Procuradoria acusa ex-presidente alemão de aceitar suborno
Internacional|Do R7
Berlim, 12 abr (EFE).- A Procuradoria de Hannover apresentou nesta sexta-feira uma acusação contra o ex-presidente alemão Christian Wulff por ter aceitado suborno do produtor de cinema David Groenewold. Segundo a acusação, Groenewold assumiu parte das despesas de uma visita do casal Wulff para Oktoberfest de Munique em 2008. A Procuradoria disse por meio de um comunicado que tudo indica que a intenção era motivar Wulff, então primeiro-ministro do estado da Baixa Saxônia, a interceder por Groenewold diante do presidente da companhia Siemens, Peter Loscher, para conseguir financiamento para um dos projetos do produtor. Inicialmente, Groenewold foi acusado de ter pago para Wulff e sua família 510 euros em despesas de hotel e babá, cerca de 210 euros por um jantar, assim como 3.209 euros pela visita do casal e de outros sete hóspedes a uma tenda da Oktoberfest. Wulff, no entanto, nega que tenha recebido estes pagamentos. Embora o valor final apresentado seja de 770 euros, a Procuradoria afirmou que o montante não desempenha um papel determinante na hora de apresentar a acusação. Na terça-feira, Wulff e Groenewold rejeitaram uma oferta do procurador para suspender a investigação por corrupção em troca do pagamento de 20.000 euros e 30.000 euros, respectivamente, o que significaria que o ex-presidente alemão assumiu responsabilidade penal pelos atos. Agora, a Audiência Provincial de Hannover deverá decidir se aceita as acusações para abrir um processo, decisão que pode levar meses. Em primeiro lugar, o acusado tem um prazo para se pronunciar, tempo que não é regulado legalmente, disse o porta-voz do tribunal, Martin Grote. "Provavelmente passarão vários meses antes de se saber se haverá audiência", afirmou Grote, que não quis se pronunciar sobre as probabilidades de que finalmente se abra um processo contra o ex-presidente. Nunca antes um ex-chefe de Estado alemão foi acusado pela justiça de seu país por aceitar subornos. Enquanto isso, os representantes legais do ex-presidente, Bernd Mussig e Michael Nagel, rejeitaram as acusações e as qualificaram de infundadas. "O ex-presidente Christian Wulff confia na independência, soberania e critério do tribunal", disseram os advogados em comunicado. Os defensores lembraram, além disso, que a Procuradoria foi obrigada a desprezar o restante das acusações, com as quais pediram em fevereiro de 2012 o fim da imunidade de Wulff. O Código Penal alemão estabelece penas que vão desde uma sanção econômica até cinco anos de prisão para um alto cargo, dependendo da gravidade do caso, por se deixar subornar. A investigação contra Wulff se abriu diante da suspeita de que o político poderia ter obtido benefícios indevidos a partir de seu cargo, o que o levou a renunciar em 17 de fevereiro de 2012, atingido por vários escândalos de corrupção e favorecimento divulgados em dezembro de 2011 pelo jornal "Bild". Segundo a publicação, o democrata-cristão aceitou na época em que era primeiro-ministro regional um crédito privado em condições muito vantajosas de empresários amigos no valor de 500 mil euros, dinheiro que foi usado para comprar uma casa. De todas a acusações contra Wulff, só restou a sua relação com Groenewold e a Oktoberfest. Wulff chegou à presidência em junho de 2010, por indicação da chanceler Angela Merkel e após a renúncia de seu correligionário Horst Kohler por declarações relacionando a missão do Afeganistão com os interesses econômicos alemães. EFE egw/dk








