Presidente italiano pede que dois grupos busquem solução para crise política
Internacional|Do R7
O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, pediu neste sábado que dois grupos escolhidos por ele elaborem um programa de governo, em uma tentativa de resolver a crise política, mas defendeu que o primeiro-ministro Mario Monti permaneça no cargo.
"Estou me preparando para pedir a dois grupos de diferentes personalidades" que forneçam propostas de reforma, disse Napolitano, depois do fracasso das negociações entre partidos para formar um novo governo.
Um desses grupos se concentrará nas reformas político-institucionais (lei eleitoral, origem da atual paralisia), o outro estudará as medidas socioeconômicas. Os dois elaborarão um relatório que será entregue a Napolitano antes do fim de seu mandato, em 15 de maio, ou a seu sucessor.
Na prática, este anúncio invalida a tentativa realizada há uma semana pelo líder de centro-esquerda, Pier Luigi Bersani, de obter um conjunto de forças políticas com o objetivo de alcançar uma maioria parlamentar segura que permita formar um governo.
Napolitano descartou qualquer possibilidade de apresentar sua renúncia antes do fim de seu mandato e afirmou estar disposto a "tomar todas as iniciativas até o último dia" para desbloquear a situação política na qual o país se encontra.
Os nomes dos integrantes dos dois grupos serão divulgados ainda neste fim de semana.
Em uma mensagem direta aos sócios estrangeiros da Itália, Napolitano afirmou que o país está nem sem governo, nem à deriva. "O governo, embora tenha renunciado, permanece em seu posto", disse o presidente, de 86 anos, muito respeitado na Itália.
A Itália encontra-se em meio a uma aguda crise política desde as eleições legislativas de 24 e 25 de fevereiro, que deram à centro-esquerda uma maioria absoluta na Câmara de Deputados, mas não no Senado, onde três forças antagônicas se equilibram: a esquerda, a direita de Silvio Berlusconi e as forças do humorista Beppe Grillo.
"A Itália está em boas mãos. A decisão do presidente de ficar até o último dia (de seu mandato) tranquiliza o país, os mercados e a Europa", considerou um dos líderes da esquerda, Paolo Gentiloni.
A direita de Berlusconi expressou um ponto de vista semelhante. "Não há dúvida de que em um momento tão incerto e dramático, a presença do presidente oferece a todos um ponto de referência sólido e confiável", declarou Sandro Bondi, coordenador do partido do ex-chefe de governo direitista.
No momento, tanto a esquerda como a direita rejeitam um possível "governo do presidente" que poderia ser dirigido por uma personalidade "neutra", com o objetivo de adotar algumas reformas, incluindo a da lei eleitoral, para que depois fossem realizadas outras eleições no próximo outono (hemisfério norte) ou na primavera de 2014. Entre os nomes que se apresentam como possíveis chefes desse gabinete, os da ministra do Interior, Anna Maria Cancellieri, e da ex-comissária europeia Emma Bonino são citados.
Após a segunda rodada de consultas na sexta-feira com os principais líderes políticos para tentar chegar a um acordo, a presidência havia anunciado que Napolitano teria "um prazo de reflexão".
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