venceu uma disputa acirrada sem sua ajuda (o apoio de Trump foi decisivo para que Vance vencesse uma eleição apertada para uma vaga no Senado por Ohio). E também comentou sobre o número de férias que Vance tirou como vice-presidente (Trump geralmente não tira férias).

Trump mencionou repetidamente a oposição inicial do vice-presidente ao início de uma guerra com o Irã e fez isso na frente do próprio Vance (“Sou mais pacifista do que você — mas tive de fazer isso”, disse-lhe certa vez).

O presidente também questionou sua decisão de enviar uma delegação liderada por Vance a uma rodada de negociações no Paquistão, que não conseguiu pôr fim à guerra.

Troféu no chão

Trump, sempre muito atento à imagem da presidência, tem se concentrado em momentos em que Vance pode não parecer à altura do cargo. Ele tem mencionado repetidamente um episódio no mês de abril, quando Vance deixou cair o troféu do campeonato nacional de futebol americano universitário, vencido pela Ohio State, no Jardim Sul da Casa Branca (Trump disse que está feliz por não ter sido ele).

Este relato sobre a relação de Trump com seu vice-presidente se baseia em entrevistas com mais de uma dúzia de pessoas que conhecem de perto a dinâmica entre os dois. Algumas delas receberam garantia de anonimato para falar sobre o pensamento de Trump.

“O vice-presidente Vance tem feito um trabalho notável ao ajudar a implementar a agenda ‘America First’ do presidente”, afirmou Steven Cheung, diretor de comunicação da Casa Branca, em comunicado. “Não houve nenhum vice-presidente na história que tenha tido mais autonomia, e isso reflete a forte confiança e o relacionamento entre os dois. Quaisquer narrativas falsas da mídia, provenientes de fontes desconhecidas e anônimas que inventam histórias, claramente não têm nenhum conhecimento da verdade.”

Trump, que completará 80 anos no mês que vem, difere de Vance tanto em termos geracionais quanto de estilo; este último é um millennial do Meio-Oeste que superou uma infância difícil e fez dessa luta a força motriz de sua marca política. O presidente, um incorporador imobiliário nascido no Queens e criado em um ambiente abastado, prefere estar rodeado de ambientes luxuosos. Quando Vance não está em Washington, ele gosta de levar a família para Cincinnati ou para Camp David, o refúgio presidencial na floresta que Trump visitou apenas uma vez em seu segundo mandato.

Nas reuniões, Vance frequentemente fica navegando no celular e utiliza as redes sociais para discutir com seus críticos. O presidente publica com frequência na plataforma Truth Social, mas não passa tempo respondendo pessoas online da forma como Vance faz.

Susie Wiles, chefe de gabinete de Trump, aconselhou recentemente Vance a dar um tempo nas redes sociais, assim como fizeram outros funcionários da Casa Branca, segundo pessoas familiarizadas com essas conversas, porque as discussões estavam abaixo do nível do seu cargo.

Ao longo de tudo isso, Vance demonstrou a qualidade que Trump mais valoriza: lealdade. Ele deixou de lado suas reservas sobre a guerra para apoiar a condução do conflito pelo presidente e desempenhou o tradicional papel de vice-presidente como principal defensor e atacante dos críticos de Trump.

Desde essa entrevista, Trump tem elogiado Rubio e dito a pessoas próximas que está impressionado com o trabalho que ele vem realizando.

Marco Rubio passa a ser uma opção

Rubio passa mais tempo com Trump do que Vance, como é típico de um conselheiro de segurança nacional. Rubio viaja frequentemente com o presidente a bordo do Air Force One (o avião presidencial), e os dois têm se aproximado durante fins de semana na Flórida. Vance, por sua condição de vice-presidente, não viaja no mesmo avião que Trump.

Em um jantar no Rose Garden no início deste mês, Trump perguntou aos convidados quem seria a melhor escolha: “Quem gosta de JD Vance? Quem gosta de Marco Rubio?”.

Segundo os presentes, ele deixou claro que não estava apoiando nenhum dos dois.

Em entrevista à revista Fortune, no Salão Oval, Trump voltou a ser questionado sobre quem estaria mais bem posicionado para dar continuidade ao seu legado político.

“Quem assumir esse cargo vai ser muito importante”, disse o presidente. “E se a escolha for errada: será um desastre.”

Durante a entrevista, Vance observava do fundo da sala enquanto Trump respondia.

‘Ele saiu de mãos vazias’

Vance é uma das figuras mais conhecidas da política americana, além de Trump e de Robert F. Kennedy Jr., secretário de Saúde e Serviços Humanos. Uma de suas vantagens como vice-presidente é o fato de ele ocupar o cargo de presidente da comissão de finanças do Comitê Nacional Republicano, o que lhe dá acesso direto aos doadores.

Aliados de Trump e de Vance afirmam que o vice-presidente continua sendo o candidato mais bem posicionado para suceder Trump. Apesar da preocupação generalizada com o custo de vida e com os gastos da guerra contra o Irã, Trump continua sendo popular entre os eleitores republicanos.

De acordo com uma pesquisa da Quinnipiac publicada na semana passada, cerca de 73% dos eleitores republicanos ainda aprovam amplamente o trabalho que Trump está realizando. De acordo com uma pesquisa divulgada pelo instituto Pew em fevereiro, 75% dos eleitores republicanos têm uma opinião favorável sobre Vance.

No entanto, ambos são amplamente impopulares no eleitorado geral. O índice geral de aprovação do presidente caiu para o nível mais baixo de seu segundo mandato. De acordo com a Quinnipiac, Vance é igualmente impopular, com 39% dos eleitores aprovando o trabalho que ele vem realizando.

O governador do Kentucky, Andy Beshear, amplamente visto como um provável candidato democrata à Presidência em 2028, acusa repetidamente Vance, nascido em Middletown, Ohio, de exagerar suas origens na classe trabalhadora e de se apresentar indevidamente como um produto dos Apalaches. (Embora os parentes de Vance fossem dos Apalaches, Middletown não faz parte da região.)

Em entrevista, Beshear acusou Vance de “governar de uma forma que só prejudica os lugares dos quais ele diz ser originário.”

E acrescentou: “JD Vance não tem um pingo de integridade. Na semana passada, ele foi nomeado ‘czar da fraude’ e, nesta semana, está defendendo um novo fundo secreto de US$ 1,8 bilhão para que o governo Trump distribua entre seus aliados”.

Os aliados de Vance afirmam que ele está fazendo o trabalho mais útil para Trump: viajando pelo mundo em missões diplomáticas e cruzando os Estados Unidos para fortalecer a agenda interna do presidente. Segundo eles, Vance não está preocupado em obter vitórias políticas.

No cenário internacional, Vance fez campanha para o aliado de extrema-direita no exterior, Viktor Orbán.

Orbán acabou perdendo a disputa para ser reeleito primeiro-ministro da Hungria. Os assessores de Trump afirmam que ele esperava esse resultado, mas o presidente queria ajudar um aliado que o apoiou nos anos em que passou como um pária político.

Um grande teste à influência política interna de Vance ocorreu no verão passado, quando a equipe política da Casa Branca lhe pediu que visitasse a Assembleia Legislativa de Indiana para incentivar os republicanos a votarem pela redefinição dos mapas eleitorais do Estado.

No fim, os legisladores se recusaram a redefinir os mapas, e Trump lançou uma campanha de retaliação, em grande parte bem-sucedida, para destituir aqueles que desafiaram seus desejos.

Autoridades locais acreditam que os ataques de Trump causaram danos de longo prazo ao Partido Republicano e que Vance terá um caminho difícil pela frente caso decida concorrer à presidência.

“Ele não conseguiu nada em Indiana, da mesma forma que não conseguiu nada na Hungria”, disse o deputado estadual Ed Clere, republicano do sul de Indiana com nove mandatos que votou contra a redistribuição distrital, referindo-se a Vance.

Clere, que afirmou que concorrerá à prefeitura de New Albany, em Indiana, acrescentou que o envolvimento do vice-presidente na disputa pela redistribuição distrital “deveria servir de alerta para qualquer um que ache que Trump será capaz de passar a tocha do MAGA para Vance, ou para qualquer outra pessoa”.

James Blair, um dos principais assessores políticos de Trump, disse que Vance estava disposto a tentar persuadir os republicanos de Indiana, mesmo que isso significasse sair de mãos vazias.

“O vice-presidente estava disposto a enfrentar a batalha em Indiana porque não tem medo de fazer o que precisa ser feito, mesmo que seja uma luta difícil”, disse ele em um comunicado. “O vice-presidente assume algumas das tarefas mais difíceis e persiste até que o trabalho esteja concluído.”

Como parte de seu trabalho de combate à fraude, Vance viajou para Bangor, no Maine, no início deste mês, e disse a uma multidão de apoiadores que a fraude havia se alastrado no Estado sob o governo da democrata Janet Mills. No Maine, os apoiadores se mostraram receptivos à ideia de que Vance pudesse liderar o partido em 2028.

John Lugo e sua esposa, Denise Dineen, estavam na multidão, usando bonés combinando com a frase “Make America Healthy Again” (Faça a América Saudável Novamente). Lugo, proprietário de uma pequena empresa, disse que via Vance como um parceiro “extremamente articulado” para Trump.

Quando questionado se achava que o vice-presidente deveria ser o próximo candidato republicano à presidência, Lugo manteve suas opções em aberto.

“Ele ou Rubio”, disse Lugo. “Rubio também seria uma boa escolha.”

Quando Lugo e sua esposa se viraram para olhar Vance ao subir ao palco, outro nome estava escrito na parte de trás de seus bonés: “KENNEDY”.

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