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Presos palestinos suspendem greve de fome temporariamente após 63 dias

Internacional|Do R7

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Ramala (Cisjordânia), 25 jun (EFE).- Os presos palestinos em greve de fome há 63 dias em prisões israelenses suspenderam temporariamente seu protesto após um acordo alcançado entre palestinos e israelenses, revelou nesta quarta-feira o ministro palestino de Assuntos Sociais, Sawqi Issa. Em entrevista coletiva oferecida em Ramala, Sawqi, que também administra a antiga pasta de Assuntos para os presos, explicou que os detalhes do pacto, estipulado ontem à noite, "não serão revelados por enquanto devido a um pedido expresso dos presos". Segundo dados da Sociedade de Presos palestinos, um total de 80 reclusos tiveram que ser internados em centros médicos durante a mobilização de protesto, a mais longa desta natureza até o momento. Com a greve, os presos protestavam pela decisão de Israel de manter centenas deles sob detenção administrativa, com a qual o governo israelense pode retê-los durante meses e inclusive anos sem apresentar formalmente acusações nem conceder o direito a ser julgados. Segundo explicou hoje à Agência Efe a ONG "Adameer", que defende os direitos dos presos palestinos, nestes momentos se encontram nesta situação 347, dos quais mais de uma centena foram detidos nos últimos dias no marco de uma operação militar de busca de três estudantes israelenses desaparecidos na Cisjordânia. A suspensão da greve se produz a poucos dias do início do mês do jejum islâmico ou Ramadan e da votação do parlamento israelense em uma controvertida lei que permitirá forçar a alimentação de presos em greve de fome. A lei, à qual organizações médicas e direitos humanos israelenses se opõem por considerá-la contrária aos direitos humanos, será provavelmente aprovada graças ao apoio final do segundo partido da oposição, Yesh Atid, que é dirigido pelo antigo jornalista Yair Lapid. Segundo publica hoje o jornal ""Ha'aretz"", Lapid aceitou uma versão emendada do primeiro projeto apesar de sua principal reivindicação -atrasar seis meses sua aplicação para que não afetasse os presos atualmente em greve de fome- não foi aceita. A lei permite que se alimente necessariamente os presos sempre e quando um médico certifique que caso contrário exista o risco de falecimento. Mesmo assim, é igualmente necessário que o Serviço Israelense de Prisões peça uma permissão ao Juiz do Distrito, algo que também está ainda sob discussão. No mesmo jornal, o jornalista israelense Zvi Barel advertia hoje que o debate sobre a obrigação de um preso que está em greve de fome comer oculta o verdadeiro problema que deve enfrentar a sociedade israelense: a moralidade das detenções administrativas. "Forçar a alimentação não é uma ato para salvar os detidos cuja vida está em perigo. É um colete anti-balas político que protege do desafio ético da detenção administrativa, a causa da greve de fome", afirmou. "É muito mais fácil refletir sobre o trágico significado de forçar a alimentação de um preso através de um tubo no nariz, do que sobre o fato de que sua detenção administrativa carece de razão", concluiu. EFE mss-jm/ff

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