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Povos amazônicos pedem mais diálogo e menos retórica sobre infraestrutura

Internacional|Do R7

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Waldheim García Montoya. Belém (Brasil), 26 out (EFE).- Representantes da sociedade civil dos países amazônicos pediram neste sábado, durante o fórum "Megaprojetos, desenvolvimento e integração da América do Sul", que acontece em Belém do Pará, "mais diálogo e menos retórica" sobre os assuntos de infraestrutura na região. "Queremos mais diálogo e menos retórica, pois quando se 'integrou' a comunidade nos grandes projetos, como (a hidrelétrica de) Belo Monte, fomos informados e não consultados. A comunicação era de um só lado", disse à Agência Efe o professor Fabiano de Oliveira Vitoriano, do Movimento de Afetados de Represas de Altamira (Pará). Para o ativista, o "megaprojeto" de Belo Monte, que começou a ser construído em 2011 e espera entrar em operação em 2015, com um custo inicial de US$ 3 bilhões, é um "jogo político" no qual algumas esferas do Governo cederam aos grandes investidores, sem levar em conta o "impacto social e ambiental". A polêmica hidrelétrica de Belo Monte será a terceira maior do mundo, inundará 506 quilômetros quadrados de floresta e obrigará o deslocamento de entre 16 mil e 25 mil pessoas. No entanto, as deficiências nas consultas prévias aos indígenas e comunidades da região motivaram uma sentença da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA), que solicitou em 2011 a suspensão das obras, ao que se opôs o Governo brasileiro. Fabiano expôs que Altamira, com uma população de 95 mil habitantes há três anos, tem hoje em seu perímetro urbano mais de 150 mil pessoas. "Em Altamira já convivemos com favelas, acidentes de trânsito, prostituição desmedida, propagação de doenças e outros problemas que não tínhamos nem conhecíamos", ressaltou o líder social. A hidrelétrica, que está sendo construída no rio Xingu, afluente do Amazonas, terá uma capacidade de geração máxima de 11.233 megawatts, por isso que o Governo a considera como uma obra essencial para garantir a provisão de energia do país. No fórum, promovido pela agência IPS e a americana Fundação Mott, participam até a próxima segunda-feira acadêmicos, especialistas, representantes de Governos locais, jornalistas e ativistas de Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela, Itália e Estados Unidos. No primeiro dia de debates, o professor Alfredo Wagner, coordenador do Projeto de Cartografia Social da Amazônia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em Manaus, questionou a "ambiguidade da política ambiental" existente e ressaltou que "os movimentos reagem de maneira diferente". No caso da expansão de "megaprojetos" na região, Wagner pediu à sociedade para se "organizar e se fazer sentir mais", pois segundo sua opinião "os partidos políticos perderam a aspiração de mobilização e a maneira de fazer política mudou". "As coisas estão funcionando só para as empresas e a desigualdade na região aumentou", disse o especialista à Efe. Para Wagner, a falta de diálogo levou a que um projeto como o corredor terrestre e fluvial Pacífico-Atlântico, impulsionado pela Iniciativa de Integração Regional Sul-Americana (IIRSA), "não esteja alcançando seus objetivos". "Este eixo está servindo para o tráfico de drogas, armas e pessoas, como os mais de 8.000 haitianos que chegaram ao Brasil por esse corredor", explicou. O projeto, conhecido como Eixo Multimodal do Amazonas, ligará a Região Nordeste, passando pela Amazônia, com o porto colombiano de Tumaco, no Pacífico, para promover o comércio exterior. Um estudo divulgado na sexta-feira pela Sociedade Brasileira para o Progresso e a Ciência assinalou que 17 dos 20 maiores projetos desenvolvidos nos países amazônicos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) têm ações judiciais no Ministério Público. Os principais problemas, de acordo com o relatório, identificaram denúncias em sua maioria relacionadas ao impacto ambiental, abusos trabalhistas e de falta de diálogo com as comunidades. EFE wgm/ma

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