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Procurador acusa Irã de infiltrar-se na América do Sul com fins terroristas

Internacional|Do R7

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Buenos Aires, 29 mai (EFE).- Um procurador argentino acusa o Irã de infiltrar-se em vários países da América do Sul, inclusive o Brasil, para organizar redes de inteligência com o objetivo de patrocinar e cometer atos terroristas na região. As acusações foram formuladas nesta quarta-feira em uma extensa sentença por Alberto Nisman, procurador-geral na investigação do atentado de 1994 contra a sede em Buenos Aires do consorciado judaico Amia, no qual morreram 85 pessoas. Em seu documento, de 500 páginas, Nisman acusou o Irã de "infiltrar-se em vários países da América do Sul e instalar ali estações de inteligência destinadas a cometer, fomentar e patrocinar atos terroristas, em consonância com seus postulados de exportação da revolução", informou a unidade fiscal de investigação do caso Amia. Em sua apresentação judicial, detalhou como opera o terrorismo fundamentalista iraniano que, lembrou, já produziu "resultados devastadores" na Argentina e esteve a ponto de realizá-los há alguns anos em um dos aeroportos de Nova York. Segundo o procurador, "existem fortes e concordantes indícios que dita infiltração e instalação de estações de inteligência teria acontecido em países como Brasil, Paraguai, Uruguai, Chile, Colômbia, Guiana, Trinidad e Tobago e Suriname". Nisman enviou cópias de sua sentença às autoridades judiciais destes países e pediu à Interpol que endureça as medidas para deter todos os acusados pelo atentando à Amia sobre os quais pesem pedidos de captura internacional. São acusados pelo atentado o ministro de Defesa iraniano, Ahmad Vahidi; o ex-ministro de Informação Ali Fallahijan; o ex-assessor governamental Mohsen Rezaei; o ex-adido da embaixada do Irã em Buenos Aires Moshen Rabbani, e o ex-funcionário diplomático Ahmad Reza Ashgari. A Justiça argentina também pediu em 2006 a captura do ex-vice-ministro das Relações Exteriores para Assuntos Africanos do Irã, Hadi Soleimanpour, do ex-presidente iraniano, Ali Akbar Rafsanjani, e do ex-ministro das Relações Exteriores, Ali Akbar Velayati, embora estes não possuam um "alerta vermelho" de captura por parte da Interpol. Em sua sentença, Nisman insiste em responsabilizar as máximas autoridades do Irã pela explosão da Amia. Além disso, enfatiza que Rabbani não só teve atuação neste atentado, mas também como "coordenador desta penetração na América do Sul e muito especialmente na Guiana, através de seu discípulo, Abdul Kadir, principal referência iraniano em dito país", atualmente na prisão. O procurador considera "comprovado" que o ataque à Amia "fez parte de um plano muito maior, dominado por uma forte penetração iraniana na região, onde o papel de Moshen Rabbani não se limitou à Argentina, mas se estendeu à Guiana, além de ser o responsável pela coordenação dessas atividades em toda América do sul". Além disso, declarou que o libanês Samuel Salman El Reda, com pedido de captura desde 2009 e indicado como principal responsável da conexão local do ataque à Amia, se valeu de uma falsa cidadania colombiana para entrar na Argentina vários anos antes do atentado, "ocultando sua pertinência" ao Hezbollah. No último mês de janeiro, Argentina e Irã assinaram um acordo, rejeitado pela comunidade judaica local e o arco opositor argentino, que prevê a criação de uma comissão de juristas que revise as atuações judiciais em torno do atentado. O memorando de entendimento também prevê a realização de interrogatórios em Teerã com os acusados pela explosão da Amia sobre os quais pesam ordens de captura com "alerta vermelho" por parte da Interpol. EFE nk/rsd

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