Presidente da Câmara diz crer que reeleição não será mais permitida após 2014
Internacional|Do R7
Brasília, 6 nov (EFE).- O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), manifestou nesta quarta-feira sua convicção de que o pleito de outubro de 2014 será o último em que será permitida a reeleição presidencial e de governadores e prefeitos no país. "Acredito que sim", declarou o político a correspondentes estrangeiros sobre a possibilidade de que a presidente Dilma Rousseff, que concorrerá no ano que vem a um segundo mandato, seja a última governante a se reeleger no Brasil. Um grupo parlamentar dedicado à redação de um projeto de reforma política terminou na terça-feira seus trabalhos e incluiu em sua proposta o fim da reeleição para todos os cargos executivos e também a extinção da obrigatoriedade do voto. Segundo Alves, a interpretação dos redatores do projeto é que "o processo de reeleição cria distorções" na política que devem ser corrigidas. Entre essas "distorções", ele citou a "permanente antecipação" das campanhas, um fenômeno que considerou presente no Brasil de hoje, com a candidatura de Dilma, ainda não confirmada, mas explícita, a um segundo mandato consecutivo. "O processo eleitoral (para 2014) foi antecipado" em parte porque "há uma presidente candidata", declarou. Outra "distorção" identificada por Henrique Eduardo Alves é que, em sua opinião, a possibilidade de reeleição gera "uma disputa desigual" entre os que estão no poder e a oposição, devido ao "uso do aparelho público" com fins eleitorais. No Brasil, uma nova norma eleitoral só entra em vigor um ano após ser sancionada, por isso a reforma que começará a ser debatida só poderia ser aplicada a partir das eleições de 2018. Alves antecipou que o debate parlamentar sobre o assunto será "denso" e "intenso", mas disse estar convencido de que a reeleição será extinta. Questionado sobre o fim da obrigatoriedade do voto, o político afirmou considerar que essa proposta não passará pelo crivo do Congresso. "O Brasil não está preparado para extinguir o voto obrigatório", declarou Alves, em alusão à perda de confiança da sociedade nos políticos. Para recuperá-la, o presidente da Câmara disse que os poderes públicos estão obrigados a "restaurar a credibilidade" com "produtividade" e "fatos" que superem o discurso e sejam "palpáveis" para o conjunto da sociedade. Alves também avaliou outros aspectos do projeto de reforma que será debatido, entre os quais citou algumas propostas para reduzir o número de partidos, que atualmente é de 32. "É um absurdo ter 32 partidos, dos quais 20 hoje têm representação na Câmara dos Deputados", afirmou Alves, sobre a dificuldade que essa multiplicidade de forças políticas representa para conseguir os "consensos necessários". EFE ed/id











